As viagens do vento, ou o segredo das histórias nunca param

por max 29. março 2011 06:29

 

 

Um menestrel, um contador de contos, um xamã, um narrador nunca podem parar de contar uma história. Nasceram para isso, esse é o seu destino. Eles são os criadores da alma, do mundo. Nem quando a luz pretende se apagar, o silêncio se torna completo. O menestrel pertence a uma irmandade e, como acontece com a máfia, sair dela não é fácil. Assim, embora o menestrel pretenda parar as forças do seu destino sempre tem mais histórias prontas. Porém seja só uma última história. O menestrel deve contar, deve cantar, pouco antes de se entregar ao grande silêncio. Tal é o caso do filme do colombiano Ciro Guerra, As viagens do vento (2009). É uma espécie de "road movie" contemplativa que se deleita em suas imagens e, paradoxalmente, nos seus silêncios, para contar a história de Ignacio Carrillo (Marciano Martinez), um trovador que, após a morte de sua esposa, decide parar, depois de muitos anos de viagens musicais pela Colômbia. Mas parar, como já mencionamos, não é possível. Como todo bom herdeiro das histórias que formam o mundo, Carillo decide fazer uma última viagem para levar seu acordeão para o seu proprietário original, um professor que lhe ensinou a arte. Como Ulisses, Carrillo faz uma viagem de volta, uma viagem cheia de aventuras. Ao longo do caminho, vai encontrar um garoto que tem um sonho de vida: tornar-se também um trovador. Yull (Fermin Morales) é a herança, a nova voz, o iniciado no caminho daquele louco superior, que cansado, e sem mulher, decide dar uma última olhada e uma última voz às estradas. O diretor parece dizer assim, que as histórias não param, que o relógio necessário sempre continua o seu curso, que o movimento perpétuo real está lá, no segredo das histórias que não param. A viagem nos salva. A iniciação na magia, nos salva. Contar histórias, nos salva ainda mais.

As viagens do vento, terça-feira 29 de março. Descubra Max.

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