Continua o ciclo Sensos de Humor com Estrada de Rei e A Mulher do Meu Amigo

por max 14. dezembro 2011 13:50

(John William Waterhouse, A Tale from Decameron, 1916)

 

E em dezembro, o Max continua explorando o sentido do que a vida tem de sem sentido, no ciclo Sensos de Humor. Para a sexta-feira, dia 16 e para a sexta-feira, dia 23, os filmes são os seguintes:

 

 

Estrada de Rei (Kóngavegur, 2010): Uma comédia amarga que se esquenta com o drama das frias terras da Islândia. Levados pelas mãos da cineasta Valdis Óskarsdóttir, entramos em um caminho descampado para caravanas, deprimente, arruinado e cheio de personagens patéticos, espantalhos que não chegam a ser totalmente divertidos nem totalmente detestáveis. A família, a paternidade, a memória, a fortuna são os temas centrais deste filme que retrata um mundo de fantasmas e sombras no meio da neve, do frio e da distante Islândia.

Estrada de Rei, nesta sexta-feira, 16 de dezembro.

 

 

A Mulher do Meu Amigo (2010): Inspirado em uma peça de teatro, de humor, de Domingos de Oliveira, o filme tem, certamente, o clima teatral, pois tudo transcorre em uma casa de campo, onde os personagens vão se fechar para não querer sair por um bom tempo. Como se fosse um Decameron ou O Anjo Exterminador de Buñuel, ao contrário, e como se tratasse de um A Morte do Demônio sem mortes nem livros diabólicos, os dois casais desta história se trancam (alguns saem e não voltam) para viver na nudez de suas obscuridades, como costuma acontecer em todos estes relatos de pessoas fechadas em algum lugar. Porém, todas essas obscuridades, segredos e desejos vão se mostrando de forma engraçada, divertida e muito bonita, pois seu diretor, Cláudio Torres, trabalhou durante anos em publicidade e essa estética cheia de preciosismo do publicitário se reflete tanto neste filme como em Redentor (2004), seu primeiro longa-metragem. Em Redentor, o tema social estava muito presente, enquanto que em A Mulher do Meu Amigo, ainda que a estética persista, a intenção muda, pois o mesmo Torres afirma que o que visa é entreter, fazer rir, oferecer um passatempo às pessoas. Ainda assim, sente-se que há certo elemento muito francês no que diz respeito a esse tratamento das relações de casais para criticar a sociedade burguesa. Vale destacar que Torres foi também diretor da série original da HBO, Mandrake, magnífica série inspirada no personagem de Rubem Fonseca, protagonizada por Marcos Palmeira (como Mandrake, claro), e que, não por acaso, protagoniza A Mulher do Meu Amigo. Palmeira repete o papel de advogado, pois tanto Mandrake como Thales exercem a mesma profissão. No caso de Thales, trata-se de um personagem bem sucedido que, já farto de seus negócios ilegais com seu sogro, decide deixar de trabalhar e ficar na casa de campo onde vai passar férias, com a esposa de seu amigo e os filhos dela. Mas não se assustem, os respectivos cônjuges nem se incomodam, e voltam de lá juntos e felizes da vida porque são amantes há dez anos. Aquela partida, obviamente, abre as portas para o romance... dos dois que acabam ficando. E assim a história começa.

A Mulher do Meu Amigo, na sexta-feira, 23 de dezembro, no Max.

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