Estrada de Rei, ou as rotas de Valdís

por max 1. novembro 2011 07:38

 

Quando digo Valdís, você não lembra de nada, não é?! Se digo que Valdís é um nome, então não sabemos se trata-se de homem ou mulher. Se digo Valdís Óskardóttir, esse Óskar nos faz pensar em homem. Mas não, Valdís é nome de mulher. É um nome islandês e, para aprofundarmos o tema, Valdís remete a nomes como Thomas Vitenberg, Gus van Sant e Michel Gondry. Por quê? Porque Valdís é montadora. E uma montadora das boas, das melhores, porque para trabalhar com estes nomes tão importantes, teria mesmo que ser. Nada mais, nada menos que com um adepto do Dogma (foi a montadora de Festa de Família / The Celebration, de 1998, primeiro filme realizado pelo grupo Dogma 95, encabeçado por Thomas Vitenberg e Lars Von Trier), com um louco norte-americano, que nada nas águas do cinema independente e no cinema comercial com filmes como Drugstore Cowboy, Garotos de Programa (My Own Private Idaho), Elefante (Elephant) e Procurando Forrester (no qual Valdís trabalha) e com um diretor francês de comerciais, vídeos e filmes tão alucinantes como A Natureza Quase Humana (Human Nature) e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind). Mas Valdís também é diretora. Em julho, vimos no Max seu trabalho O Grande Dia (Country Wedding, 2008), a história de um casal de Reykjavik, que decide se casar no campo, e acaba enfrentando uma série de conflitos, segredos e alegrias familiares no ônibus onde estes noivos viajam com todos os convidados da festa. Um filme fatal e ao mesmo tempo divertido, com muito da herança de câmera na mão deixada pelo Dogma.

Este mês, voltaremos a ver o trabalho de Valdís Óskarsdóttir, graças ao filme Estrada de Rei (Kóngavegur, 2010), uma comédia (esse humor da diretora, triste, humor negro sempre está ali no fundo) com profundas marcas de drama, que nos mostra a face mais patética e empobrecida de um país como a Islândia. Na história de um retorno, um filho que volta para buscar ajuda do pai de quem se lembra como um banqueiro bem sucedido, mas que o acaba encontrando em um parque de trailers, totalmente arruinado, casado com uma deprimente ex-rainha de concurso de beleza, cercado por um bando de idiotas e pela decadência. São os personagens da periferia, os abortados da sociedade. Ali, a diretora foca, ali ela se aprofunda, ali também se diverte com seu particular senso de humor, para mostrar esse mundo, para falar de um país tão longínquo e desconhecido por nós. Ao conhecer estas pequenas histórias, entendemos que a Islândia é como qualquer parte do mundo, que seus sonhos e seus pesadelos são os de todos, de todos os seres humanos.

Estrada de Rei, quinta-feira, 2 de novembro, no Max.

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