The Big Picture, ou a identidade reencontrada

por max 21. junho 2013 03:48

 

Um thriller, um drama, uma meditação sobre personalidade. Parte do típico tema francês da infidelidade e assassinato de alguém do triângulo amoroso, para seguir pelos caminhos de Patricia Highsmith, ou melhor, de Antonioni. Além de dupla, a personalidade suplantada e a redenção também são fundamentais neste filme de Eric Lartigau, The Big Picture (L'homme Qui Voulait Vivre Sa Vie, 2010), baseado em romance de Douglas Kennedy.

Para Paul Exben (Romais Duris) tudo está perfeito. Ele tem um bom trabalho, uma bela esposa, filhos. Não pode pedir mais da vida. Mas a vida – ou uma parte profunda do que poderia ter feito um homem diferente – parece não estar de acordo e joga na cara dele a dureza da existência. Exben descobre que sua mulher o traiu com um fotógrafo. Mata o fotógrafo. Exben pega a identidade do fotógrafo e foge para um país eslavo. Então Exben deixa de ser Exben? Não, Exben torna-se realmente Exben. Exben é mais Exben do que nunca. Ao contrário de O Passageiro – Profissão Repórter (Professione: Reporter, 1975) de Antonioni, o protagonista tem um motivo para mudar de identidade (o assassinato), e também ao contrário do filme de Antonioni, o acomodado (Exben) suplanta o artista. Lembramos que em O Passageiro – Profissão Repórter, David Locke, o personagem interpretado por Jack Nicholson, é um repórter (com câmera) que se passa por um traficante de armas (neste caso, o acomodado também é um viajante, um viajante igualmente sombrio). Na verdade, Locke, no filme de Antonioni engana sua mulher e ela o engana. Os paralelos estão lá. No entanto, a ordem se inverte: Exben, próspero em sua pacata vida sem grandes acontecimentos, cometerá um crime e isso a colocará em movimento, o levará a uma jornada que começa com uma ação que brotou de suas mãos, de uma escuridão inesperada. Exben invocou a morte, e a chegada da morte à sua aparentemente vida perfeita e próspera o transforma. O véu da falsa eternidade foi executado, e agora Exben entende que a vida também é morte, que a vida também está viajando para outras terras que estão dentro de si mesmo, onde habitam outras coisas, onde habitam as contradições e o enigma. É tanto enigma que nunca entendemos claramente, (como no filme de Antonioni) o que procura Exben, até onde ele vai, o que quer. Só no final, talvez no final, teremos o quebra-cabeça montado, o panorama geral, a big picture de um homem que queria viver sua vida. Quem sabe.

The Big Picture, sábado 22 de junho. Identidades, assassinatos, cinema europeu, thriller, busca interior. O que você vê quando vê o Max?

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