A cantora de tango, ou as transformações do amor

por max 26. julho 2011 16:06



A letra do tango "Alma perdida" de Francisco García Jiménez, diz em algum lugar: "E eu que estou aprendendo até a odiar você / só para lhe esquecer / eu não consigo aprender." O problema é, de fato, o esquecimento. Ou a lembrança. Uma grande parte do tango é a memória e a impossibilidade de esquecimento. O tango vive numa terra onde o sofrimento é vivido e desfrutado. O amor é como uma enorme paradoxa que o tango sabe captar neste jogo de transformações. Por causa da impossibilidade do esquecimento, o amor se transforma. Como a pessoa não aprende a esquecer, aprende a odiar, diz o tango. A impossibilidade de esquecer dá à luz ao ódio. Não só ódio contra o ser amado, mas ódio contra si mesmo. Os ódios é as culpas que paralisam, que enchem vazios, que destroem o sucesso profissional, que anulam, que aniquilam. E aqui vem outra vez a idéia de fugir. Quando você não pode esquecer, quando o ódio tem crescido muito, e pouco antes dele transbordar, existe a possibilidade do exílio. Na dor do amor, no rompimento do amor, às vezes o que você está procurando deixar atrás, são os lugares do amor, e o ser amado, é claro. A distância como prisão. Eu não vou até você, não procuro você, porque estou preso ou presa na distância. Eu botei distância, me tranquei. O esquecimento como uma impossibilidade gera esses exílios. Assim é o tango, assim é o amor, assim é a vida.

A cantora de tango, de Diego Martínez Vignatti, na terça, 26 de julho.

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