Revolução

por max 21. novembro 2011 09:45

 

Há fatos históricos que marcam, que são fundamentais em nossa personalidade, em nossa alma. Para o México, a Revolução é um desses acontecimentos que se repetem como ecos na boca de todos, do qual se fala com orgulho, que se ressalta nas escolas e que é narrado de vez em quando nos livros. É inclusive uma ferramenta de venda, arma do comércio, artigo de exportação. Hollywood fez da Revolução Mexicana um tema fascinante para as bilheterias desde muito cedo.

 

A partir de um ponto de vista mais reflexivo, sem querer desviar-se do comercial, o filme de produção mexicana Revolução (Revolución, 2010) explora este fato histórico. Justamente quando são comemorados os 100 anos desta data, é lançado um trabalho de ficção cuja premissa foi falar da Revolução com toda a liberdade criativa; isso sim, sem criar um cartão-postal histórico que recrie o passado, mas levando os acontecimentos ao ano de 2010. Para isso, os produtores reuniram dez diretores (nem todos mexicanos) que realizaram dez curtas-metragens de 10 minutos cada um. O espectro varia da comédia, ao filme contemplativo a partir do experimento que ronda o documentário e a ficção, metáforas de um país complexo que mostra o melhor e o pior de uma herança tão poderosa como foi a Revolução.

 

Os 10 curta-metragens são:

 

"La bienvenida", de Fernando Eimbcke (México, 1970) centra-se no mundo rural, na música de Mozart e na desolação de vidas que talvez não tenham nada a celebrar em um dia da pátria. Uma espécie de Esperando Godot da Revolução.

 

"Lindo y querido", de Patrícia Riggen (México, 1970), é uma pequena comédia que tem início com uma família de imigrantes mexicanos nos Estados Unidos procurando uma maneira de tirar o pai morto do país para enterrá-lo em sua terra natal. A Odisséia daqueles que saem de seu país porque não têm nada a comemorar, porque a Revolução não chegou a eles.

 

"Lucio", do ator Gael García Bernal (México, 1978), também se fundamenta no mundo rural e em torno dos filhos como protagonistas. Aqui, o jogo vazio das tradições, das canções, dos símbolos pátrios manuseados e manuseados novamente, se contrasta com a infância e a juventude contemporâneas.

 

"El cura Nicolas colgado", de Amat Escalante (Espanha, 1979), é um filme de excelente fotografia, carregado de imagens, de simbolismos (o Enforcado do Tarô?), de desertos e de filhos que também funcionam como referência ao presente e, claro, ao futuro.

 

"Este es mi reino", de Carlos Reygadas (México, 1971), apresenta-se como um dos curtas mais interessantes do grupo. Entre ficção e documentário, o filme se passa em uma festa de campo onde estão reunidas diferentes classes sociais. O álcool e o tempo começam a fazer estragos, e o caos toma seu lugar, assim como os ódios e as diferenças.

 

"La tienda de raya", de Mariana Chenillo (México, 1977), é uma comédia com toque de romance (ou melhor, uma espécie de comédia romântica), que se desenvolve em um supermercado. O fim da tienda de raya (um mercadinho), um tipo de comércio onde os trabalhadores trocam os vales com os quais são pagos para fazer as compras em contas que são feitas e assinadas em um quadro de giz, pois não sabiam escrever, muito menos assinar seus nomes.

 

"R-100", de Gerardo Naranjo, leva o nome de uma moto da marca Mazda, e a história se desenvolve em uma estrada vazia, com dois personagens. Um filme sem palavras, cheio de tensão e violência. Um road curta-metragem dos caminhos do México, um espírito guerreiro transmutado em delinquência.

 

"30/30", de Rodrigo Plá (Uruguai, 1968), aprofunda-se no tema do herói e dos descendentes do herói, o que nos leva a outro tema, da imagem e da representação; de como tudo fica mais bonito na publicidade, nas homenagens e nas fotografias quando a realidade é bem outra, não tão iluminada como mostrada nesses meios.

 

"Pacífico", de Diego Luna (México, 1979), busca a importância da paternidade. A situação de como ser pai pode ser uma revolução em si. O filme, de alguma maneira, mostra os mexicanos como órfãos da Revolução que os deixou "livres", mas sem direção clara, sem um caminho preciso e sem a companhia dos mais velhos.

 

"La Séptima y Alvarado", de Rodrigo García (Colômbia, 1959), é um conto filmado em câmera lenta trabalhado a partir do urbano pelo filho de Gabriel García Márquez. Um bairro pobre de Los Angeles, gente que vai e vem, rostos mexicanos, ocupando os Estados Unidos como se esses movimentos, como se essa presença, fossem uma nova revolução.

 

Revolução, este mês. No Max.

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