Nova quinta-feira da série “do livro à tela”, agora com Norwegian Wood

por max 17. abril 2013 13:47

 

Tazaki Tsukuro Incolor e Seus Anos de Peregrinação é o nome do recém lançado romance de Haruki Murakami. Na noite anterior ao lançamento, dezenas de pessoas fizeram filas nas livrarias de Tóquio, todos desejando ser os primeiros leitores, os primeiros compradores dos 600.000 exemplares da história escrita por Murakami, retornando após uma ausência de três anos. Seus leitores precisavam seguir adiante no mundo de Murakami, um lugar maravilhoso, intuitivo, de imaginações delirantes, de dimensões ou lugares com suas próprias regras, que ao mesmo tempo são alegorias e metáforas da sociedade japonesa. Seu novo romance narra uma história de perda e solidão, que tem como cenário principal o tsunami que devastou parte do Japão em 2011. Como sabemos, aquele desastre trouxe grandes preocupações e questionamentos por causa dos danos causados aos muitos geradores de energia atômica que o Japão mantém. Murakami, crítico feroz da utilização da energia atômica (mesmo sendo com fins pacíficos), aparentemente dá ênfase ao espinhoso tema em seu romance. O título, como em muitos romances do autor, revela esse temperamento lúdico e extravagante, fantástico e maravilhoso que trilha em seus romances. Murakami é dos escritores que se distanciam da tendência realista da literatura. Mas, paradoxalmente (assim é o mundo da loucura), seu romance mais conhecido e que sequer virou um filme, é o seu único trabalho dentro da literatiua realista. Claro, podemos dizer que filmar uma história de Murakami é quase impossível, se não impossível, pelo menos é o trabalho para um grande estúdio de Hollywood. Mas, além disso, é verdade que um dos romances mais lembrados de Murakami é Norwegian Wood, uma história onde não há mundos paralelos, nem gente que fala com gatos, nem unicórnios, nem garotas que dormem dias inteiros. Escrito em 1987, depois de um trabalho nitidamente fantástico como O Impiedoso País das Maravilhas e o Fim do Mundo (1985), Murakami apresenta um drama realista sobre a conquista da maturidade e o confronto com a morte (por suicídio), com uma forte presença da loucura, do amor e do sexo na juventude. Em certa ocasião, o autor declarou que nunca teve interesse em escrever romances realistas, que esse tipo de escrita o aborrece, mas decidiu, mesmo que uma única vez, escrever um. Norwegian Wood é o resultado, "um simples experimento", como declarou.

Naturalmente, um romance com essas características é conteúdo perfeito para os realizadores de um cinema mais inteligente, calmo e artístico. E não é estranho que o premiado diretor vietnamita Tran Anh Hung (O Cheiro da Papaya Verde - The Scent of Green Papaya, Entre a Inocência e o Crime - Cyclo, Fugindo do Inferno - I Come with the Rain), fez a versão cinematográfica. Norwegian Wood (2010) capta com sutileza o verdadeiro tom proustiano da obra (partimos de uma lembrança, uma canção dos Beatles, que faz a protagonista Toru Watanabe viajar no tempo), carregando o filme de um poder visual e de uma luz onde os personagens entram e saem de sua escuridão em uma busca desesperada pela felicidade e pelo sentido da vida. Essa lembrança de Watanabe nos leva a este micro universo íntimo onde a dor e a morte se transformam em uma grande sombra, mesmo com a lentidão do desenvolvimento da juventude e do crescimento de seus personagens.

Norwegian Wood, continuando a série "do livro à tela", nesta quinta 18 de abril. Literatura, cinema, juventude, suicídio, crescimento. O que você vê quando vê o Max?

