Dentro da Casa, uma comédia profunda sobre a arte de narrar uma vida

por max 12. dezembro 2014 11:29

 

Do diretor François Ozon, de quem tivemos o prazer de ver filmes no Max como Potiche – Esposa Troféu (2011) e Ricky (2009), agora você assiste Dentro da Casa (In The House, 2012). O filme apresenta Germain (Fabrice Luchini), um professor de literatura francesa e escritor fracassado, que vive farto de que seus alunos não prestam muita atenção nas aulas, que não se interessam por nada. Porém, finalmente, Germain encontra uma luz, não nele, mas em outra pessoa: em Claude (Ernst Umbauer), um jovem que senta na última fileira que começa a demonstrar um grande potencial em sua narrativa. Claude descreve em textos a vida de seu melhor amigo Rapha (Bastien Ughetto), seu mundo familiar, seu pequeno mundo burguês (muito típico no cinema francês). Através destes relatos, Claude vai revelando um mundo e ao mesmo tempo estabelecendo as bases de uma teoria narrativa: manter o leitor em estado de tensão, no suspense. Neste caso, Germain. Um jogo entre o real e a imaginação fascinante, que demonstra mais uma vez o talento deste grande diretor que François Ozon é.

Dentro da Casa, domingo 14 de dezembro, no Max.

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Especial Dia Internacional da Mulher

por max 7. março 2013 15:10

 

O Max acredita nas mulheres. Mais que acreditar, está com as mulheres. O Max sabe que as mulheres são as protagonistas absolutas desses tempos, por isso preparou um especial dedicado a elas, nesta sexta, 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

 

Comece a sexta-feira dedicada a elas com A Fonte das Mulheres (La Source des Femmes - 2011), do cineasta franco-romeno Radu Mihaileanu. A história de um grupo de mulheres que, como na comédia Lisistrata escrita por Aristófanes, decidem deixar de levar água de um poço aos homens da aldeia, que nunca levantaram um dedo para ajudá-las. Leila (Leila Bekhti) é a protagonista desta história ambientada em algum povoado ao norte da África.

 

 

O especial continua com Potiche – Esposa Troféu (Potiche - 2010), comédia de François Ozon protagonizada por Catherine Deneuve, uma dona de casa muito bonita e muito bem vestida, que um dia decide deixar de ser um adorno caro (o que em francês se entende como potiche) e se transforma em uma líder da fábrica de guarda-chuva de seu marido. Contamos também com a participação de Gérard Depardieu, no papel de um velho amante, que também faz parte da nova vida da ex-dona de casa decorativa. Uma comédia leve, perspicaz, inteligente, além de estridente, cheia de cores e imaginação kitsch, pois o filme é retratado nos anos setenta.

 

 

E finalizamos com Vincere (2009), do veterano diretor Marco Bellocchio, um filme apaixonado, grande, dramático, que conta a história de Ida Dalser (Giovanna Mezzogiorno), primeiro amor de Benito Mussolini (Fillippo Timi), primeira esposa e mãe de um menino com o mesmo nome, Benito Albino (também interpretado por Fillippo Timi). A história narra os primeiros anos do amor de Mussolini e Ida, mostra como ela foi suporte para ele, até mesmo econômico (vendeu tudo que tinha para financiar suas atividades políticas), e mostra também, em uma dura e comovente segunda parte, como anos depois, Duce já no poder, essa mulher foi repudiada e perseguida a fim de esconder o segredo de juventude do líder nacional-socialista.

 

Você já sabe, sexta-feira 8 de março, aproveite o especial do Dia Internacional da Mulher que o Max preparou para você com os filmes A Fonte das Mulheres, Potiche – Esposa Troféu e Vincere.

 

Mulheres lutadoras, drama, comédia, filmes de primeira, o que você vê quando vê o Max?

Especial François Ozon, nesta quinta, dia 14, no Max

por max 13. fevereiro 2013 11:20

 

O Max apresenta um especial do diretor François Ozon com três filmes recentes: Ricky (2009), Potiche – Esposa Troféu (Potiche, 2010) e O Refúgio (Le Refuge, 2009). Ozon é cineasta de muitas facetas e já realizou vídeos, curtas de ficção (premiados em Cannes), documentários em curta-metragem e em longas-metragens, e, claro, longas de ficção. Em filmes como Les amants criminels (1999), 8 Mulheres (8 Femmes, 2002) e Swimming Pool – À Beira da Piscina (Swimming Pool, 2003), usou o gênero policial ou noir, sempre com variações, carregando no seu tom todo particular de humor, às vezes bem light, frequentemente sarcástico. Ozon é cineasta bem contemporâneo nesse sentido, pois gosta de jogar com a paródia, com a colagem, a mistura de gêneros. Como bom francês, como bom herdeiro, ele aborda a França burguesa. Penetra ali, cutuca, se mete entre os que estão devidamente acomodados e entre os trabalhadores, nessas vidas que parecem condenadas à tranquilidade e que, prontamente, se veem submergidas em outros âmbitos, em outras experiências.

