A Solidão dos Números Primos, ou a beleza da tristeza

por max 25. julho 2013 08:03

 

Existe algo entre solidão e destino, algo entre dor e solidão e destino, algo entre destino e matemática. Algo sobre números primos no final, e o mundo no meio. Esta é uma dessas histórias que nos fazem pensar que realmente nossas vidas estão marcadas desde o início e que, por mais que lutemos, nunca poderemos desfazer esse caminho que já está marcado, para o bem ou para o mal, mas sempre, de alguma maneira, para a beleza. A Solidão dos Números Primos (La Solitudine Dei Numeri Primi, 2010) de Saverio Costanzo (Em Minha Memória – In Memoria Di Me; Privada – Private), filme baseado no primeiro e bem sucedido romance de Paolo Giordano, recria a história de Mattia (Luca Marinelli) e Alice (Alba Rohrwacher), dois personagens muito particulares, muito solitários, que não têm uma vida fácil em suas relações sociais (dois números primos gêmeos separados por outro número, pelo mundo). O interessante de tudo isto é que, tanto o livro como o filme, trabalha com cuidado a beleza da linguagem. Estamos falando, de algum modo, de uma bela história de amor, particular, estranha, triste, mas bela. E há outra conexão que não devemos deixar de lado: a que existe entre a tristeza e o belo. O romantismo exaltou essa associação. A necessidade de procurar internamente para exaltar o que a razão não pode ver, levou os românticos a celebrar a beleza do abismo sublime, mas também a beleza profunda da tristeza. No entanto, se relacionarmos melancolia com tristeza, podemos remontar aos gregos e até às ideias supostamente aristotélicas (em tal caso que atribuímos "Problema XXX" a Aristóteles) que relaciona a melancolia com os artistas, com as pessoas sensíveis e com a arte, sem dúvida. Essa ideia do triste e do belo tem sua vertente, seus adeptos, sua força. Gosto de fazer referência a um texto de Osho que se intitula "É possível celebrar a tristeza?". Há uma frase magnífica que diz: "Note: Quando você está feliz você não é tão profundo como quando você está triste. A tristeza tem profundidade; a felicidade tem algo de superficial. Observe as pessoas felizes." Aos que afirmam ser felizes, diz Osho neste texto, vocês vão encontrar insipidez, superficialidades. Não tem profundidade. "A felicidade é como as ondas, apenas superficiais; levam uma vida trivial. Mas a tristeza tem algo de profundo". A Solidão dos Números Primos tem muita celebração da tristeza carregada de beleza e, claro, da matemática do destino. Aí está: os tristes como os belos, como os justos, deles é o reino da arte, este é o destino deles. Ou você já viu alguma vez um romance ou um filme onde gente bela e feliz é absoluta e protagonista de uma grande história profundamente humana?

A Solidão dos Números Primos, sábado, 27 de julho. Beleza, melancolia, arte. O que você vê quando vê o Max?

Para reapresentações, clique aqui.

arquivos
 

nuvem