O show deve continuar ou o negócio do sucesso

por max 17. abril 2011 19:57

 

 

Somente é possível ter sucesso de uma maneira. Dinheiro, fama, superficialidade, esgotamento, estresse, divórcio e solidão, são fundamentais para o sucesso. Claro, você também pode ficar quieto, se anular e continuar fazendo sucesso. Outros são consumidos pela paixão da arte. Tudo se abandona pela arte, a dedicação é total. Mas até onde essa paixão tem a ver realmente com a arte e não com o sucesso, com se destacar e com a fama? O sucesso está sempre lá, e não há como escapar. Como maquinaria da sociedade, o sucesso é uma armadilha, regula, controla qualquer rebeldia que venha da arte. Não há escapatória para o sucesso. Ele está sempre lá, levando-o pela mão, destruindo até você mesmo, se não se acalmar. A máquina controladora não aguenta muito tempo a exceção. O empresário, é engravatado e domesticado pelo sucesso, é silenciado e massificado. Mas o sucesso do artista é um excesso difícil de manter dentro de uns limites. A fim de dosificar, se necessário até mesmo destruir o mito do artista maldito. Para o artista, aplica-se Freud como a base do mito: o princípio do prazer leva ao desejo de morte. A não ser que você queira morrer, tome cuidado, porque ser um artista leva ao vício e à morte. O mito do artista maldito seduz e cria, em certos indivíduos, a necessidade de viver isso em primeira mão. Destrói os artistas em potencial, aqueles que ainda não foram,  aqueles que se rebelam só de boca, mas que ainda não começaram a fazer arte. O verdadeiro artista, o que tem obra, também não está livre do mito da auto-destruição. Porque esse mito no fundo tem um grande ponto de venda: em meio do caos, no tormento, na obsessão, cria-se em grande. Criar arte, destruir e se destruir. Não importa quanto dano me faça, não importa quanto dano faça aos outros, a arte vai prevalecer sempre acima de tudo. Arte, coisa sagrada. Arte, desculpa sagrada.

All That Jazz - O Show Deve Continuar (All That Jazz, 1979), grande musical de Hollywood vencedor da Palme d'Or em Cannes, filme clássico do cinema americano dirigido por Bob Fosse, é um filme autobiográfico que gira em torno da figura do artista "de sucesso" submerso nos vícios e já perdido neles, não encontrará redenção. Um retrato muito honesto do próprio Fosse na figura de Joe Gideon (interpretado por Roy Scheider) e que a partir de uma vida particular, torna-se universal, precisamente, para mostrar a relação do artista consigo mesmo e com a sociedade.

All That Jazz - O Show Deve Continuar na sexta-feira, 13 de maio continuando e coincidindo com o festival de cinema francês mais importante de todos os tempos, nada mais e nada menos que Cannes.

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