A Separação, poderoso filme iraniano ganhador do Oscar, no ciclo Na Mira do Oscar

por max 24. fevereiro 2014 10:34

 

Em A Separação (Jodaeiye Nader az Simin, 2011), do cineasta iraniano Asghar Farhadi, vemos um casal de origem da pequena burguesia que entra em conflito. Ela, Simin (Leila Hatami), não quer continuar vivendo em seu país, deseja para sua filha um mundo melhor, mais moderno. Ele, Nader (Peyman Moadi), tem um pai idoso e com Alzheimer; acredita que não podem ir. O casal decide pedir ajuda a uma espécie de juiz de paz que parece ter muito mais poder que os que conhecemos no ocidente. O juiz diz que não há razões suficientes para partir. Simin, com raiva, abandona o marido e a filha. É aí que aparece Razieh (Sareh Bayat), uma mulher muito religiosa de classe baixa. Razieh está grávida e trabalha sem o consentimento do marido. Nader, solitário e chefe de família, a contrata para cuidar de seu pai. Um dia, o velho foge e Razieh terá que ir atrás dele, fugindo da multidão, nervosa. Ao encontrá-lo, ela o amarra na cama; até que Nader chega. Razieh é demitida, mas depois volta exigindo o pagamento pelo trabalho realizado. Nader se nega a pagar e, na discussão, ela cai da escada. Ela sofre um aborto e culpa Nader, diz que ele a empurrou. E então começa um processo legal e não tão legal que tem a ver com a culpa do aborto. Quem é o culpado? Seria Nader em sua fúria ao demiti-la, o marido violento ou alguma outra coisa que não sabemos? É possível negociar? O que vale mais, a crença religiosa, a verdade ou o dinheiro?

Sob a batuta de uma direção firme e que não busca efeitos e nem sentimentalismos baratos, A Separação apresenta um interessante ponto de vista sobre a cultura iraniana, sobre a religião, a tradição familiar, a moral e a modernidade se misturando sobre as vidas das pessoas deste país, gerando, muitas vezes, conflitos complexos que parecem não ter nenhum sentido, mas que atormentam a alma de quem os sofrem. Em outras partes, em outros países, sem dúvida, pessoas vivem vidas que não imaginamos.

A Separação, ganhador de três Ursos de Ouro em Berlim, um Globo de Ouro e, claro, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2012.

Aproveite este poderoso filme, segunda, 24 de fevereiro, dentro do ciclo que faz uma prévia aos prêmios da Academia, Na Mira do Oscar, no Max.

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A separação, ou entre a vida e a Lei

por max 11. agosto 2013 06:21

 

O drama geralmente acontece por conflitos internos, por esgotamentos pessoais, pelas crises individuais, ou melhor, pelas situações limite. Em A Separação (A Separation, 2011) de Asghar Farhadi, a trama da história não é dada somente por esses conflitos entre os personagens, mas também por uma forte marca da cultura e do Estado. Estamos no Irã, diante de uma poderosa consciência do pecado e da Lei religiosa que é a Lei de Direito do Estado. Entre estes dois pilares que marcam o comportamento das almas, movem-se as ações de dois casais. Um, da pequena burguesia, o outro, da classe baixa. O primeiro casal entra em conflito. Ela, Simin (Leila Hatami), não quer continuar vivendo em seu país, deseja para sua filha um mundo melhor, menos fechado, mais moderno. Ele, Nader (Peyman Moadi), também quer a mesma coisa, mas pensa em seu pai, que é muito idoso e está com Alzheimer. O casal recorre à Lei para superar o conflito. A Lei diz que não há razões suficientes para ir embora, que devem ficar. Simin é contra a opinião e abandona o marido e a filha. Assim começa a separação. Uma separação que não será somente do casal, que não acontecerá somente na instituição matrimonial – que é sagrada e, portanto, fundamental para o Estado teocrático, mas que também dará lugar a uma separação do que é a vida real com respeito à vida conjugal, recomendada, ordenada, dirigida pela Lei. Trata-se de uma separação das esferas religiosas e mundanas, uma separação do pecado e do profano, uma separação do antigo e do moderno. Quando Simin vai embora, Nader, um homem moderno e ocupado com seus trabalhos no escritório, tenta conseguir uma enfermeira para seu pai. Então aparece Razieh (Saré Bayat), uma mulher muito religiosa de classe baixa. Razieh está grávida e é casada com um homem muito violento, brutalizado por certos fundamentalismos, e que fica com raiva quando descobre que ela está trabalhando. Ali estão outros conflitos, outros processos de separação do código ou da Lei. Razieh trabalha sem o consentimento de seu marido e sofre um aborto. Aborto acidental, mas é um aborto. Depois também começa um processo legal que tem a ver com a culpa do aborto. Quem o provocou? Seria Nader em sua fúria ao demiti-la (pois encontrou seu pai amarrado à cama no horário que Razieh deveria cuidar dele) ou o marido violento? Assim, ao longo do filme, temos essa dialética: a do mundo real e a desse mundo que deveria ser dominado pelos céus. Entre as duas águas, o drama do filme se move com excelentes atuações e com muita confiança, graças a uma direção que não se apressa e que não busca sensacionalismo ou sentimentalismos baratos.

A Separação, ganhador de três Ursos de Ouro em Berlim em 2011, sete prêmios César na França, além do Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2012.

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