O Castelo No Céu, ou a destruição das utopias de Miyazaki

por max 26. outubro 2011 15:27

 

Já dissemos, em outra oportunidade, que Hayao Miyazaki é um fã da aerodinâmica, ou melhor, um amante dos céus. Sua imaginação, sem dúvida, voa alto. Um dos filmes que mais reflete sua paixão pelas alturas é O Castelo No Céu (Tenkü no Shiro Rapyuta, 1986), outra das animações que você poderá assistir este mês, dentro do ciclo dedicado a Hayao Miyazaki. Escrito e dirigido por ele, O Castelo No Céu mostra um mundo totalmente montado no ar, ou melhor, desmontando-se no ar, pois o filme é ambientado em uma época posterior à destruição das cidades e dos castelos que a civilização chegou a erguer em algum momento, neste mundo imaginado por Miyazaki. Poderíamos dizer que estamos diante de um filme não pós-apocalíptico, mas sim pós-utópico; um filme que se passa logo após a maravilha. Trata-se de uma espécie de advertência, como se Miyazaki estivesse dizendo para nós: cuidado com o ser humano, que, depois que alcança a utopia, pode ser tão bestial a ponto de destruí-la. O homem, por assim dizer, sempre desejou ir além da terra que pisa, alcançar o céu, esse lugar das utopias, por excelência. Estas cidades no céu que Miyazaki nos mostra são uma metáfora do sonho, da capacidade do homem de imaginar mundos melhores. Mas, ao mesmo tempo, essas mesmas cidades já destruídas fazem referência ao homem como um depredador insuperável. No filme, partimos de um momento pós-utópico que vai de encontro a uma nova utopia. É o mesmo que dizer que, diante dessa destruição das utopias, o espírito humano gerou uma nova utopia. Nesse caso, trata-se de um lugar místico, onde a magia e a tecnologia se fundem. Ao final, fica a pergunta: qual é a nossa utopia contemporânea? Exatamente a de um lugar onde o tecnológico e o espiritual se fundem para elevar o homem ao estado máximo de felicidade. A antiga cidade de Laputa, sobrevivente da destruição à qual nos apresenta o cineasta do início ao fim deste filme, é um resíduo da utopia destruída, que se converte, a seu tempo, em um mito e, certamente, na nova utopia do fim das utopias realizadas. Mas Laputa é um lugar que existe de verdade, e como tal, é uma cidade buscada fisicamente, com amor, mas também com ambição e malícia. Com certeza, a ambição pode mais, e o destino de Laputa não será o certo, mas de alguma maneira fez com que Miyazaki tivesse fechado esse círculo: se você se aproxima da utopia a partir da loucura racional, então você a destruirá; essa poderia parecer a conclusão, a profunda mensagem do cineasta. É surpreendente pensar que este filme magnífico e cheio de detalhes foi todo desenhado à mão e seja destinado às crianças, e que, em essência, vai muito além de uma simples aventura.

O Castelo No Céu, este mês, dentro do ciclo de Hayao Myazaki, no Max.

Para retransmissão, clique aqui.

Etiquetas:

Geral

Nesta semana, o ciclo dedicado a Hayao Miyazaki continua…

por max 25. outubro 2011 06:56

 

Os filmes para esta terça e quarta-feira são:

Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar (Gake no ue no Ponyo, 2008): Num mundo estremecido por um mar enfurecido por causa da contaminação, um peixinho consegue escapar das profundezas e transforma-se numa menininha que sobe à superfície e faz amizade com um menino sonhador. Escrito, produzido e dirigido por Hayao Miyazaki, este filme, segundo o que ele mesmo conta, obteve sua inspiração inicial do conto "A Pequena Sereia" de Hans Christian Andersen, como também da ópera de Wagner "A Valquíria" (Die Walküre). O filme gira em torno do tema da contaminação dos mares, e, porque não, do voo. E digo voo porque muitas dessas imagens marinhas, das profundezas do mar, nos fazem pensar nos passeios aéreos que tanto apaixonam Miyazaki. Aliás, para continuar com o tema das obsessões do cineasta, saibam que o artista se encarregou, pessoalmente, sem ajuda de ninguém, de criar os movimentos das ondas no filme. Qualquer coisa? Não é, não. O filme transcorre numa cidade litorânea, e a presença das ondas, mais do que constante, é onipresente.

Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar, nesta terça-feira, 25 de outubro.

