Three Quarter Moon, ou a lua do meio

por max 8. fevereiro 2013 10:58

 

Um amargurado motorista de táxi é o protagonista de Three Quarter Moon (2011), do diretor alemão Christian Zübert. Chama-se Hartmut Mackowiak (Elmar Wepper, ator conhecido na televisão alemã) e gira por Nuremberg, profundamente entristecido, pois foi trocado pela esposa depois de trinta anos, pelo elegante condutor de um Volvo. Ele vive a se queixar de seu infortúnio e, além disso, dos imigrantes que chegam ao seu país. Certo dia, uma menina de seis anos, chamada Hayat, cruza sua vida. A menina é turca. No começo, ela está acompanhada da mãe, uma cantora de cruzeiro, que deixa a pequena sob os cuidados da avó, enquanto ela completa sua temporada de trabalho. A avó da menina, claro, vive num bairro de imigrantes. Dominado pela raiva, Hartmut não para de falar mal dos estrangeiros. A mãe da menina, horrorizada, o chama de "nazista". A criança, naturalmente, não tem ideia do que isso significa. Quando a avó sofre um colapso, e se vê sozinha numa cidade que não conhece direito, ela lembra do senhor "Nazista", o único alemão que conheceu, e pega o táxi nas cercanias do hospital para onde haviam levado sua avó em coma. Aqui, naturalmente, começam o drama e a comédia em torno destes personagens que, por mais diferentes que se mostrem, no fundo parecem enfrentar uma crise semelhante. Ambos, sem dúvida, estão sozinhos no mundo e, dentro dessa solidão, estabelecem uma relação que ocupa um espaço particular, nem oriental nem ocidental, nem a lua daqui nem a de lá, mas uma lua do meio, uma lua que não vai aos extremos. Ali, dentro desse lugar, cada um deles vai conhecer a cultura do outro, levados, além disso, por uma espécie de maiêutica socrática em que se explorarão os assuntos da vida, da morte e do amor. Porque esta história, para dar um salto de Sócrates a Platão, é sobre o amor, sobre o amor que surge da amizade e da compreensão dos seres humanos.

Claro que o tema de um velho amargurado que se deixa enternecer por uma menina ou um menino não é nada novo. Pode-se pensar em Kolya, uma Lição de Amor (Kolja), filme checo dirigido por Jan Sverák, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1997. Ou também em O Profissional (Léon, de 1994), de Luc Besson, entre muitos outros. Mas a volta que o diretor Christian Zübert dá ao seu trabalho tem a ver com a Alemanha contemporânea, com esta relação de hoje em dia entre alemães e turcos. A mulher de Christian Zübert é turca, e é ali, nesse intercâmbio, nesse choque, nessa convivência amistosa, que se centra o diretor.

Three Quarter Moon, nesta sexta-feira, 8 de fevereiro. Diferenças, semelhanças, luas em quarto crescente, amizade, compreensão. O que você vê, quando vê o Max?

Para reapresentações, clique aqui.

arquivos
 

nuvem