Diário da França, ou o registro de um registro

por max 14. outubro 2013 14:52

 

 

Todo documentário é um registro e este documentário, Diário da França (Journal de France, 2012), é um registro do trabalho de registros de um homem. O documentário é dirigido pelo jornalista, documentarista e renomado fotógrafo francês Raymond Depardon e por sua sonoplasta e esposa há 25 anos, Claudine Naugaret. Embora, no fundo, e como indica o próprio Depardon, o documentário é realmente de Naugaret, de Naugaret sobre Depardon, que é o foco, o objetivo deste documentário. O que está por trás do trabalho deste homem que tem estado presente em grandes momentos da história da França e do mundo? O que acontece por fora, que não vemos, mas é manifestado em uma foto ou em um documentário? Trata-se de uma homenagem ao artista, mas também para termos o registro de como é esse trabalho de registrar as coisas do mundo, a essência dos seres humanos, sua dor, seu poder, sua alegria, sua miséria. Assim, o espectador tem a sorte de conhecer o arquivo fílmico de Depardon e as ideias que giram em torno dessas imagens que em algum momento fizeram história ou que nunca foram vistas pelo público. Entre Depardon e Naugeret tem este exercício nos bastidores, voyerista e, porque não dizer, narcisista, onde as imagens, o fotógrafo e sua esposa são os protagonistas absolutos de um método. Quer saber como se faz e como nasce a arte? Quando olhamos, tentamos encontrar algum segredo, alguma pista ou simplesmente confirmar que por trás de toda arte solo, existe o mistério e um ser humano cheio de paixão por seu trabalho e pela vida. Um documentário que é um homem e que, ao mesmo tempo, é um país. Um documentário que é metalinguagem do desejo e do amor de viajar registrando o mundo.

Diário da França, terça 15 de outubro, no Max.

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