Série de filmes do livro para o cinema

por max 3. abril 2013 03:36

 

Em Da Literatura ao cinema: Teoria e análise da adaptação (2000), José Luis Sánchez Noriega diz que em 1908 produtoras como Pathé, começam a dar um brilho artístico ao cinema. A mesma Pathé fundou a SCAGL (Sociedade Cinematográfica de Autores e Pessoas de Letras), e posteriormente a Film d´Art. Contrataram escritores, dramaturgos, atores de teatro, músicos talentosos, com o objetivo de adaptar os romances de Alexandre Dumas, Walter Scott, Victor Hugo, Shakespeare e outros autores da antiguidade clássica. A Alemanha, que prefere argumentos originais, contrata escritores para criar suas histórias, diz Sánchez Noriega. Também W. C. Griffith falaria da influência de Dickens em seu estilo. Explica o filósofo Juan Nuño no ensaio Cinema e Literatura (1989).

 

"A grande inovação produzida por Griffith consistiu em tornar a narrativa cinematográfica em uma autêntica narrativa literária. O filme decola e sai do quadro estreito de teatralidade como havia localizado Meliès e os primeiros criadores, e tudo isso graças a Griffith que se inspira em Dickens e cria para o filme um estilo cópia literária"

 

Em Dickens, Griffith e nós (1994), S. M. Eisenstein destaca a união entre o cinema e a literatura, e falando de suas próprias influências nos referimos a Tolstói, Flaubert e Zola. Essa influência, observa Nuño, é dada sobre os planos. Ou seja, a cena teatral (fixa) torna-se plano e movimento, e essa é uma das grandes heranças da literatura narrada no cinema. O que os une, não é somente a adaptação de uma história, mas também uma maneira de olhar o mundo.

Esta relação existe, sem dúvida, desde o início do cinema. Da tipografia à imagem, o trabalho da tradução de um "formato" a outra conhecida adaptação, a livre inspiração, a versão, o comentário, a mistura entre a biografia e a ficção. E claro, a narrativa, as histórias, sempre estão ali, fazendo ponte entre ambos os mundos, tão semelhantes e tão diferentes ao mesmo tempo.

 

Este mês, todas as quintas, o Max traz uma série de filmes que tem a ver com o cinema e a literatura, uma série especial que vai do livro para a tela.

Eis os filmes que serão exibidos:

 

Quinta-feira 4: Uivo (Howl) original de Allen Ginsberg.

Quinta-feira 11: 2001: Uma Odisséia no Espaço, original (em parte) de Arthur C. Clark.

Quinta-feira 18: Norwegian Wood, original de Haruki Murakami.

Quinta-feira 25: Hamlet e Othello, original de William Shakespeare.

 

 

O especial cinema e literatura começa na quinta, 4 de abril, com Uivo (Howl - 2010), de Rob Epstein (ganhador de três prêmios no Festival de Berlim e de dois Oscars de Melhor Documentário) e Jeffrey Friedman (ganhador de três prêmios em Berlim junto com Epstein). O Uivo torna elementos biográficos que se inspira em seu lugar no famoso poema de uma dos maiores poetas beat norte-americanos, Allen Ginsberg. Entre a animação, o estilo documental, a poesia e o drama, o filme é uma peça experimental e de um espírito independente e traz James Franco em um papel forte e alucinante. Cheio de conflitos entre a homossexualidade como bandeira literária e os ideais estéticos que resulta ao mesmo tempo nitidamente políticos, Ginsberg é apresentado como um personagem atormentado e lutador, apesar de seu temperamento nirvânico, ou quase alienígena. Tanto a personalidade do poeta, como o poema, são responsáveis por terem a mesma carga dramática. Lembrando que em 1955 o poeta Lawrence Ferlinghetti recitou o Uivo por meio de performance artística na famosa livraria City Lights, e alguns dias depois, ele foi preso por isso. A acusação: propagar, disseminar, recitar literatura obscena. Você pode não acreditar, mas Ginsberg e seu poema são levados a julgamento. Ambos acusados de indecência. O julgamento, por sua vez, é um dos pilares fundamentais do filme, fortaleza que nos lembra a luta pela liberdade, pela beleza e pelo direito de amar quem quisermos. Franco, em seu papel, demonstra sua coragem e talento. Os diretores, deixam claro seus pontos de vista em um filme muito digno.

Não esqueça, Uivo, quinta, 4 de abril, iniciando a série de filmes que começam no livro e pulam para as telas do cinema. Amor pelo cinema, amor pela literatura. O que você vê quando vê o Max?