 

 

Sussurros do Coração (Mimi wo Sumaseba, 1995): Um dos últimos filmes dirigidos por Yoshifumi Kondō, que morreu em 1998 por causa de um aneurisma. Nesses últimos anos, Kondō trabalhou exclusivamente para os estúdios Ghibli. O roteiro é do mestre Miyazaki, que também dirigiu as cenas das paisagens, realizadas pelo pintor surrealista japonês Naohisa Inoue. Inoue, desenhista gráfico, ilustrador e artista plástico, é muito conhecido por ter criado o mundo fantástico de Iblard. Inoue foi sempre um grande fã de Miyazaki e, obviamente, não hesitou em trabalhar com ele quando convidado. Aliás, algumas das pinturas das paisagens de Iblard foram usadas no filme.

Sussurros do Coração narra uma história fundamentada na realidade, mas cheia de voos pela fantasia. Trata-se de uma peça delicada, uma pequena história do afeto entre dois jovens que acabam compreendendo que o amor não é somente maravilhoso, mas também nos ajuda a ser melhores como pessoas, a superar-nos na vida. Claro, quando é amor verdadeiro, quando não é um amor egoísta. No filme, há ideias, momentos e situações realmente cheias de sensibilidade e fantasia. As maneiras como Shizuku e Seiji se conhecem é terna, misteriosa e cheia de picardia. O começo da conquista e o encontro acontecem através dos livros, pois cada livro que Shizuku lê na biblioteca é procurado logo depois por Seiji. Essa estranha coincidência faz que Shizuku comece a sentir curiosidade pelo misterioso menino que, inicialmente, parece estar pegando por coincidência as mesmas obras que ela. Se esta pequena história não é uma obra-prima da imaginação, não sei que outra coisa poderia sê-lo.

Sussurros do Coração, nesta quarta-feira, 26 de outubro, no Max.

Mais dois filmes no ciclo dedicado a Hayao Miyazaki

por max 20. outubro 2011 10:46

 

O Serviço de Entregas de Kiki (Majo no Takkyübin, 1996). Trata-se de um filme que mostra duas peculiaridades da personalidade de Hayao Miyazaki. Em primeiro lugar, nos apresenta a sua paixão pelo voo, diversão que possivelmente descobriu por causa do seu pai, antigo diretor de uma companhia que fabricava partes dos famosos aviões de guerra japoneses chamada Zero. É conhecido o fato de Miyazaki, desde moço, ter utilizado máquinas voadoras em suas ilustrações. Nos anos setenta, já sentia uma idolatria particular pelos aviões antigos e, com o passar dos tempo, esse amor foi se mantendo.

Em O Serviço de Entregas de Kiki, o cineasta se deixa levar pela maravilha do ar e nos oferece momentos fascinantes, cheios de beleza. Miyazaki teve o melhor pretexto de todos: Kiki é uma bruxinha que usa uma vassoura voadora, por aí afora. É possível que o amor do cineasta pelo voo tenha levado-o a se entregar profundamente ao projeto de Kiki porque, no começo, Miyazaki não ia participar do filme, mas acabou sendo o roteirista, produtor e diretor. Em 1987, a editora da escritora Eiko Kadono licenciou a história para que o Studio Ghibli levasse ao cinema seu romance para meninos e jovens: O Serviço de Entregas de Kiki.

Naquele momento, Miyazaki estava completamente dedicado ao filme de Totoro e, o seu primeiro parceiro –Takahata– também se encontrava ocupado com Grave of the Fireflies. Então, começaram a procurar possíveis candidatos para o roteiro e a direção. Porém, quando aparece o primeiro roteiro, escrito por Nobuyuki Isshiki, ele acaba rejeitado por Miyazaki que considera que o texto não era compatível com sua visão. Depois de ter recusado outras opções em roteiro, Miyazaki acabou escrevendo o texto e entregou-se à produção e aos desenhos dos primeiros esboços. Tanto se envolveu no projeto que o diretor contratado originalmente, Sunao Katabuchi, pediu demissão, completamente intimidade pela intervenção do mestre. Foi assim que um filme, que ia ser originalmente de 60 minutos, acabou se prolongando e ficando em 102, tudo isso graças à intervenção apaixonada de Hayao. Isto nos diz muito, sem dúvida, sobre sua personalidade. Aquele que é admirado por ser um mestre em alguma arte – e que ele realmente é – não sai por aí, com um sorriso de orelha a orelha, enchendo os demais de amabilidades e condescendências.

