Espaços Inacabados: A História da Escola de Artes de Cuba, ou a arte e a política entre espaços inacabados

por max 27. agosto 2013 04:17

 

A Revolução cubana apenas começava. Fidel e Che eram a glória e percorriam o país sobre carruagens de triunfo. Um dia, em Havana, visitaram um campo de golfe, desses que pertenciam à burguesia, ao capitalismo, aos Yankees. Fidel ficou impressionado com a beleza do lugar, poucas horas depois faria declarações. Naquele terreno, como em poucas vezes antes, seria construído um lugar para a arte e para o povo, uma grande escola de arte que envolveria a dança, o ballet, o teatro, a escultura, a pintura. Três jovens e inovadores arquitetos, Vittorio Garatti, Ricardo Porro e Roberto Gottardi, receberam a missão de transformar o sonho em realidade. Seu design, muito moderno, muito atual, estava cheio de espaços abertos, curvas, cúpulas, fantasia. Sem dúvida, o edifício era para ser uma verdadeira obra de arte para o novo homem, o homem surgido a partir da única e verdadeira ideologia que levaria a humanidade a um amanhã melhor, a utopia perfeita e realizada. Trabalharam rápido, titanicamente, trabalharam na velocidade da modernidade e de todas as revoluções que pretendiam mudar o mundo. Mas toda aquela beleza, toda aquela alegria dos primeiros dias da Revolução, tudo aquilo passou para outro plano. A política sempre pode mais, a política sempre é mais imediata e urgente. A arte fica para trás, em segundo plano, do mesmo jeito como ficou o sonho da academia de artes que Fidel anunciou. Logo os interesses mudaram, de repente a sóbria ou sombria arquitetura soviética prevaleceu, logo a diferença era pecado – na revolução tudo é uniforme, e até mesmo Che Guevara escreveu um artigo condenando o projeto arquitetônico da escola de arte. Depois, os arquitetos foram acusados de algo, julgados e condenados por algo. Mas nunca foi dito e tudo está estático, pela metade.

É essa Cuba que o documentário Espaços Inacabados: A História da Escola de Artes de Cuba (Unifished Spaces, 2011), de Benjamin Murray e Alysa Nahmias, aborda. Sobre essa revolução, sobre essa força de arte e sobre a Cuba sonhada que nunca deixou de ser e que hoje vive no simulacro de suas ideias. Com o retorno dos arquitetos para terminar o projeto várias décadas depois, os cineastas fazem o mapeamento dos primeiros anos da revolução, como se passa da alegria para as suspeitas sombrias, de como a Guerra Fria se instalou, assim como esse lento congelamento no tempo que dura até hoje. Um edifício, uma metáfora de um país, o poder da arte.

Espaços Inacabados: A História da Escola de Artes de Cuba, terça, 27 de agosto. Documentários de primeira, história, alma humana. O que você vê quando vê o Max?

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