Para Ozon, o que interessa são as diferenças, as rachaduras, os saltos. Para ele, interessam também as mulheres, o que pensam, o que são, seu psicológico, seu mundo. Os casais interessam igualmente, bem como os trios, o amor homossexual. E, finalmente, interessa a ele também (mas pode ser que haja ainda mais temas de interesse) as exceções e os estranhamentos no mundo contemporâneo.

Em Ricky (2009), o primeiro deste especial, ele aborda essa estranheza, mergulhando no coração da realidade da classe trabalhadora. Ali, no meio das tribulações e lutas de um casal de poucos recursos financeiros, faz nascer um filho que tem asas. A introdução deste fato fantástico é uma oportunidade para se aprofundar na mente dos personagens – em especial, no feminino –, para explorar os medos e as alegrias, para iluminar obscuridades.

Logo depois – lembre-se que é sempre no mesmo dia – Potiche –Esposa Troféu (Potiche, 2010). Aqui, Ozon demonstra mais uma vez que ama fazer filmes com mulheres. Filmes com mulheres, nos quais elas são boas, mas também são profundamente más. Mulheres em situações extremas e delirantes, mulheres lutadoras, mulheres que se rebelam contra séculos e séculos de dominação masculina, essas são as mulheres de Ozon. O próprio títulp do filme demonstra isso. Potiche é uma palavra que designa um adorno bem caro de casa, e também é uma metáfora para esposa linda, mas inútil que decora o lar de um marido próspero. Catherine Deneuve é essa dama «potiche», a amadíssima senhora Pujol, esposa do dono de uma fábrica de guarda-chuvas, contra quem se rebelam os trabalhadores e o sequestram. A senhora Pujol não somente conseguirá libertar o marido, mas também se encarregará de comandar a empresa, com melhores resultados dos que os apresentados pelo marido em sua gestão. Uma comédia perspicaz, inteligente e estridente, carregada de cores e do imaginário kitsch bem ao estilo dos anos 70.

Para fechar o especial de Ozon, O Refúgio. É um drama duro que apresenta, a princípio, um casal jovem e próspero, mas viciado em heroína. Os amantes, mergulhados no vício, acabarão na pior das situações: ele, morto e ela, em coma. A essa altura, em seu despertar, ela descobrirá que está grávida. Perdida, arrependida por ter se entregado ao vício, ela vai fugir para o mar, em um possível refúgio onde se encontrará com o irmão do falecido, um atraente jovem homossexual. O Refúgio é um jogo de trios e de profundos conflitos morais arraigados na contemporaneidade, um trabalho forte e cru de Ozon que encerra este ciclo especial do Max.

Lembre-se: Ricky, Potiche – Esposa Troféu e O Refúgio, três filmes de François Ozon nesta quinta-feira, 14 de fevereiro, no Max. Cinema de primeira, cinema contemporâneo, o melhor do melhor. O que você vê, quando vê o Max?

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Potiche – Esposa Troféu, ou as mulheres e Ozon

por max 7. dezembro 2012 11:58

 

François Ozon é o Pedro Almodóvar dos franceses. Ok? Bom, talvez sejam bem semelhantes. Também pode se dizer que Almodóvar é o Ozon dos espanhóis, o que pode até parecer sexy para alguns. Melhor, não é?!

A verdade é que Ozon adora fazer filmes com mulheres, nos quais elas são más, boas, as heroínas absolutas. Defensor da causa da mulher, Ozon escreve e dirige seus filmes repletos de crítica social, de burguesia ambiciosa e desenfreada, e de mulheres em situações extremas e delirantes, que em momentos podem se mostrar terríveis, como Perséfone, mas também como as protagonistas absolutas, as lutadoras, as braços fortes do intenso drama ou da comédia "leve".