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11:25 The Day He Chose His Own Fate, o caminho do guerreiro Mishima em vídeo

por max 14. março 2013 07:22

 

Existe a sensação de que a vida de muitos escritores japoneses conhecidos no mundo ocidental é planejada da cabeça aos pés. O escritor, Haruki Murakami, é um modelo de disciplina tanto na escrita, como no esporte, como na vida. Yukio Mishima é outro atleta do espírito. Marguerite Yourcenar registra em Mishima ou a Visão do Vazio (Mishima), que sua vida foi "tão calculada quanto sua obra". Alguns dizem que quando tomou o quartel general de Tóquio do comando Oriental das Forças de Autodefesa do Japão, ele já tinha certeza que iria morrer, e que tornaria sua morte um ritual. Em 25 de Novembro de 1970, Mishima entregou seu último romance ao seu editor, e também deixou um dinheiro reservado para aqueles que sobrevivessem à tomada do quartel.

Mishima se inspirava na lei do caminho do guerreiro ou samurai (bushido), caracterizada pela luta espiritual contra o excesso e por um pensamento constante na morte. O caminho do samurai, assim diz a lei, se encontra na morte. Mas essa morte deve ser com disciplina, coragem. No entanto, um bushi (ou samurai) não ansiava pela morte. O samurai tem uma vida disciplinada. A morte é uma questão de honra, a morte é uma exaltação da vida que não se pode mais viver dignamente. Neste contexto, Marguerite Yourcenar (sempre olhando para Mishima), comenta que "o desejo da morte é comum em seres dotados de paixão pela vida".

Direitista e defensor do Imperador, o que já foi dito, seguidor dos códigos de conduta do caminho do guerreiro, Mishima via com maus olhos a expansão que estava acontecendo no Japão no final dos anos sessenta e início dos anos setenta. Cabe dizer que Mishima foi uma espécie de "Pop Star" de seu país em sua época. Era escritor, compositor, campeão de artes marciais, ator e também modelo (tinha um corpo bem definido, chegou a ser fotografado nu). Ele pulou de um extremo a outro, da cultura à celebridade com grande facilidade. Contudo, por trás daquele homem excêntrico que gostava da fama, havia uma paixão muito forte pela política. Mashima formou seu próprio exército, o Tate-no-kai. Embora dizer "exército" talvez seja um exagero. Mas Mishima tinha suas próprias pessoas, treinadas para a guerra com seus próprios uniformes. Lembrando que após a Segunda Guerra Mundial, o Japão perdeu o seu exército, e isso para Mishima foi vergonhoso, tão vergonhoso como ver o país entrando cada vez mais na corrente do Ocidente. Mishima, como um bom seguidor do caminho do guerreiro, decidiu protestar contra aquilo que lhe parecia uma grande desgraça. Além disso, como um bom samurai, sabia que se rebelar contra a autoridade traria o suicídio.

11:25 The Day He Chose His Own Fate (2012) gira em torno dos últimos dias de vida de Yukio Mishima. O filme é dirigido por Kōji Wakamatsu e possui um forte tom político que permite um olhar profundo a aspectos da cultura japonesa como o sentido do coletivo, a honra, a tradição, a disciplina e o passado através da figura de Mishima. Um filme que seguiu os caminhos da gravação em vídeo, como se fosse, ironicamente, paradoxalmente, de uma telenovela transmitida por todos os televisores do país, como se aquele fato real e trágico fosse uma fantasia que se vive nas telas da TV e não tem nada a ver com o país. Assim, o formato utilizado se transforma, desde a perspectiva do cineasta, em uma crítica à sociedade contemporânea. É como se Wakamatsu soubesse, como se suspeitasse que aquela recriação da morte do homem preocupado pela degradação de sua nação se tornaria uma história de telenovela que vive e morre na tela, como um espetáculo; uma história que por mais que diga grandes verdades, vai ficar debaixo da mesa. Quem sabe, às vezes um ato heroico pode ser uma simples loucura, uma simples estupidez, e é melhor esquecer.

