Em Nome de Deus, ou a miséria e a sobrevivência

por max 21. setembro 2013 03:47

 

Enquanto os políticos afirmam, enquanto as forças policiais dizem estar fazendo algo, enquanto os grupos humanitários explodem as gargantas trêmulas de indignação, enquanto os meios de comunicação relatam, mostram e fazem negócios com a notícia, as vítimas de sequestro dos terroristas vivem uma agonia infinita. Sua miséria é infinita. E é aí onde se concentra o diretor filipino Brillante Mendonza (de quem já vimos outra obra no Max, Serviço - Serbis), na miséria da alma, no sofrimento e, sobretudo, na capacidade de sobrevivência do ser humano dentro desta miséria no filme Em Nome de Deus (Captive, 2012).

O trabalho do controverso diretor é baseado em histórias reais, no triste sequestro em massa que aconteceu nas Filipinas em 2001, pelo grupo separatista e radical islâmico Abu Sayyaf. O caso é conhecido como os sequestros "Dos Palmas", pois aconteceu no "Resort Dos Palmas", ao sul das Filipinas, na ilha de Palawan. Mendonza foca seu olhar na voluntária Therese Bourgoine, interpretada pela magnífica Isabelle Huppert. O grupo de estrangeiros de Therese é levado em uma precipitada e humilhante odisseia contemporânea, uma odisseia ao contrário, bizarra, que mostra que o único ato de heroísmo que resta diante das loucuras ideológicas é a sobrevivência. São pessoas reduzidas à humilhação e a realidade não tem nada a ver com idealismos nem discursos; a realidade é a selva, o calor, salitre, animais perigosos, longas caminhadas, fome, degradação, dor, tristeza. E ainda assim, há esforço para sobreviver. Brillante Mendoza se vale da câmera na mão, no formato documentário, para representar com crueldade a condição humana, os abismos e a grandiosidade que está no ato de seguir sempre adiante.

Em Nome de Deus, de Brillante Mendonza, domingo, 22 de setembro, com exclusividade, no Max. Lutas, política, realidade, miséria, dignidade humana, cinema mundial. O que você vê quando vê o Max?

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