Este mês, o Max apresenta Potiche – Esposa Troféu (Potiche, 2010), uma claríssima mostra deste aspecto da cinematografia de Ozon. Potiche, palavra que designa um enfeite de casa caro, é também metáfora para esposa bonita, mas inútil que decora o lar de um marido próspero. Aqui é Catherine Deneuve, no papel da senhora Pujol, o "vaso" mais que adorado do dono de uma fábrica de guarda-chuvas, que, de um dia para o outro, é atacado pelos empregados, que o sequestram. O marido da personagem de Deneuve, vale dizer, é um tirano, um desalmado, que, no entanto, tem coração, pois teve problemas no coração durante o seu sequestro. É por isso que a senhora Pujol terá que tomar as rédeas do negócio. O senhor Pujol pensa que a inútil será uma boneca perfeita enquanto ele se recupera. E o que acontece? A inútil acaba sendo uma maravilha de gerente que soluciona o conflito trabalhista, se torna querida e respeitada, e, além disso, volta a encontrar o amor - um ex-amante que agora é político conhecido, interpretado por Gérard Depardieu. Mas ela, é preciso ser dito, não faz tudo isso com o furor de uma feminista agressiva; continua elegante, charmosa, maravilhosa em sua posição de líder. Por que perder uma coisa em detrimento da outra?

É uma comédia, sim, mas não uma comédia qualquer. É uma comédia de François Ozon, perspicaz, inteligente, estridente e, além disso, carregada de cores e imaginário kitsch, pois é ambientada nos anos 70, época de cortes fortes e fortes enfrentamentos libertários e ideológicos, a mesma época em que se situa a peça de teatro na qual está baseado o filme. Comédia leve, sim, mas, ao mesmo tempo, certeira e crítica. Igualmente emocionante, agradável e interpretada de forma magnífica. Não é fácil fazer algo assim, perguntem a Woody Allen, que certamente lhes dirá que sim, é fácil. Ou perguntem para Almodóvar, que não sei o que dirá.

Potiche – Esposa Troféu, domingo, 23 de dezembro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Noite de Natal com Ricky e O Refúgio

por max 22. dezembro 2011 04:44

 

Neste sábado, 24 de dezembro, François Ozon nos faz companhia com todo seu talento, com todo seu carisma, com toda sua capacidade para provocar homens e mulheres, com toda sua genialidade para o sarcasmo. Sem dúvida, trata-se de uma excelente companhia para este Natal, quando o Max nos apresenta dois filmes do diretor francês que, como é habitual nele, centram-se na figura feminina, e que têm as mulheres como protagonistas. Estes dois filmes, que não por acaso foram produzidos muito próximos, são Ricky (2009) e O Refúgio (2010). Os temas são maternidade e vida, a maravilha de um filho e o fato de como ter um filho muda radicalmente a vida, como um filho traz toda essa inquietude de que ele logo irá ganhar asas e voar pra longe de você, para escapar de você, esse mesmo filho que reclama e exige o melhor de nós. Tanto Ricky, que explora os conflitos e a humanidade de um casal de poucos recursos, como O Refúgio, que sintoniza com as ideias da vida, da morte, da gravidez e do amor, são reflexos de uma mesma visão diante da realidade, compassiva e séria, mas ao mesmo tempo descrente de qualquer solenidade, estreiteza de ponto de vista ou puritanismo. Ozon é um diretor contemporâneo que se conecta muito bem com a sensibilidade dos nossos tempos, descrente, referencial, irônico, sarcástico, alimentado de nenhuma ideologia e de todas as ideologias ao mesmo tempo, o mesmo que ocorre com os gêneros, que se misturam entre si para produzir histórias híbridas. Ozon está aqui em nosso mundo, Ozon nos traz as histórias que nos tocam e brinca, se diverte, fica sério e toca nas feridas também. François Ozon é, sem dúvida, um diretor que merece estar conosco neste 24 de dezembro, um amigo inteligente que nos fará rir da dura realidade em Ricky e logo depois em O Refúgio, no Max.

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Ricky, ou a erupção do fantástico

por max 14. dezembro 2011 13:25

 