11:25 The Day He Chose His Own Fate, quinta 14 de março. Honra, vergonha, loucura, política, heroísmo, morte. O que você vê quando vê o Max?

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Norwegian Wood, a vida e o suicídio no Japão

por max 31. agosto 2012 13:47

 

Na entrada da floresta Aokigahara, ao pé do monte Fuji, a oeste de Tóquio, há um cartaz que diz: "Um momento, por favor. A vida é um precioso presente que seus pais lhe deram. Não guarde suas preocupações só para você, busque ajuda". O cartaz não está colocado à toa. Esta enorme floresta de cerca de 3 mil hectares, conhecida também como Jukai (mar de árvores), é um dos lugares preferidos pelos japoneses para cometer suicídio. Em 2001 foram recuperados 59 corpos; em 2002, foram 78 e, em 2004, o governo do Japão deixou de publicar as cifras, como mais uma medida desesperada para baixar a taxa de suicídios no país. A fama dessa floresta como lugar de morte tem séculos. Dizem que, na antiguidade, em tempos de fome, os pais levavam seus filhos lá para morrer. Também diziam que as famílias deixavam ali os seus anciãos para que terminassem seus dias em paz. Já no século XX, especificamente em 1993, Wataro Tsurimi escreveu um livro que rapidamente gerou polêmica, O completo manual do suicídio, 198 páginas de um guia muito asséptico que mostra os diversos modos para morrer de forma voluntária. A primeira edição vendeu mais de um milhão de cópias, um sucesso total de vendas que já vai pelos três milhões. Neste livro, Wataro Tsurimi aponta o Jukai como o melhor lugar para morrer. Nos anos 60, Seichô Matsumoto escreveu um drama de televisão conhecido como Towering Waves (Nami No Tô), no qual conta a história de uma jovem garota, com um amor infeliz, que se suicida nesta floresta. A história foi muito popular e os suicídios no Aokigahara não menos populares.

A verdade é que o suicídio não é qualquer coisa no Japão. E, em 2011, pelo décimo quarto ano consecutivo, o país superou os 30 mil suicídios. Embora não ocupe o primeiro lugar no mundo, ocupou nesse ano o sétimo, o que não é pouco.

Muitas são as razões pelas quais o suicídio é um problema fundamental no Japão. Pode-se até referir a razões históricas. Lembremos dos samurais e seu conceito de honra e desonra que leva ao famoso haraquiri. Na Segunda Guerra Mundial, muitos oficiais japoneses praticaram o haraquiri ante a derrota. As imagens de Cartas de Iwo Jima (2006), de Clint Eastwood, são bastante eloquentes a respeito.

As causas do suicídio contemporâneo talvez tenham alguma relação com esses conceitos de honra. Por um lado, a depressão pelo trabalho excessivo é uma das primeiras razões. Em 2008, a fadiga por causa do trabalho foi causa de 47% dos suicídios. A ética do trabalho dos japoneses tem uma forte raiz em tradições antigas. A relação do empregado com o chefe é estabelecida por uma dura hierarquia quase medieval. Em Temor e Tremor, Amèlie Nothomb mostra a dureza que pode ser o mundo empresarial japonês da perspectiva de um estrangeiro; neste caso, a partir da jovem Amèlie de 22 anos, que começa a trabalhar em uma multinacional nipônica. No Japão, se deve trabalhar duro, e esse trabalho duro produz fortes depressões e suicídios. Por outro lado, o desemprego também é uma causa de suicídio. Décadas atrás, uma pessoa no Japão se empregava em uma empresa e permanecia nela toda sua vida. Podia começar em uma posição muito baixa e chegar a ser, se dedicado, um executivo importante. A vida dessa pessoa era a empresa, seus amigos, até mesmo o bairro onde vivia era da empresa. Com a crise, os demitidos se tornaram cada vez mais frequentes. Se considerarmos a importância que tem o trabalho e ser parte de uma empresa para um japonês, vemos claramente porque o desemprego também se transformou em motivo de suicídio.

