Cinema animado, de quinta 17 à domingo 20 de outubro

por max 16. outubro 2013 17:01

 

Primeiro vieram os desenhos. Desde as cavernas, lá estão eles, búfalos rupestres, tigres, caçadores. Há até mesmo, em algumas destas cavernas, repetições de patas e corpos, indicando movimentos. Os arqueólogos franceses Marc Azéma e Rivère Florent argumentam que a agitação do fogo dentro da caverna de Lascaux fazia essas patas repetidas terem efeitos de animação graças ao jogo de luzes nas sombras. Também argumentam que os antigos homens das cavernas haviam inventado com ossos uma espécie de taumatrópio, utensílio muito simples, mas engenhoso, que foi "inventado" por John Ayrton em 1824, e que logo foi a alegria dos salões na época vitoriana. O taumatrópio de 1824 (ou o dos homens das cavernas) é o antecessor do famoso zootrópio, máquina estroboscópica criada em 1834 por William George Horner, e do praxinoscópio, similar ao zootrópio inventado por Émile Reynaud em 1877. Todos estes aparatos, que trabalham com desenhos, são precursores da imagem em movimento, do cinema. Portanto, começou com a imagem animada. Disso não há dúvidas.

Em outubro, o Max faz uma homenagem a um gênero que tem ido além de seus limites iniciais e que se instaurou na categoria de culto: o cinema animado, esse amplo espectro de maravilhas da imaginação que estará esta semana no Max. A imaginação como implantação, a capacidade de criar mundos maravilhosos e também de retratar o mais cruel realismo, estão nos filmes de animação.

A partir de quinta 17, até domingo 20 de outubro, teremos os seguintes filmes:


 

Ánima Buenos Aires (2012): começamos na quinta-feira, dia 17, com um longa-metragem latino-americano formado por quatro histórias, contadas através do olhar dos artistas mais importantes da animação e design da Argentina, onde é mostrada a alma da cidade de Buenos Aires através do humor, da emoção e do tango. O que é animado (o desenho) é também a alma de uma cidade cheia de espelhos, esconderijos e histórias inusitadas que foram bem contadas sob a produção e direção de Caloi e de María Verónica Ramírez. "Xixi de Cachorro", "Claustrópolis", "Bu-Bu" e "Meu Buenos Aires Ferido", são os nomes dos quatro curtas criados por Pablo e Florencia Faivre, Pablo Rodríguez Jáuregui, Carlos Nine e Caloi, respectivamente. A melancolia, a saudade, o tango, a própria arte do desenho e o humor fazem estes quatro curtas prestarem homenagem a uma Buenos Aires que foi, que já não é, e que está sendo esquecida com a morte e com a modernidade.

 

 

O Gato do Rabino (Le chat du rabbin, 2011): Na sexta, dia 18, teremos esta animação dirigida por Antoine Delesvaux e Joann Sfar, uma produção austríaca e francesa que é a adaptação cinematográfica da famosa série de comics de Sfar. O filme nos leva para a Argélia de 1920, onde conhecemos um rabino e sua filha, donos de um gato muito mimado. Certo dia, o lindo gatinho come um papagaio e começa a falar. Nosso novo fenômeno se transformará, como em muitas histórias antigas de todas as partes do mundo, num ser mentiroso, imprudente e irreflexivo que também insistirá em se converter ao judaísmo, com a finalidade de voltar para os braços, ou melhor, para as carícias de sua dona, que está distante do gato por causa de seu pai, um rabino zeloso da conduta moral. Contudo, a inquietude por adotar a religião deverá levar o felino a fazer uma viagem maravilhosa, que faz o filme também ser um colorido road movie, e faz um grande passeio através do pensamento de várias religiões. Portanto, temos os gatos, sempre portadores desta dupla natureza enigmática, mas ao mesmo tempo vis e espertos. Os gatos são anjos e malandros, essa é sua essência dupla, e aqui isto está muito bem retratado. Mas este gato do filme é a fonte do aprendizado constante por trás da busca pela verdade. Um gato que é para ser temido e respeitado (principalmente respeitado), porque é um gato que deixa claro seu direito à liberdade de expressão e de livre pensamento.

