Ciclo especial de Christopher Lee, seus anos na Hammer

por max 2. março 2011 11:18

 

 

Para o vampiro o seu passado é vital. Os vampiros precisam do seu passado porque eles não têm futuro. Porque eles vivem em um eterno presente. No passado estavam vivos, no passado tinham a memória da qual precisam. Assim fogem do esquecimento. O passado é orgulho e, ainda mais no caso dos vampiros que vêm da nobreza, o passado os separa da raça humana. Quando não era um vampiro, aquele homem estava por cima do resto dos mortais. Era nobre, tinha  bondade, beleza e perfeição dentro dele. Também foi Guerreiro, lutou pelo seu povo, pelo seu país e também pelo seu Deus. Assim, o nobre guerreiro e o nobre guerreiro com antepassados guerreiros levavam no seu sangue (o sangue, repito) a sua individualidade da multidão. Tinham no sangue o orgulho, a força, o gosto e a sensibilidade que os tornava diferentes de outros seres humanos.

Falar de Christopher Lee, um dos atores vampiros mais famosos da história do cinema, é falar, precisamente, de um homem com um passado onde existe o chamado sangue azul. Lee era filho da Condesa Estelle Marie Carandini di Sarzano e do Tenente-Coronel Geoffrey Lee Trollope. Seu pai esteve na Guarda Real Britânica e foi condecorado na Guerra dos Bôeres e na Primeira Guerra Mundial. Sua avó materna foi a soprano Marie Carandini.  A família Carandini é uma das mais antigas da Europa, relacionada com Carlos Magno e com o Imperador Frederico Barba Vermelha. Então, como os vampiros, Christopher Lee também transportava sangue azul, também tinha um passado orgulhoso. Lee chegou a dizer, quando soube que sua avó tinha sido uma soprano, que levava a arte de atuar em suas veias. Em seu sangue. Lee, deixe-me dizer, estava destinado desde seu início, para seus papéis de vampiros. Lee era um vampiro perfeito antes de assinar seu contrato com a Hammer Productions em 1956.

Os filmes da Hammer foram de baixo orçamento, mas com enorme sucesso de bilheteria (naqueles anos Corman estava começando). Lee estava lá desde o início. Seu primeiro filme de terror com a Hammer foi The Curse of Frankenstein (1957), onde Lee interpreta o monstro de Frankenstein com Peter Cushing no papel de Victor Frankenstein. Cushing, que também é especializado em filmes de terror e detetive (lembre-se que era um sublime Sherlock Holmes), se tornaria um dos grandes amigos de Lee. Sabemos que Boris Karloff, ator britânico, é o mais conhecido monstro de Frankenstein. Seu papel em 1931, está imortalizado para sempre. Lee veio ocupar um espaço já conquistado. No ano seguinte, em 1958, iria interpretar seu primeiro Drácula. A figura do morto-vivo, lembre-se, também foi interpretada antes, em 1931, por Béla Lugosi. Mas Lee esteve muito bem em seu papel como Drácula. Ele tinha uma educação refinada, o físico, a voz. Drácula e Christopher Lee foram feitos um para o outro. Tanto que chegou a interpretar sete vezes o papel de Drácula para a Hammer, o que fez dele um dos mais memoráveis vampiros nobres da história do cinema.

Este mês, Max preparou uma série especial dedicada ao grande Christopher Lee. Cinco filmes do seu tempo com Hammer Productions, o seu período de ascensão, apogeu (e queda) nos filmes de terror.

Na segunda-feira 7 começará o ciclo com A Múmia (The Mummy, 1959). Quem viu A Múmia, de 1999, estrelado por Brendan Fraser viu a versão moderna do filme original, estrelado por Lee no papel de sacerdote egípcio Kharis (que é por sua vez, a múmia), e Peter Cushing no papel do arqueólogo ( Brendan Frazer na versão contemporânea.) Em grande parte do filme, Lee teve de suportar um grande peso, por causa das bandagens. Como podia se mexer pouco, procurou se concentrar em seus olhos. A crítica recebeu esta interpretação "minimalista", com grandes elogios. Paradoxalmente, devido à limitação das bandagens, considera-se que Lee teve um ótimo desempenho, um dos melhores de sua carreira. O filme é dirigido por Terence Fisher, também britânico, com quem Lee  iria trabalhar a maioria de seus filmes de vampiros.

Na terça-feira 8 aproveite A Maldição de Frankenstein (The Curse of Frankenstein, 1957), filme ao qual já nos referimos, também dirigido por Terence Fisher. Com A Maldição de Frankenstein não só começou  a carreira de Lee, também começaram os clássicos da Hammer. Filmes de entretenimento, barato, com atores de primeira e que produziam um monte de dinheiro. Os produtores viram a partir desse filme a galinha dos ovos de ouro e não a soltaram por um tempo.

Na quarta-feira 9, O Vampiro da Noite (Horror of Dracula, 1958). Enquanto A Maldição de Frankenstein, foi muito importante para o ator, com O Vampiro da Noite finalmente começou a sua carreira como mestre no papel de Conde de grave. Baseado,  é claro, na história de Bram Stocker, o filme toma suas liberdades para criar um ritmo mais cinematográfico, mais próximo do público da sala. Mais uma vez, temos a direção de Terence Fisher e a presença de Peter Cushing, interpretando belamente o arqui-inimigo de Drácula, o muito particular Dr. Van Helsing.

Na quinta-feira 10, aproveite Drácula, O Príncipe das Trevas (Dracula, Prince of Darkness, 1966). Mais de Terence Fisher, desta vez sem Cushing. Transylvania, porões escuros, quatro vítimas, um padre e, naturalmente, mais de Lee como vampiro. Mas sem falar. Porque é assim, neste filme, Lee não fala. Por quê? Alguns dizem que para dar mais poder à atuação de Lee (como no filme que faz a múmia), outros dizem que Lee teria odiado o diálogo do roteirista Jimmy Sangster. A verdade é que o filme é quase um milagre, porque Lee pensava renunciar. Mas quando a Hammer disse a ele que então o filme seria cancelado e as pessoas perderiam os seus empregos, o ator aceitou o papel de novo. Nada pesa mais do que uma consciência culpada.

Na sexta-feira 11, Os Ritos Satânicos de Drácula (The Satanic Rites of Dracula, 1973). Este é o último filme da Hammer sobre o tema dos vampiros. Aqui não temos mais Fisher, o diretor é Alan Gibson, mas temos Cushing no papel de Van Helsing, ou melhor, um descendente do grande Van Helsing (interpretado por Cushing em outros filmes, é claro) Ele investiga em Londres uma série de assassinatos com toques de vampiros. Por trás desses crimes está o Conde Drácula (Lee, é claro), que também tem um plano para irrigar sua doença pelo mundo todo.

Após este grupo de filmes, as histórias de vampiros e o próprio Lee tinham cansado a platéia. Tanto que, três anos depois, em 1976, Lee estaria fazendo Drácula em tom de comédia no filme Dracula and Son. Só ficava invocar o desprezo pelo personagem de nobre passado que tornou tão famoso esse ator de passado, também nobre.

Para encerrar, quero dizer que no sábado, 12, Max criou para nós um lote delicioso com os cinco filmes da semana. Um banquete de sangue, sem dúvida.

Em março, descubra Christopher Lee.

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