Entre os jovens, se gerou um nível de angústia muito profundo ante o choque com a férrea cultura trabalhista e até mesmo com as exigentes metas que a nação se impôs a partir da Segunda Guerra Mundial, e que alcançaram suas máximas tensões nos finais dos anos 60, quando a gestão econômica e o desenvolvimento industrial começaram a acelerar-se subitamente. Os jovens se viam obrigados a escolher entre o querer ser e o dever, entre suas inclinações individuais e o ideal ou as necessidades da nação. A partir de 1960, cabe destacar, as grandes empresas expandiram o sistema de emprego vitalício. O país tinha uma grande meta e os jovens de então tinham um compromisso que, em muitos casos, era mais que uma obrigação, quase um castigo imposto. Não é de estranhar que as tensões abalaram a alma da juventude. Em 25 de novembro de 1970, o grande escritor Yukio Mishima tomou um quartel do exército e fez um discurso proclamando a decadência de seu país. Todo aquele progresso não estava servindo para nada, o Japão da tradição, o Japão de passado glorioso e digno estava em processo de desaparecer sob a esmagadora máquina do capital. Depois de suas palavras, Mishima praticou o haraquiri. No final dos anos 60 e início dos 70, fortes críticas sacudiram o Estado japonês. Os estudantes protestavam e homens como Mishima defenderam tais movimentos. Era uma época, em geral, de questionamentos e crises mundiais, de hippies e juventudes que levantavam sua voz crítica.

Hoje em dia, talvez as razões não sejam diferentes, embora autores como Ryu Murakami digam que não se alcançou aquele ideal nacional japonês, e o que resta agora é um vazio. No entanto, poderíamos dizer que, nesse vazio geracional, também se aninha o suicídio. De fato, em Azul Quase Transparente (Almost Transparent Blue), o suicídio entre seus personagens jovens está presente.  

Neste mês, o Max apresenta Norwegian Wood (Noruwei no mori, 2010), do premiado diretor de origem vietnamita Tran Anh Hung (O Cheiro do Papaia Verde/The Scent of Green Papaya, Entre a Inocência e o Crime/Cyclo, Fugindo do Inferno/I Come with the Rain), um filme inspirado no romance Norwegian Wood (1987), de outro Murakami, Haruki Murakami, um dos escritores japoneses contemporâneos de maior projeção internacional.

Norwegian Wood parte de uma lembrança. Toru Watanabe escuta a canção dos Beatles Norwegian Wood e isso o leva a rever sua vida de anos atrás, no final dos anos 60, quando era um estudante universitário. Toru, seu companheiro de classe Kizuki e a namorada dele, Naoko, são amigos inseparáveis, mas o suicídio inesperado de Kizuki, no dia que completa 17 anos, afeta a vida dos sobreviventes durante muito tempo. A partir desse fato, Naoko e Toru estreitarão laços e terminarão se amando. Depois vão se separar e virão outros personagens femininos na vida de Toru, também outras crises de identidade e outros suicídios. Como pano de fundo, sempre estarão aqueles anos de revoltas estudantis, que Murakami retrata com olhar questionador. Escrito em 1987, depois de um romance de estilo marcadamente fantástico como Hard Boiled Wonderland and the End of the World (1985), Murakami cria aqui uma história realista sobre crescimento, amadurecimento e enfrentamento da morte (por meio do suicídio), a loucura, o amor e o sexo em uma etapa juvenil. Certa vez, o autor declarou que não tinha interesse em escrever romances de cunho realista, mas que decidiu, ainda que fosse desta vez, escrever um. Declarou que Norwegian Wood "foi um simples experimento". Chegou a dizer que não se interessava pelo estilo realista porque, sim escreve assim, acabava se entediando. Apesar disso, Norwegian Wood é um de seus romances mais lidos. A versão de Tran Anh Hung, diretor que sabe dar um toque delicado, sereno e altamente estético a seu trabalho, capta com sutileza esse certo tom proustiano da obra, carregando-o de poder visual e luz, de onde os personagens entram e saem de suas obscuridades em uma busca desesperada de felicidade ou de sentido de vida, enfrentando a dor que os assedia e a morte que está por trás de tudo, presente em toda a obra.

Norwegian Wood, domingo, 2 de setembro. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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