O Pequeno Maratonista, uma corrida entre sonho e pesadelo

por max 24. fevereiro 2012 09:29

 

Quando o pai de Budhia morreu, sua mãe não sabia o que fazer com ele. Budhia tinha apenas três anos. Ela, uma mulher das mais baixas classes da Índia, acabou fazendo o que muitas mães que vivem na miséria fazem: vendeu Budhia por 800 rúpias, o equivalente a cerca de 20 dólares. O futuro de um garoto vendido não é o melhor, não. Antes de ser tema de filme de Bollywood, o destino desses meninos percorre os mesmos caminhos mostrados por Danny Boyle em Quem Quer Ser um Milionário (Slumdog Millionaire, 2008). Por sorte, e isso aparece em um primeiro momento, Biranchi Das, treinador de judô e secretário da associação local do esporte, se fixou no garoto Budhia. Melhor, não propriamente no menino, mas sim na capacidade de correr que aquele garoto tinha. Sim, ele era bom corredor e Biranchi decidiu treiná-lo. No final, ele acabou comprando-o pelas mesmas 800 rúpias e Budhia começou a treinar, a comer melhor, a viver melhor. Poderíamos dizer que o garoto teve sorte de ganhar uma nova vida, graças a sua capacidade de correr. Mas aquilo que parecia um filme com final feliz, acabou complicando-se. As acusações começaram a aparecer. Sobretudo depois que Budhia ganhou uma maratona, tornou-se figura pública e passou a aparecer em emissoras de televisão e em todos os jornais do mundo. O garoto maratonista, sim, é magnífico, mas não estarão abusando dele? O tal Biranchi Das não está escravizando o menino? Do sonho, Badhia saltou para o pesadelo.

O Pequeno Maratonista (Marathon Boy, 2010), documentário produzido pela HBO e dirigido por Gemma Atwal, pega carona na controvérsia, no escândalo de uma história real, com elementos típicos de Charles Dickens, em uma trama cheia de inveja, corrupção, oportunismo, avareza, intriga política e estrita aplicação das leis, além do preconceito entre castas. Gema Atwal levou cinco anos para registrar e montar este documentário entre Bollywood e os contos de fadas, cinco anos de adultos tentando beneficiar-se de um garoto e cinco anos de um garoto lutando para sair bem de um turbilhão. O documentário não fica do lado de ninguém, não mostra bons nem maus, mas aponta, como toda boa produção do gênero, como toda obra de arte, muitas perguntas.

O Pequeno Maratonista, neste domingo, 26 de fevereiro. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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