Uma das regras do gênero fantástico é que, precisamente, o feito, a ação que chamamos fantástica, nasce na medula da realidade. O fantástico, dizia Julio Cortázar, é uma maneira quase filosófica, antológica, de entender a realidade. Dizia que o fantástico, para ele, era aquilo que se opunha ao falso realismo. Em "Alguns aspectos do conto", ele diz que esse falso realismo "consiste em acreditar que todas as coisas podem ser descritas e explicadas da mesma forma como era embasado o otimismo filosófico e científico do século XVIII, é o mesmo que dizer que isso acontece dentro de um mundo regido mais ou menos harmoniosamente por um sistema de leis, de princípios, de relações de causa e efeito, de psicologias definidas, de geografias bem desenhadas nos mapas." De fato, aquele racionalismo da modernidade enfrenta as críticas românticas, das vanguardas e da mesma pós-modernidade e ali, nesse choque, entendemos novas formas de compreender a realidade. Os sonhos, a loucura, a obscuridade, o misticismo, a religião, as exceções. A realidade também pode ser explicada pela erupção da exceção. Continuamos com Cortázar: "No meu caso, a suspeita de outra ordem mais secreta e menos comunicável, e a fecunda descoberta de Alfred Jarry, para quem o verdadeiro estudo da realidade não residia nas leis senão nas exceções dessas leis, que foram alguns dos princípios indicadores da minha busca pessoal de uma literatura à margem de todo o realismo demasiadamente ingênuo." O sentimento do fantástico, segundo o mesmo Cortázar, é esse acreditar, esse intuir que o mundo no qual vivemos é tão somente uma parte, ou melhor dizendo, que a realidade que conhecemos é somente uma parte da realidade absoluta. Para conhecer o outro lado da realidade, temos que transpor, e a única forma de fazer isso é fixando-se, conhecendo, buscando as exceções. Essas exceções se encontram fortuitamente, se buscam ou inclusive se forçam, como faz a arte, que modifica, com suas histórias, a realidade para descobrir novas faces da realidade.

O cineasta francês François Ozon se caracterizou, não sei se por incluir o fantástico em sua obra, mas sim por essa capacidade para estranhar o mundo. É o mesmo que dizer que Ozon, com seu olhar, transforma a realidade em estranha. Ozon gosta das exceções, que não necessariamente são fantásticas. Porém, no filme Ricky (2009), o diretor lança mão do fantástico para mostrar a realidade, para descobri-la. Ali, no sonho de uma sociedade de classe operária, ali, em meio aos tormentos e lutas de um casal de pouca grana, ali de onde não se alcança o sonho e as esperanças. Ozon faz nascer um filho que irá criar asas. A intromissão do fantástico transforma-se em uma oportunidade para aprofundar a psicologia dos personagens, para explorar os medos e as alegrias, para iluminar as obscuridades. Ozon, no meio de um universo cinematográfico como o francês, que tende ao ritual realista da representação em torno da vida burguesa, em meio de um cinema que também, em algumas ocasiões, pecou de sério por autoral, se mostra como um autor que, paradoxalmente, assinala a realidade apesar de usar a alienação e o fantástico, e que acabou se constituindo em um autor sério, ainda que use constantemente o humor. Assim é Ozon, assim é Ricky.

Ricky, nesta quinta-feira, 15 de dezembro, no Max.

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O Refúgio, ou os direitos de François Ozon

por max 17. novembro 2011 11:13

 

François Ozon é um cineasta que começou a aparecer no final do século XX e que agora faz parte da nova geração do cinema francês do século XXI. Diretor de vídeos, de curtas de ficção (pelo que foi premiado inclusive em Cannes), de curtas documentários e de documentários, que desde seus primeiros longas-metragens começou a dar o que falar. Com filmes como Les amants criminels (1999), Oito mulheres (8 femmes, 2002) e Swimming Pool – À Beira da Piscina (Swimming Pool, 2003), Ozon faz uso do gênero negro, das abjeções do crime para contar histórias muito francesas, onde os jogos de infidelidade e as relações de casais movem as paixões. Em alguns dos seus mais recentes filmes tem focado no tema do amor homossexual e no direito à vida a partir da perspectiva da gravidez e do nascimento. Em um trabalho como O Refúgio (Le Refuge, 2009), dá seu tradicional toque de crueza, de rusticidade, apresentando o tema do vício da heroína de um casal jovem e bem sucedido. Imagens iniciais fortes e alucinantes que levam à morte do rapaz e ao coma dela. Quando Mousse (esse é o nome da garota) sai do vazio em que se encontra, descobre que está grávida. Perdida, arrependida, foge para o mar, onde fez seu refúgio e também encontra o irmão de seu parceiro falecido, um homossexual atraente.

Com uma fotografia delicada que ilumina paisagens magníficas e serenas, Ozon aprofunda-se em um drama sutil, quase onírico, que é ao mesmo tempo uma viagem interna para o auto-conhecimento e uma defesa do direito à vida, à paternidade e ao amor em todas as suas formas.

O Refúgio, de François Ozon, nesta quinta-feira, 17 de novembro, no Max.

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