Mau Dia Para Pescar, ou as oportunidades da vida

por max 30. agosto 2011 04:14

 

Há momentos em que as pessoas morrem, nestes tempos, pessoas que não pertencem mais ao presente, muito menos ao futuro. Todos, pouco a pouco, vamos ser assim. O mundo nos deixa atrás de uma forma ou de outra. Talvez esse desejo do homem moderno, de ficar na adolescência perpétua é um reflexo deste medo de ir desaparecendo. Orsini e Jacob Van Oppen, do filme Mau Dia Para Pescar (2009) partilham esta característica. Eles são personagens que estão desaparecendo, pessoas do passado. Eles têm que fazer as rondas dos seus shows em pequenas cidades na América Latina, onde o presente leva mais tempo para chegar, onde o futuro tem a mesma cara de ontem. O primeiro longa-metragem do jovem diretor uruguaio, Alvaro Brechner (direção, produção e roteiro adaptado), se concentra em dois personagens que vivem ancorados no passado, que inventam histórias sobre o seu passado. Orsini (Gary Piquer), afirma ser um príncipe, um descendente nobre de uma família nobre italiana, Jacob (Jouko Ahola) é um ex-lutador campeão. Rodeados pela decadência, pela falta de ter um lugar no mundo, são forçados a se tornarem pequenos trambiqueiros, cheios de tristeza. Sua necessidade é sobreviver, sobreviver de pé mantendo algo da dignidade do seu passado. Sua necessidade é também manter a dor adormecida. O álcool e a mentira ajudam nisso.

No entanto, quando surge a oportunidade, aparece novamente o desejo de se reconstruir, de deixar a fantasmagoria. A alma precisa dar valor ao corpo dentro do qual ela se move. Você deve salvar o corpo para salvar sua alma. O corpo não deve mais ser um fantasma, você deve se sentir orgulhoso de si mesmo, ele deve encontrar um desafio e enfrentar o desafio no ringue da vida. As novas oportunidades para fazer que a vida tenha sentido, nunca são muitas. Deixá-las ir, se elas vierem, significaria a morte definitiva. Deixá-las entrar, também poderia significar a morte, a derrota final. E é este o ponto, onde a nova oportunidade do campeão aparece, quando se estabelece o conflito entre os dois personagens. O desafiador (Roberto Pankow), com quem Jacob vai se enfrentar é um jovem de vinte anos de idade que é chamado de "O Turco". Ele é alto, forte, jovem e precisa do dinheiro do desafio para sustentar o seu casamento. Sua jovem e teimosa esposa está grávida (Antonella Costa). Mas Jacob persiste em seu retorno à vida e Orsini finge para protegê-lo do fracasso, à custa do que for. A vida não é fácil. Em "Jacob e os outros", conto de Juan Carlos Onetti, em que o filme está baseado, aparece esta frase: "A vida sempre foi difícil e bonita."

Mau Dia Para Pescar é uma fábula, um picaresco, um western, uma adaptação cinematográfica de Onetti, uma peça mágica, muito agradável, e a Max apresenta esse filme, para que possamos assisti-lo, na terça-feira 30 de agosto.

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