Imagine: John Lennon, ou a luz de uma estrela

por max 18. julho 2012 04:09

 

Muita coisa já foi dita sobre os últimos dias da vida de John Lennon. Há versões mais sombrias que dizem que Lennon era um prisioneiro de Yoko Ono e de seus próprios vícios lá em Nova York. Que não fazia mais nada além de consumir drogas e perambular de um lado para o outro na casa, enquanto sua mulher negociava sua imagem. Que ele era um trapo, que era uma marionete desconjuntada, fechado em seu quarto no edifício Dakota, dando pouca atenção a Sean, seu segundo filho. Certamente, há outras imagens de Lennon, muito mais luminosas que mostram um homem mais tranquilo, caseiro, pai preocupado com seu pequeno Sean, próximo inclusive do seu outro filho, Julian, e que deixou bem longe sua separação da primeira mulher e seu período de excessos na cidade de Los Angeles junto com estrelas como Elton John ou David Bowie (seu conhecido final de semana de loucura, que durou uns 18 meses).

O documentário Imagine: John Lennon (1988) sai exatamente no mesmo ano em que foi publicada uma biografia imensamente esperada de Lennon, preparada durante sete anos. A biografia The Lives of John Lennon, de Albert Goldman, apresentava um Lennon esquizofrênico, viciado em drogas, homossexual, manipulador e até mesmo assassino. Um golpe baixo muito claro e perigoso à figura de um homem que já estava morto. Imagine: John Lennon, dirigido por Andrew Solt, em seguida, veio então mostrar o lado luminoso do artista.

O documentário centra-se em sua vida privada e em sua carreira solo, e vai alternando, guiado pela locução do próprio Lennon, coisas divertidas da sua infância, a relação com sua mãe, sua idolatria por Elvis, seu problema com os vícios, seu casamento com Yoko Ono e seu papel como pai, sua luta pelo pacifismo, sua rebeldia e, em segundo plano, coisas do início com a banda, suas declarações controversas, a conquista da América e a separação da banda. Tudo com muito material inédito, sem dúvida, para combater aquela terrível avalanche de detalhes sombrios que havia caído sobre o ídolo com a biografia de Goldman. Lennon, por sorte, havia dado uma grande quantidade de entrevistas em áudio nos últimos anos e, como se estivesse pressentindo seu fim, falou profundamente de muitos assuntos de sua vida. Isso, somado aos arquivos audiovisuais pessoais de Yoko Ono e Lennon, permitiu que o documentário de valor fundamental na história da música fosse realizado. Assim sendo, além de qualquer especulação, este documentário e seus momentos musicais ficam como um tributo emocional e abrangente da vida de um dos grandes expoentes da música do século XX.

Imagine: John Lennon, quinta-feira, 19 de julho. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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