Separados Juntos, ou ninguém poderá tirar-me o meu amor

por max 3. agosto 2012 11:10

 

Fito Páez dizia numa canção: "Nunca poderão tirar-me o meu amor". Era uma declaração de princípios contra os poderes estabelecidos. O filme Separados Juntos (Apart Together, 2010), do consagrado cineasta chinês Quan´an Wang (Tuya´s Marriage), parecia recorrer à mesma frase para contar uma história de dignidade e amor duradouro com fundo histórico e político.

Entre a comédia e o drama, Quan´an Wang parte de uma situação de guerra que marcou a cidadania chinesa: a guerra civil do país. Em 1950, derrotado pelas forças do comunismo, o Kuomintang, partido nacionalista chinês, precedido por Chiang Kai-shek, se retirou com suas tropas para Taiwan. Entre os soldados que estiveram na retirada, estava Liu Yansheng (Feng Ling), um dos protagonistas de Separados Juntos.

Depois de todas as décadas de ausência, Liu escreve uma carta a sua antiga amada abandonada no continente, Qiao Yu´e (Lisa Lu), que tinha ficado grávida dele e que nunca pôde compartilhar seu filho com aquele pai exilado. No entanto, Qiao não é apenas mãe daquele, mas também de outros filhos do casamento com Lu Shenmin (Xu Caigen) e, além disso, avó. Assim, Liu regressa a Xangai, mas não para uma visita; sua intenção é, na verdade, levar o amor de sua vida para Taiwan, onde espera que passarão o resto da vida, imersos na felicidade do amor. Conseguirão? Pois, para surpresa de muitos, o atual esposo não será, de início, um empecilho. O homem, muito afável e bom anfitrião, aceita que sua mulher vá passar os últimos anos de sua vida com seu primeiro amor. Ela, por sua vez, tenta fazê-lo compreender, e ao resto da família, que durante muitos anos fez de tudo pela felicidade dos demais e que, por favor, agora a deixem ser feliz. A família, mal ou bem, aceitará que o plano prossiga. No entanto, surgirão algumas dificuldades, e também pelo lado burocrático. A burocracia dá motivos de sobra a Quan´an Wang, que já havia explorado em outros filmes esse universo, para situações de humor que, como todo o humor que nasce da realidade, não serve simplesmente para fazer rir, mas também para falar da sociedade. No entanto, em meio aos dilemas, os personagens desse filme ganhador do Urso de Prata de Melhor Roteiro em Berlim irão passando seus dias entre música e comida, com ternura, felicidade e encantamento, recuperando – os três do triângulo – o que estava perdido, mantendo as ilusões e realçando o valor da vida acima de qualquer interesse político, que costuma esmagar os cidadãos comuns; interesses, nós sabemos, que nada têm a ver com as verdadeiras metas e sonhos dos homens.

Separados Juntos, domingo, 5 de agosto. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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