O mundo de Roger Corman, ou essa fibra profunda de nossa alma

por max 19. agosto 2013 12:24

 

Quando você se senta para lembrar de um filme antigo, aquele que te impressionou pelo terror, apesar de você se lembrar de efeitos especiais ruins, então você está lembrando de Roger Corman. Isso, essa clara situação na memória de uma história de Edgar Allan Poe, estrelada por um homem jovem que logo é reconhecido como Jack Nicholson, esse posicionamento nítido (diria um expert em marketing) é o império de Roger Corman sobre todos nós. Os filmes de Roger Corman foram produzidos há muito tempo (embora ainda ele esteja produzindo), ocorreram em uma época em que você não se interessava em saber o custo e quantos efeitos computadorizados foram inseridos em apenas poucos segundos, uma época em que você se assustava de verdade, mas ao mesmo tempo se sentia protegido na tranquilidade do seu lar, no sofá, ou debaixo do cobertor em sua cama. Roger Corman pertence a um tempo sagrado em que fomos mais felizes, em que ainda éramos capazes de nos assustar. Esse é seu verdadeiro alcance. Quando levamos o pensamento até Corman, também vamos a uma área de nossa alma que está intacta.

Existem outras explicações, é claro, que têm a ver com a história, com a rebeldia, com o cinema independente. Corman queria fazer filmes que ele gostasse para pessoas que queriam ter um bom momento. Isso também é o que Hollywood quer. A diferença é que Corman não se deixava levar pelos grandes executivos. Nosso homem lenda fazia as coisas distantes deles. Fazia seus roteiros, conseguia cenários (geralmente a partir de outros filmes e que ele usava sem problemas), gravava em tempo recorde e era um excelente caçador de jovens talentos, entre eles, Jack Nicholson e Martin Scorsese.

O documentário O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood (Corman's World: Exploits of a Hollywood Rebel, 2011), de Alex Stapleton, fala deste cineasta lendário que em sua época chegou a dizer que havia produzido mais de cem filmes sem gastar um centavo. Na realidade, agora são mais de quatrocentos... Sem gastar um centavo. E lá estão para fazer homenagem, aqueles que devem a ele e que deveriam a ele a paixão e a praticidade da arte (Tarantino, Scorsese e Nicholson, entre outros).

Não há dúvidas, é difícil encontrar um homem prático hoje em dia. Um homem que é como é, não tem nenhum protocolo, nem esnobismo, nem ostentação. Roger Corman é este tipo de homem, esse que quis fazer filmes e ganhar dinheiro com isso, sem se enganar com intelectualismo, sem alegar que estava fazendo a sétima arte. Como diria Foucault, eu acho, Corman se preocupava mais em cuidar de si mesmo do que conhecer a si mesmo. Ele já se conhecia, ele queria se cuidar, ser prático, se ocupar estando bem e fazendo o que gosta: criar filmes engraçados, que chegam às profundidades de nosso espírito imortal. A essência do que os outros pretendiam com temas mais inteligentes e falharam. O bom cinema é para poucos.

O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood, terça, 20 de agosto. Cinema B, biografia, arte, rebeldia, entretenimento. O que você vê quando vê o Max?

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