Com O Pátio de Minha Prisão, continua o ciclo de mulheres alfa no Max

por max 20. março 2012 08:34

 

Nesta quinta-feira, continuamos com os filmes protagonizados por mulheres alfa. Agora é a vez de O Pátio de Minha Prisão (El Patio de Mi Cárcel, 2008), primeiro longa-metragem de Belén Macías, que tem se destacado como diretora de séries de televisão espanholas.

Centrado no tema feminino, O Pátio de Minha Prisão contrapõe a disciplina da arte do caos à disciplina violenta da prisão, a sensibilidade do corpo feminino à rudeza do sistema. Em meio à aniquilação da alma e do corpo, em meio a essa situação que embrutece, um grupo de mulheres líderes, representadas principalmente por Isa, uma prisioneira (Verónica Echegui), e por Mar, uma carcereira (Candela Peña), decidiu dar sentido a suas vidas através do teatro, da arte. Seus corpos, por vezes tristes e sufocados, ganharão vida e voarão sobre os muros da prisão. A arte do teatro, a representação do mundo se transforma, então, em uma forma de liberação. Como em Hamlet, estas prisioneiras guerreiras se atrevem a fazer uma peça de teatro que trate de seus problemas carcerários, e isto, claro, aos olhos dos detentores do poder será uma insubordinação tão perigosa como qualquer outra. Em oposição ao controle obscuro, alheio e caótico da prisão, estas belas mulheres impõem o próprio controle, a luz de seus corpos e a ordem de uma disciplina artística. Esta história de prisão de mulheres não é qualquer história barata, é o drama, a paixão e o exemplo de um grupo de valentes mulheres contra as injustiças de um sistema.

O Pátio de Minha Prisão, nesta quinta-feira, 22 de março, no ciclo dedicado às mulheres alfa. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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O pátio da minha prisão, ou o corpo e a liberdade

por max 8. agosto 2011 03:38

 

Nas sociedades disciplinares, o corpo deve ser subjugado, limitado, educado para que a sua energia seja usada o mínimo possível, mas acima de tudo, com a finalidade de produzir, é de que seja eficiente. O mesmo se aplica as instituições, como é compreendido e explicado por Foucault em Vigiar e Punir. Instituições como locais de confinamento (quartel, escola, hospital, prisão) que visam criar um grupo falso que realmente isola o indivíduo dentro da massa. O corpo, em geral, é domesticado no registro técnico e político "para controlar ou corrigir as operações do corpo." Foucault diz que o corpo é "mais útil quanto mais obediente." Especificamente nas prisões, onde o indivíduo e seu corpo deve ser isolado, como Foucault aponta, a fim de "acabar com os tumultos e parcelas que podem se formar, evitar complicações futuras ou possibilidades de chantagem (o dia em que os detentos estão livres), impedir a imoralidade de tantas "associações misteriosas". "A prisão tem como estatuto prevenir a formação de uma "pequena nação" no coração de uma grande." Como sabemos, Foucault fez a sua análise sobre o nascimento da prisão e seu desenvolvimento na Europa, principalmente durante o século XIX. A questão é se isso é conseguido em nosso tempo e em alguns países onde o caos da prisão não é um sonho do século XIX.

A realidade para estes casos parece ser outra. Por um lado, o corpo não sofre um processo de treinamento onde trabalha a eficiência, porém a humilhação constante. O corpo é de pouco valor, sua higiene, as roupas que o cobrem, a sua comida, seu ataque constante na chamada busca. Na prisão das mulheres poderia ser pior. Porque sem dúvida, o corpo feminino sempre foi cercado por mais mistério, mais tabu, mais discrição. Assim, o corpo nas prisões não é produto de disciplina, porém da violência do poder, e por outro lado, do lazer. A superlotação está a favor desses itens. A idéia da correção desaparece completamente. Na prisão, o infrator não vai reconsiderar seu crime, a solidão é a alienação, não são purificação espiritual. No caos da superlotação, o poder não pode fazer nada, você perde o controle. Aqui só existe o "país pequeno", o interior, com suas próprias leis. Então, quando os guardas estão envolvidos, são como máquinas de guerra, máquinas violentas, agressoras. Qualquer individualização coercitiva está perdida, a combinação terrível de outros poderes é possível. Lá, o indivíduo é novamente uma coisa, mas uma coisa ainda menos valiosa do que o corpo disciplinado, porque o corpo disciplinado é útil para a sociedade, aqui, o corpo do lazer só é útil para os interesses daqueles que mandam. Não desaparece o que Foucault chamou de emprazamento funcional, ou seja, a idéia de prisão como área utilitária, que porém é transformada. A prisão e os corpos encontrados lá permanecem rentáveis, para a escuridão, para as coisas que não são claras. Que possibilidades existem, então? O pátio da minha prisão (El Patio de mi Cárcel, 2008), de Belén Macías oferece alguns olhares diferentes, um pouco de esperança sobre este assunto. Centrado na questão das mulheres, Belén Macías apresenta a oposição da arte ao caos e a disciplina violenta da prisão. A solução está na educação, em incluir estas mulheres em outra disciplina, desta vez a teatral. O corpo no teatro se transmuta, concentrando-se, fazendo exercício, vem a calhar. Ao mesmo tempo, o teatro é perigoso. É uma forma de parceria de corpos, é uma forma de libertação das mentes. O corpo é útil no teatro, é útil para pensar, e é útil para denunciar. Eles são um grupo, um coletivo "social" conhecido por se opor ao poder coletivo criminoso e estuprador, um grupo social, que pensa ter encontrado o caminho da liberdade dentro da disciplina do teatro, dentro da prisão e seu caos, e além disso, sendo mulheres.

O pátio de minha prisão, quarta-feira, 10 de agosto, na Max.

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