Miyazaki é um autor obsessivo, muito exigente no trabalho. Ele exige de si mesmo e da sua equipe, faz tudo para que a obra fique impecável. Muito bonitinho o vovô sim, mas, sem dúvida, ele está totalmente apaixonado pela sua arte. Sabe-se, por exemplo, que para fazer A Princesa Mononoke, Miyazaki passou intensas horas sem fim, desenvolvendo esboços e desenhos e acabou por lesionar a mão. Outro exemplo? Como a história original de Kadono acontece em um povoado europeu, Miyazaki enviou seus desenhistas para várias cidades da Europa, para que realizassem uma pesquisa exaustiva. Na sua impressionante mania de perfeição, o cineasta foi modificando a história, na medida em que ia aprendendo mais sobre as diferentes cidades do Velho Continente. Finalmente, Koriko ou Coriko (nunca se diz o seu nome no filme, embora Ghibli falasse dela em várias notas de imprensa) acabaria sendo uma cidade imaginária, traçada à perfeição, com evidentes alusões a Estocolmo, Munique e principalmente Visby, na Suécia.

O Serviço de Entregas de Kiki, nesta quinta-feira, 20 de outubro.


 

 

Porco Rosso (Kurenai no buta, 1992). E, ao citarmos o amor de Miyazaki pelo voo, temos que citar este filme, que gira em torno dos temas ar e aviões antigos. No período entre as duas guerras mundiais, especificamente em 1929, esta produção é protagonizada por um porco. Sim, um porco (essa figura é outra das fascinações de Miyazaki). De fato, Porco Rosso é um dos poucos filmes do diretor, no qual a protagonista não é uma garota; desta vez, trata-se de um homem... bem, de um porco, na verdade. Um porque que, deve-se ressaltar, antes foi humano e se chamada Marco Pagot. Pagot, aliás, é o sobrenome dos famosos ilustradores italianos que criaram o pintinho Calimero.

Embora, para que seja feita justiça e voltando ao tema do protagonismo feminino, o filme tem uma mecânica de aviões, chamada Fio, como importante personagem. Porco Rosso, o porco (na dublagem brasileira é conhecido como Marco Porcelino ou Marco Porquinho), é um caçador de recompensas, sempre pronto a evitar que os piratas do ar se deem bem; estes, já fartos do herói, contratam outro piloto – o norte-americano Donald Curtis - para acabar com o protagonista.

Trata-se de uma aventura que, usando como pano de fundo os assuntos da aviação, lança uma mensagem antibelicista mais do que óbvia. Originalmente, Porco Rosso nasceu como curta-metragem, para ser exibido nos aviões da Japan Airlines, mas, claro, nas mãos do obsessivo Miyazaki, tornou-se um projeto maior. O tema dos aviões era muito tentador para deixá-lo em um curta. Além disso, justamente na época de sua produção, estava acontecendo a guerra da Iugoslávia. A Croácia lutava pela sua independência e Miyzaki sentiu que não podia fazer do assunto bélico uma diversão para entreter passageiros. Embora o projeto saísse do que estava acordado em contrato, a Japan Airlines confiou na fama e na genialidade do mestre e acabou financiando o filme. Mais uma vez, aviões e obsessões acabam transformando um filme de Miyazaki em uma verdadeira obra-prima.

Porco Rosso, nesta sexta-feira, 21 de outubro, no Max.

Três filmes de Miyazaki que assistirás em breve

por max 6. outubro 2011 16:03

 

A Princesa Mononoke (Mononokehime, 1997): Já em 1997 Hayao Miyazaki tinha demonstrado que os seus filmes eram de uma qualidade altíssima e que conseguiam competir nos mercados ocidentais. Não é por acaso que em 1996, um ano antes do estreio da A Princesa Mononoke, os estúdios Disney assinaram um contrato de distribuição com Takuma Shoten Publishing, a companhia encarregada de comercializar os filmes do Studio Ghibli, que pertencia, obviamente, ao Miyazaki. Foi assim que A Princesa Mononoke fez a sua première internacional com o selo Disney, e demonstrou, mais uma vez, a capacidade imaginativa, as preocupações ambientas, e, claro, a mestria de Miyazaki. O filme acontece num bosque cheio de espíritos da natureza, deuses bestiais, desconhecidos animais mágicos e guerreiros com um toque medieval.

