Frank Sinatra, um ícone do cinema com estilo

por max 25. novembro 2011 11:07

 

Vamos falar de Frank Sinatra como ícone do cinema. Tudo o que se pode dizer é pouco. Remeto-lhes à famosíssima crônica de Gay Talese, intitulada "Frank Sinatra está resfriado". Sinatra é Sinatra, estilo puro e, para celebrá-lo, deixo vocês com o seguinte texto do escritor venezuelano Robert Echeto, que se encontra em Breviario Galante. Intitula-se "Yo quero ser como Frank Sinatra" (Eu quero ser como Frank Sinatra) e diz assim:

 

Eu quero ser como Frank Sinatra, cantar no Sands de Las Vegas com a orquestra de Count Basie, andar sempre de smoking, ser o chefe da máfia e fazer tudo virar uma maravilha somente por causa da minha presença. Eu quero ser como Frank Sinatra para que todas as mulheres me amem, mesmo que às vezes me dêem uns tapas e logo depois digam "meu amor" sem qualquer problema, sem que as coisas cheguem às lágrimas nem aos gritos a despeito de nada. Eu quero ser como Frank Sinatra e que Tony Soprano se lembre de mim com carinho e que os jovens não me entendam e que tenha medo de envelhecer e que carregue comigo simplesmente uma Beretta que brilha como as estrelas.

Eu quero ser como Frank Sinatra e ter, como ele, o bom gosto de morrer velho e em minha cama, rodeado de amigos e de flâmulas dos Yankees, de Nova York. Hoje e sempre, eu quero ser como Frank Sinatra e dizer a todos que os amo, mas que não me encham muito porque os queimo em vida e digo que matei-os e que os fiz desaparecer e que, sem qualquer remorso ou salvação, mandei a todos para o fundo do mar com um saco de cimento amarrado na cintura.

Eu quero ser como Frank Sinatra e cantar com Ella Fitzgerald aqui e ali, em todas as partes e ter um lugar eternamente reservado em um bar escuro e num canto silencioso onde me sirvam azeitonas pretas no meu copo pequeno de vodka geladíssima com uma rodela de limão. Eu quero ser como Frank Sinatra para que Clint Eastwood utilize minha voz na cena final de Cowboys do Espaço (Space Cowboys) e ouça de mim " Fly me to the moon, let me sing among those stars. Let me see what spring is like on Jupiter and Mars", ecoando para sempre na memória do público e no escurinho do cinema.

Eu quero ser como Frank Sinatra e que me convidem para jogar golfe nas manhãs de domingo e que aos meus amigos não pareça uma piada que me fascinam os carros grandes e clássicos para viajar de surpresa, ouvindo música e carregando, se não nos dê a grana, um morto no porta-malas, pronto para ser deixado ali, em qualquer campo.

Eu quero ser como Frank Sinatra para que Vito Corleone seja meu padrinho e mande colocar uma cabeça de cavalo morto na cama de cada uma das pessoas que me querem mal. Eu quero ser como Frank Sinatra para que todo o mundo entenda, de uma vez por todas, que o trabalho de entreter ao próximo é um ofício que beira a santidade. Eu quero ser como Frank Sinatra para poder dar a volta ao mundo e fazer que, em cada cidade, ao ouvirem minha voz, lembrem-se, como se estivessem vendo-os, do Yankee Stadium, do Empire State, da Ponte do Brooklin e do Central Park.

Eu quero ser como Frank Sinatra para não me cansar nunca, para não suar, para não me desgastar, para comer em lugares onde os garçons me conhecem e me tragam, sem que eu precise pedir, uma taça de vinho tinto da casa. Eu quero ser como Frank Sinatra para que os excessos não me faltem, para que a polenta, os raviólis e os salmonetes com semente de funcho não dissolvam minha aura de invencibilidade, minha graça de tipo intocado pela fatalidade. Eu quero ser como Frank Sinatra e cantar e fumar e sorrir e tomar uísque ao mesmo tempo, como somente os grandes conseguem fazer, os deuses, os que estão acima da compreensão humana. Eu quero ser como Frank Sinatra para que ninguém, nem mesmo o mais potente exército de trombones, nunca possa ofuscar-me em cena, e isso porque justamente Sinatra é e sempre será o maior cantor que já nasceu e que haverá.

Eu quero ser como Frank Sinatra porque desejo que meus atos –bons e maus– sejam sempre uma lição de estilo. Eu quero ser como Frank Sinatra e que, cada vez que falem de mim ou do meu trabalho, surja um sorriso no rosto e na memória cheio de pura e simples felicidade. Eu me sinto muito satisfeito porque só a ideia de querer parecer-me como Frank Sinatra já é uma honra.

 

Nesta sexta-feira, 25 de novembro, esteja com Frank Sinatra em Onze Homens e um Segredo (Ocean´s Eleven), dentro do ciclo Ícones do Cinema. No Max.

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