Sem Açúcar, ou a comédia romântica a la Bollywood

por max 27. dezembro 2011 06:30

 

Faz pouco tempo que Veena Malik desapareceu. Quem é Veena Malik? Uma atriz belíssima, uma daquelas atrizes lindas que Bollywood tem dado ao mundo, Veena, a bela Veena, tirou algumas fotos nua (ou seminua) para uma revista na Índia, e para completar, mostrando uma tatuagem da ISI, o serviço secreto paquistanês. O escândalo foi em dobro, pois Veena vive em Mumbai e é de origem paquistanesa. Veena, para evitar problemas, colocou uma burca e foi para o Paquistão renovar seu passaporte. Mas quando a descobriram, o mistério acabou. Não aconteceu nada com a atriz, mas a história de Veena Malik diz muitas coisas sobre a Índia e Bollywood. Em primeiro lugar, muitas das atrizes de Bollywood são belíssimas; sem segundo lugar, a Índia continua sendo um lugar onde algumas ousadias são consideradas fortes afrontas à moral e à religião. O cinema que Bollywood faz é um cinema comercial, sem dúvida, muito popular, que se concentra no romance, um pouco na comédia e muito na coreografia, na dança. O cinema feito em Mumbai, desde o começo, por volta dos anos 40, caracterizou-se por buscar esses aspectos da imaginação mais próximos do romantismo asséptico, cândido e claro com seu toque de maniqueísmo, onde o bem e o mal estão claramente identificados. Com o passar dos anos, a fórmula vem sendo mantida, mas obviamente a modernidade tem se infiltrado pouco a pouco. Nos últimos anos, um filme como Sem Açúcar (Cheeni Kum, 2007) já mostrava e criticava novos aspectos culturais e sociais. Neste caso, trata-se de um filme de R. Balki, um importante diretor criativo, que com seus conhecimentos de cinema publicitário, nos presenteia com um filme bom de ver, centrado, claro, no tema amoroso, mas com suas variantes. Um chefe chamado Buddahev Gupta (Amitabh Bachchan) fica anos em Londres, dedicado única e exclusivamente ao seu restaurante. Na vida, nada mais interessa a ele. É um homem amargurado, obsessivo, mas, é claro, aparece em sua vida uma bela mocinha. Ele tem 64 anos, ela 34. Nina (interpreta por Tabu) é belíssima, elegante e delicada. O chefe apaixona-se e isso muda sua vida toda, mas então surge um pequeno problema: ele precisa viajar para a Índia para pedir a mão da moça em casamento ao pai dela, um homem tradicional que não pensa em aceitar, em nenhuma circunstância, que sua filha se case com um homem mais velho. Aqui, como veremos, entra um novo elemento da modernidade, a crítica social em função da história, o que dá ao filme um sabor de originalidade que faz com que ele se destaque dos demais da sua espécie. Assim, Sem Açúcar se apresenta a nós como uma comédia romântica feita em Bollywood, muito bem dirigida e com seu toque de originalidade e disjuntiva social, que se separa do social.

Isso sim, não resta dúvida, é o que fica quando se trata de misturar ingredientes, o amor não conhece as diferenças, e isso é o que nos apresenta R. Baki nesta comédia da Índia para o mundo.

Sem Açúcar, último filme do ciclo Sensos de Humor, nesta sexta-feira, 30 de dezembro, no Max.

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