Na A Princesa Mononoke, como em outros trabalhos de Miyazaki, o homem e a natureza se confrontam e batalham até o fim, com dor, assediados além do mais por uma doença letal parecida à gangrena. O interessante do filme nesse sentido é o nível de complexidade que é apresentado pelo Miyazaki ao tratar esse tema. Não existem os maus nem os bons, tudo parece apontar em direção ao equilíbrio, na procura da expansão da consciência e do compromisso profundo pela preservação do meio ambiente, que é, ao mesmo tempo, a preservação do homem em si mesmo.

A Princesa Mononoke, desfruta dela na segunda-feira 17 de outubro.


 

 

Nausicaa – A Princesa do Vale dos Ventos (Kaze no Tani Nausicaä, 1984): Estamos falando do filme que acabou por fazer de Hayao Miyazaki o estandarte da animação japonesa, e que conseguiu levá-lo ao reconhecimento internacional. Trata-se de uma fábula protagonizada por uma menina que tenta sobreviver num mundo devastado, envenenado e, para rematar, habitado por mortíferos insetos gigantes. Baseado num mangá de 51 episódios desenhado pelo próprio Miyazaki em 1981, o filme teve a Isao Takahata (parceiro do mestre no Studio Ghibli) como produtor e foi o mesmo Miyazaki quem a dirigiu.

Com este filme o cineasta aventura-se por primeira vez nos que depois serão os seus mundos já clássicos: lugares altamente complexos criados por uma imaginação sem limites, sem que esse "afastamento" da realidade separe a história dos temas ecológicos, filosóficos, e até sociais pelos que acostuma a se preocupar. Mundos onde a cobiça torna-se o principal inimigo do homem e da natureza. Internacionalmente, Nausicaa – A Princesa do Vale dos Ventos, conseguiria que o público ocidental entendesse que a animação japonesa tinha outras possibilidades além da inocência com que eram mostrados até então os bonequinhos de grandes olhos. Akira de Katsuhiro Otomo viria quatro anos depois, e ambos filmes, Nausicaä e Akira, ajudariam a estabelecer o começo da moda e o grande prestígio do anime japonês.

Nausicaa – A Princesa do Vale dos Ventos, terça-feira 18 de outubro.


 

 

Pompoko – A Guerra dos Guaxinins (Hesei Tanuki Gassen Pompoko, 1994): Temos um filme dirigido pelo sócio do Miyazaki, o também diretor e animador Isao Takahata. É um filme onde os protagonistas são os tanuki, criaturas do bosque, nascidos do folclore japonês, comparados de modo superficial com guaxinins, mesmo que na realidade sejam mais do que isso, pois os tanuki tem o poder de se transformar em qualquer coisa que desejarem, inclusive em seres humanos.

A ideia é original do Miyazaki, quem a propôs ao diretor Takahata e depois se uniu na realização como produtor. O tema, e tal vez por ter surgido do primeiro, está muito próximo às suas preocupações habituais: a ecologia e a ambição do homem. Dessa vez os tanuki terão que lutar com tudo o que puderem em contra do ser humano, ao descobrirem que o seu hábitat está sendo ameaçado pela pretensão indiscriminada de destruir a natureza para construir estruturas de concreto.

Pompoko – A Guerra dos Guaxinins competiu no mercado internacional com The Lion King da Disney, ficando muito perto nos números da bilheteria. Por causa disso, um par de anos depois, a Disney fará a negociação da que já falamos.

Não percas Pompoko – A Guerra dos Guaxinins, na quarta-feira 19 de outubro, pelo Max.

Em outubro, ciclo de Hayao Miyazaki

por max 6. outubro 2011 15:29

 

