Nesta quinta-feira, sessão dupla de Ultraman

por max 22. novembro 2012 07:08

 

Há pouco tempo vi Frankenweenie (2012), o longa-metragem de Tim Burton inspirado em seu próprio curta. No filme, Toshiaki, o garoto japonês, ressuscita seu bichinho de estimação através do método descoberto por Victor. A tartaruga revive, mas transforma-se em uma tartaruga gigante. Seu aspecto, mais do que de tartaruga ninja, passa a ser de dinossauro. Mais do que dinossauro, Godzilla. Porque, além disso, o grito daquela tartaruga gigante e maléfica é o mesmo grito de Godzilla na série. No filme de Burton se subentende, ou melhor, se diz claramente, que o resultado da ciência pode ser bom ou mal, dependendo do que tenha no interior quem a realiza. Victor ressuscita Sparky por amor, e Sparky acaba sendo um magnífico cãozinho Frankenstein. Pelo contrário, Toshiaki e sua turma só querem experimentar o que aprenderam na aula de ciências da escola e suas criaturas ressuscitadas viram monstros, seres obscuros, tão obscuros quanto suas almas. O caso de Toshiaki não deixa de ser interessante. O que sai de seu interior não é somente maldade, mas sim uma metáfora da alma de um país que teve ambição, que jogou para ganhar e perdeu. Os monstros da cultura japonesa são a metáfora de sua ruína, de seu mundo destruído na guerra. Seus monstros são sua obscuridade. Não necessariamente maldade, mas sim obscuridade. Lembremos que o criador de Godzilla, Ishiro Honda, esteve sempre firme em sua famosa criação inspirada nas abundantes provas da bomba de hidrogênio que os americanos lançaram no atol Bikini na Micronésia. A intenção de Honda era protestar contra as armas nucleares.

Agora, enquanto Godzilla nasce desse protesto contra a corrida atômica, caberia perguntar de onde sai a série Ultraman, que estreou no final dos anos 60 (cabe esclarecer que há o antecedente Ultra Q). Será que há, ainda, nessas histórias de Ultraman, remanescentes dos monstros nucleares, ou será que trata de algo diferente? Certamente, não podemos apagar a herança, a tradição, mas o diretor Akio Jissoji, ao falar de seus monstros, faz referência a outra dor, a outra obscuridade. Jissoji chegou a dizer que suas criaturas eram símbolos da natureza. Nos anos 60, o Japão conheceu um progresso imenso, e o urbano começou a ocupar cada vez mais espaço. Jissoji concebia, então, seus monstros como uma maneira de protestar contra o crescimento desmedido da modernidade contra a contaminação, contra a racionalidade antiecológica. Ali, os monstros destruíam edifícios com prazer. São monstros vingadores, são a natureza que reclama. Claro que, para salvar a humanidade de seus próprios excessos, chega um ser de outro planeta. Não há outra opção: os humanos não sabem proteger-se de si mesmos. Assim nasceu Ultraman e, desde então, não parou de multiplicar-se em uma quantidade significativa de versões para televisão e cinema com as séries Ultra, e sempre com a assinatura da Tsuburaya Productions.

Nesta quinta, o Max traz uma sessão dupla de Ultraman com dois filmes da franquia: Ultraman – Mega Batalha na Galáxia Ultra (Mega Monster Battle: Ultra Galaxy Legends, 2009) e Ultraman Zero: Vingança de Belial (Ultraman Zero:The Revenge of Belial, 2010).

Ultraman – Mega Batalha na Galáxia Ultra é uma história de dimensões bíblicas onde o terrível anjo caído Ultraman Belial (belial, em hebraico, tem significados relacionados a corrupção) é liberado pela raça maléfica dos Rayonix, donos da lança Giga Battlenizer, com a qual Ultraman Belial poderá controlar 100 monstros, derrotar a raça Ultra e apoderar-se do Cetro de Plasma, fonte de energia da civilização Ultra. O Universo estará em perigo e somente um humano com herança Rayonix poderá acabar com a ameaça.

Ultraman Zero: Vingança de Belial dá continuidade à história anterior e é, além disso, o filme que foi lançado para celebrar os 45 anos da franquia da série Ultra. Belial, vencido no filme que precede este, volta ao ataque. Desta vez, reuniu um exército imenso e está pronto para dominar o Universo. Porém, Ultraman Zero é enviado para uma dimensão mais distante onde Belial se esconde e acumula energia. Lá, o sol não tem a força suficiente para dar-lhe energia, então seu pai, Ultraman Seven, oferece um bracelete que dá força multiplicada por três. Com as limitações daquele bracelete, Ultraman Zero terá que buscar o mítico escudo de Baradhi e, finalmente, enfrentar Ultraman Belial, antes que este se apodere do Universo.

Lembre-se, nesta quinta-feira, dupla sessão de Ultraman: Ultraman – Mega Batalha na Galáxia Ultra (2009) e Ultraman Zero: Vingança de Belial (2010).

Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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