Matadores de Velhinha ou a violência como uma forma de arte

por max 17. abril 2011 19:27

 

 

Joel e Ethan. Coen, seu sobrenome. Devo dizer para começar que são os meus favoritos. Que eu os sigo desde o primeiro filme, que Barton Fink abriu um buraco na minha cabeça. Que o melhor filme que Nicolas Cage já fez foiRaising Arizona (e também alguns outros feitos com Lynch). Que The Hudsucker Proxy  (algo assim como a história do hula hula) e The Big Lebowski  são duas obras-primas incompreendidas. Que Fargo merece seu Oscar enorme. Que The Man Who Wasn't There é uma das obras-primas dos filmes em branco e preto do mundo. Que No Country for Old Men é uma das melhores adaptações de romances que já vi em filmes. Que Anton Chigurh, interpretado por Javier Bardem, é um dos maus mais assustadores do cinema. Os irmãos Coen são contadores de histórias e, têm talento, genialidade, para sair do lugar-comum, para criar personagens diferentes. Eles são comerciais? Às vezes sim, às vezes não. Todos os seus filmes têm um ar de diversão e peça original que muitos gostam. No entanto, também é verdade que os Coen não fazem concessões, apesar de contar histórias "divertidas" sempre estão à procura de seus caminhos, dos seus próprios gostos, da sua própria saída, de ir mais além. Os irmãos Coen gostam de violência, algo francamente comercial, mas a violência que eles fazem tem diferentes matizes, não está em conformidade com o efeito especial. A violência nos Coen é uma exploração, é a busca da alma humana. Violência, jogo da vida e da morte, manifestação do homem, de sobrevivência e destruição. Quando as coisas são entendidas dessa maneira, a partir do pensamento e da arte, a violência não pode ser o fim para ter mais audiência. Nos Coen, é um meio para falar do homem. E eles fazem isso com humor, com acidez, beleza e histórias verdadeiramente originais. Matadores de Velhinha (The Ladykillers, 2004) é um filme onde mora a violência. Nenhuma violência é mais silenciosa, mais venenosa, que a violência exercida pelo roubo, essa violação que também costuma esconder a máscara, a sedução, o engano. Baseado no filme original de 1955, dirigido por Alexander Mackendrick e estrelado por Alec Guinness e Peter Sellers, os irmãos Coen estão fora do ambiente de Londres e vão instalar os seus personagens no Mississipi, na casa de uma preta idosa com muito caráter. Lá estão eles com seus falsos instrumentos de música e o professor de mentira com seus asseclas, toda uma galeria de personagens típica dos irmãos Coen. Humor e violência, humor e personagens, o humor e a maravilha que causou sensação no Festival de Cannes e acabou dando a eles o Prêmio do Júri: Irma P. Hall pelo seu desempenho e a Palma de Ouro para os irmãos Coen.

Matadores de Velhinha, na terça-feira, 17 de maio na série de filmes premiados em Cannes.

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