Come Rain, Come Shine, ou distorcendo o quadro

por max 21. junho 2012 12:34

 

Come Rain, Come Shine (2011), de Yoon-ki Lee, é um filme de contrastes dentro de um total minimalismo. Pode parecer que a premissa fundamental seja "sair do quadro". Na Semiótica e no estudo da narrativa, o quadro é uma história estereotipada que existe potencialmente em nós mesmos. Se temos a seguinte situação: esposa diz ao marido que vai deixá-lo por causa de outro, imediatamente pensamos em várias suposições sobre essa história, em que pode acontecer nela. Temos na memória todas as possíveis percepções, atuações, palavras, tudo sobre esta premissa. Vemos ou não vemos ali muitos gritos? Muita raiva? Muita discussão? Sim, é isso que vemos, não é? Mas Yoon-ki Lee, diretor de filmes excelentes, delicados e de sentido amplo como This Charming Girl (2004), Love Talk (2005) ou Ad Lib Night (2006), decidiu distorcer o quadro, distorcer a reação que tomaríamos como normal, e apresenta outra possibilidade de história, outra possível resposta ao conflito. Paradoxalmente, o que Yook-ki Lee mostra é silêncio que, por sua vez, é uma forma de solidão neste filme. O silêncio como uma forma de alienação em meio à companhia. Estes personagens, o casal, estão muito sozinhos por dentro e por fora, e essa solidão é tão imensa, tão assustadora, que ele, pelo menos ele, não tem espaço para discordância. Seu grito parece ficar muito dentro dele, muito no fundo, quase não chega a causar dor em nós. Quando há lágrimas é por causa de uma cebola, quando chega o momento que ela recolhe as roupas para partir, há colaboração do homem, quando há muito silêncio, ela reclama: ele não reage como deveria para parecer digno nesta perda. O silêncio dele com ela é uma forma de violência, de ataque. É disso que trata Come Rain, Come Shine, da tensão de sentimentos levada ao minimalismo extremo, levada ao extremo da solidão. A separação é uma partida adiada, uma câmera lenta, uma chuva perene, um gato perdido. A separação se transforma, aqui, em uma forma de amor; uma forma de amor em câmera lenta. Faça sol ou faça chuva, o amor está ali, negando-se a morrer. Como diz a letra da canção de Harold Arlen, o amor sempre está ali, sem vontade de ir embora.


You're gonna love me like nobody's loved me

come rain or come shine.

Happy together unhappy together

and won't it be fine?

Days may be cloudy or sunny

We're in or we're out of the money,

But I'm with you always,

I'm with you rain or shine

 

Come Rain, Come Shine, sábado, 23 de junho. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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