 

 

Tatsumi (2011), no sábado, dia 19, veremos a recriação animada da vida de Yoshihiro Tatsumi, o mestre criador do estilo gekiga dentro da vertente do mangá japonês. Em 1957, Tatsumi começou a criar histórias maduras com um estilo de traço menos infantil, que buscavam dar uma nova visão ao mangá que existia até então. O diretor de Singapura, Eric Khoo, nos traz este filme baseado em A Drifting Life, a auto-biografia gráfica de 800 páginas escrita pelo próprio Tatsumi. A história nos leva em especial, ao início de carreira de Tatsumi no mundo do mangá, no Japão pós-guerra. Lá também está a importância da figura de outro mestre, Osamu Tezuka, e as primeiras tentativas do jovem Tatsumi de trabalhar com um estilo diferente, que logo seria conhecido como gekiga, ou comics para adultos, mas sem nenhum conteúdo sexual ou de linguagem imprópria, apenas porque Yoshihiro Tatsumi abordou outros temas, como por exemplo, a situação do Japão após a Segunda Guerra Mundial. Tatsumi foi selecionado ao prêmio Un Certain Regard em 2011.


 

Um Gato em Paris (Une vie de chat, 2012): também no sábado, dia 19, você poderá aproveitar esta maravilhosa história que também nos mostra um gato, desta vez com um simpático amigo, uma habilidoso ladrão que age como um gato. Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol nos apresentam este filme indicado ao César no ano de 2011 e ao Oscar em 2012, dentro da categoria de Melhor Filme de Animação em ambos os casos. Dino, o gato desta história, vive em dois mundos: o noturno, junto ao seu amigo ladrão e o diurno, como um gato doméstico que acompanha sua dona, a pequena Zoe. A garota é muda desde que um criminoso tirou a vida de seu pai, um policial que cumpria seu dever. Todas as manhãs, Dino leva para Zoe uma lagartixa morta, mas um belo dia, ele aparece com um bracelete. Este bracelete é, como o espectador sabe desde o início, um indício da outra vida de Dino. A mãe de Zoe, que é policial, vai atrás da pista deste bracelete junto com seu colega de trabalho. Mas Zoe não ficará de lado e, por conta própria, decide seguir Dino em seus passeios noturnos. Assim, com todos perseguindo o mistério, se encontrarão com uma quadrilha de criminosos muito perigosa que, pelas voltas da vida, também tem a ver com a morte do pai de Zoe. Estilizado, elegante, noturno, comovente, um filme que faz olhar pela janela e agradecer à Lua, que faz com que algumas pessoas criem histórias tão encantadoras.

 

 

Rugas (Arrugas, 2011): Encerramos com luxo no domingo, dia 20, com nossa estrela espanhola dirigida por Ignacio Ferreras, baseada no clássico comic de Paco Roca. O filme nos coloca diante dos nossos olhares e de nossa sensibilidade com Emilio e Miguel, dois idosos que se conhecem em uma casa de repouso. Emilio, durante toda sua vida teve de tudo, mas foi deixado de lado por um filho que não tem tempo para cuidar dele, e acaba de entrar para a casa de repouso em um estado inicial de Alzheimer. Miguel, de origem argentina, faz um plano e o ajudará, com outros amigos, a não terminar no temido andar dos que são considerados sem juízo. Um filme com excelente roteiro, comovente e ao mesmo tempo difícil (mostrar a realidade dos últimos anos de idosos não é nada fácil) que, graças ao seu humor compassivo, alcança alturas humanas sem necessidade de tragédias nem dramas dolorosos. Rugas ganhou o Goya de Melhor Filme de Animação em 2012 e teve uma grande repercussão internacional.

 

De presente, neste domingo, você também poderá aproveitar Steamboy (2005) de Katsuhiro Ôtomo e A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2008), de Hayao Miyazaki, ambos antes da estreia exclusiva de Rugas. Para lhe dar um ótimo sabor visual de filmes de animação.

Não esqueça, de quinta 17 a domingo 20 de outubro, o melhor do cinema animado estará no Max. O que você vê quando vê o Max?

Para reapresentações, clique aqui.

Etiquetas:

arquivos
 

nuvem