Em algum lugar li que Hayao Miyazaki é chamado o Disney japonês. Em certo sentido ele é, pelo seu sucesso, pelo seu nível de mestria. Mas o curioso disso tudo é o fato dele não ter aprendido precisamente da animação ocidental. Osamu Tezuka, conhecido como o Deus do mangá, o famoso criador de Astro Boy, fala que assistiu Bambi umas oitenta vezes e conhecia o filme de memória, quadro a quadro. Igual que para Tezuka, o estilo Disney tem sido objeto de veneração entre os animadores japoneses por muitos anos. Mas o caminho do jovem Miyazaki, quem começava a se apaixonar pela fantasia, se dirigia para um lugar diferente. Achava o Disney muito simples, superficial. Conseguia nesses filmes o ênfase realista, porém pouca emoção, ou, pelo menos, emoções e temas que ele achasse interessantes. O jovem Miyazaki era um garoto bastante inusitado. Estudou em Gokushuin, uma Faculdade de elite no Japão. Lá conseguiu se formar em Ciências Políticas e Econômicas (como o seu pai), mas também recebeu de sua mãe uma educação literária e humanista importante, muito crítica, e foi essa visão a que fez que logo se sentisse atraído pelo pensamento marxista na Faculdade. Também na sua época universitária, Miyazaki se uniu ao grupo de estudos de Literatura Infantil. Imerso nesse mundo de histórias fascinantes da tradição japonesa que faziam voar a sua imaginação, Hayao Miyazaki decidiu o seu caminho. Não seguiria os passos do seu pai, e se tornaria, definitivamente, animador. Assim, em 1963, depois de se formar (nasceu em 1941), começou a trabalhar na Toei Animation. Como muitas pessoas no Japão, começou de zero, ocupando um cargo menor. Mas logo se fez sentir. A televisão daqueles dias tinha tomado um impulso muito forte, mas, ao mesmo tempo, as produções estavam matando a qualidade do que se fazia. O mercado tornou-se mais importante do que fazer alguma coisa boa. E quando a companhia onde Miyazaki trabalhava decidiu receber propostas dos empregados para superar a crise, Miyazaki falou e sobressaiu. O primeiro filme resultado da sua contribuição foi Oji Horus No Daiboken (The Little Norse Prince Valiant). Nestas primeiras produções Miyazaki se preocupa muito pelo tema da qualidade. No entanto outras companhias reduziam o seu orçamento, ele e a sua equipe injetavam dinheiro ao projeto para fazer algo diferente, com maior valor artístico. 1973 começa com ele trabalhando para um novo estúdio chamado A-Pro. Com Miyazaki à cabeça do projeto se unem com Zuiyo Pictures para realizar a primeira série animada do Japão que utilizaria cenários de outros países: estamos falando nada mais e nada menos de Alps no Shojo Heide, ou simplesmente Heidi. No caminho viriam outros filmes, outros trabalhos importantes. No ano de 1985, depois da grande acolhida de Kaze no Tani no Nausicaä (1984), Miyazaki decide fundar junto com Isao Takahata o Studio Ghibli, companhia com a que tem continuado até hoje e que tem feito filmes como Tanari no Totoro (1988), Majo no Takkubien (Kiki´s Delivery Service, 1989), Porco Rosso (1992), Heisei Tanuki Gassen Pompoko (1994), e, obviamente, Sen to Chihiro no kamikakushi (2001), também conhecida como As aventuras do Chihiro, ganhadora do Oscar como Melhor Filme de Animação. Em todos esses filmes, o cineasta tem se caraterizado pelas suas temáticas ecológicas e antibelicistas, e por misturar a tradição japonesa com um elevado mundo de fantasia produzindo mundos extraordinários, cheios de beleza, ternura e magia. Miyazaki é um autor, um mestre da exigência, da arte, da imaginação. Quando a gente assiste um dos seus filmes tem certeza e o diz de imediato: "Esta é do Miyazaki".

Em outubro, Max tem o prazer de apresentar dez (10) filmes de animação onde a influência do grande mestre Miyazaki tem tido um papel fundamental. De segunda a sexta, e com repetições no dia sábado de todas as projeções da semana, poderás desfrutar da técnica de Hayao Miyazaki. Eis aqui a lista dos filmes e suas datas:

Segunda-feira 17: A Princesa Mononoke. Terça-feira 18: Nausicaa – A Princesa do Vale dos Ventos. Quarta-feira 19: Pompoko – A Guerra dos Guaxinins. Quinta-feira 20: O Serviço de Entrega de Kiki. Sexta-feira 21: Porco Rosso. Sábado 22: Pompoko – A Guerra dos Guaxinins, O Serviço de Entrega de Kiki, Nausicaa – A Princesa do Vale dos Ventos, A Princesa Mononoke, Porco Rosso.

Segunda-feira 24: O Castelo no Céu. Terça-feira 25: Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar. Quarta-feira 26: Sussurros do Coração. Quinta-feira 27: Only Yesterday. Sexta-feira 29: Meu Amigo Totoro. Sábado 30: Only Yesterday, Sussurros do Coração, O Castelo no Céu, Meu Amigo Totoro, Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar.

arquivos
 

nuvem