Coco Chanel & Igor Stravinsky, ou o encontro radiante

por max 19. outubro 2012 11:16

 

A arte de Stravinsky, em sua época, era um turbilhão, uma força obscura forjada na tradição russa, nas profundas florestas pagãs. A Sagração da Primavera foi uma obra-prima e também um escândalo. Em sua apresentação em Paris, houve vaias, brigas, presença da polícia. Ele era, além de tudo, de baixa estatura e pouco fotogênico. No entanto, aprenderia a comportar-se como um homem do mundo. Aprenderia a ser cosmopolita e também teria esse ar fascinante de quem foge das tiranias, do comunismo russo. Nada é mais sexy do que a fama. Coco, também não era beneficiada pela beleza, mas era elegante e famosa. Como ele, já havia deixado para trás uma vida para começar outra. Havia deixado pra trás o orfanato e a pobreza, essa outra espécie de ditadura. Sua arte, por outro lado, estava arraigada na elegância. Arraigada em sua elegância, a que ela impôs com seus desenhos, com sua moda. E eles se encontraram, ela no auge de sua carreira, e ele no pêndulo de seus tormentos por causa da incompreensão do público. Claro, tiveram um romance, ou o que nos conta o mito, e também Coco Chanel & Igor Stravinsky (2009), filme dirigido por Jan Kounen.

Metade holandês, metade francês, Kounen foi diretor de 99 francos (99 francs, 2007), filme polêmico, estrelado por Jean Dujardim, que recentemente ganhou o Oscar, no qual faz uma sátira do mundo publicitário. 99 francos é baseado em 13,99, romance de Frédéric Beigbeder, um fenômeno de massas e um tratado contra o consumismo. Agora, Kounen volta com um filme baseado em outro texto, desta vez do poeta e romancista britânico Chris Greenhalgh que, em 2002, publicou o romance Coco & Igor. Como no romance, o filme de Kounen recria o humor, essa possibilidade de romance que houve entre Coco Chanel e Igor Stranvinsky, por volta dos anos 20, quando ele estava em Paris com sua esposa, e Coco convidou o casal para passar uns dias em sua casa de campo nos arredores de Paris. Naturalmente, a esposa de Stravinsky percebe a atração e o romance. Naquele momento, sua mulher era Katerina Nossenko, com quem o compositor esteve casado por 33 anos. Assim, naquele isolamento campestre, com aquele ar carregado de tensão, o conflito nasce.

Coco Chanel & Igor Stravinsky busca unir duas almas apaixonadas que fogem das convenções sociais e que se juntam por um breve instante no tempo e na eternidade artística, para abrir caminho, para levar a novos níveis espirituais e da arte que é, talvez, a verdadeira maravilha desse encontro entre dois grandes: mas, além do romance, o radiante encontro de dois espíritos criativos.

Coco Chanel & Igor Stravinsky, filme de Jan Kounen, estrelado por Olivier Claverie e Natacha Lindinger, neste domingo, 21 de outubro. Descubra o Max.

Para reapresentações, clique aqui.

arquivos
 

nuvem