96 Minutos, ou girando nos fragmentos trágicos

por max 19. setembro 2013 07:45

 

96 Minutos (96 Minutes, 2011) da estreante Aimee Lagos, é baseado em histórias reais e apresentado sob uma estrutura fragmentada para contar um instante, um terrível instante na vida de quatro jovens, dois garotos e duas garotas, que se unem por uma tragédia. Sem dúvida podemos ver nesta estrutura, nesta união trágica de seres que não se conhecem, a influência de Amores Brutos (Amores Perros, 2000) de Alejandro González Iñarritu. Lagos, por outro lado, tem uma sequência logo no início que não podemos deixar de lado, que nos prende no primeiro momento. Quatro pessoas estão à toda velocidade em um carro, um deles sangrando devido a um ferimento de bala. Todos gritam, a câmera balança. E no meio da confusão, vemos um corte e a volta ao passado de cada um dos personagens. Carley (Brittany Snow), uma jovem universitária que se prepara para a formatura. Sua colega de faculdade, Lena (Christian Serratos), que briga com o namorado. Dre (Evan Ross), um jovem bacharel que tenta se manter longe da violência das gangues e, finalmente, Kevin (Jonathan Michael Trautmann), que abandonou os estudos e se esforça para fazer parte do mundo violento de que Dre tanto foge. Em algum momento acontece um tiroteio, e voltamos ao início, na cena deles no carro. Não há rota de fuga, o hospital é uma meta temida, é claro, pois tem uma pessoa ferida e os infratores, que podem ser presos assim que chegarem. Então começa uma jornada de tensões e culpas, de loucura e abismos que fazem deste filme uma peça cheia de suspense, mas também com temas importantes como a raça, a violência, as culpas e os castigos.

Não perca, 96 Minutos, quinta, 19 de setembro, dentro do ciclo EUA Independentes, no Max.

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Início do Ciclo EUA Independentes com o filme 28 Quartos de Hotel

por max 4. setembro 2013 12:27

 

Isso que tem entre os ancestrais de Roger Corman, Orson Welles, Samuel Fuller, John Cassavetes, entre outros. Isso que chegou ao auge com os novos cineastas de Hollywood (Scorsese, Coppola, entre outros) e que todavia, sob o controle dos estúdios tinha seu ar de independente. Isso que promoveu e promove com sucesso o festival de Sundance (paradoxalmente como negócio que Hollywood havia descoberto). Isso que relacionamos com Tarantino, mas talvez não seja Tarantino. Isso que se caracteriza por filmes sem enredo convencional, por contar histórias de famílias disfuncionais, por acumular personagens fora do comum que lutam para se manterem dignos neste mundo quadriculado e cruel. Isso que pode ser encurralado por prostitutas, homossexuais, anões, pessoas solitárias e drogas. Isso com raras músicas de fundo; com preservação de diálogos ou com diálogos agudos. E claro, isso qye não faz festa com grandes orçamentos e nem efeitos especiais… ou pelo menos, não ao estilo dos grandes estúdios. Isso que chamamos de cinema independente, esse amplo espectro de maravilhas, terá seu espaço este mês de setembro, no Max, com exibição toda quinta. Começa nesta com 28 Quartos de Hotel (28 Hotel Rooms, 2012), de Matt Ross. Na próxima semana, quinta dia 12, tem Inverno de Alma (Winter´s Bone, 2010), de Debra Granik, e dia 19, 96 Minutos (96 Minutes, 2011), de Aimee Lagos. E o ciclo EUA Independentes encerra com O Futuro (The Future, 2011), de Miranda July, na quinta, dia 29.

 

 

Para começar, 28 observações sobre 28 Quartos de Hotel do estreante Matt Ross:

 

  1. Uma história de amor que no início não pretende o amor, é uma verdadeira história de amor.
  2. Os amantes se calam, não dizem que se amam. Seus corpos falam por eles. Seus corpos gritam o amor.
  3. Lá fora está o mundo, o mundo que esmaga.
  4. Entra, vê a porta aberta e entra. Depois não sabe como sair. Assim é o amor que cresce dentro dos amantes.
  5. Existe um pacto. Que não iriam se apaixonar. Mas começam a sonhar outra vida. Neste instante, eles sabem, estão perdidos.
  6. Um quarto de hotel não salva de nada. Desta porta o amor também tem as chaves.
  7. Quarto de hotel, pacto de não se apaixonar. Fracasso certo... do pacto.
  8. Quarto de hotel, refúgio atômico contra a realidade. A realidade é o Apocalipse dos amantes.
  9. Os amantes querem ser como os aeroportos. Esquecem que os voos sempre atrasam, que sempre ficam mais tempo do que realmente era necessário.
  10. Para os corpos nada é passageiro.
  11. Não saber nada do outro não garante o esquecimento.
  12. Nada é certo, menos que se apaixonará.
  13. E a morte.
  14. Mas o amor é como a morte.
  15. Quando percebe que comprou uma passagem sem volta. Ali, naquele lugar.
  16. Quando começa a não saber o que fazer com sua vida. Ali, naquele lugar.
  17. Quando quer uma bola de cristal. Ali, naquele lugar.
  18. Quando entende que o destino existe, mas a vida é sua inimiga. Ali, naquele lugar.
  19. O amor ri dos que dizem: "Não vamos nos apaixonar".
  20. O amor os faz dizer: "Não vamos nos apaixonar".
  21. O amor tem três pernas. É uma mesa de mago. Um mago é um ilusionista... e uma fraude fascina.
  22. Quando foi isso? Foi ontem que disse que não se apaixonaria?
  23. Ontem sim.
  24. E hoje já.
  25. E hoje não há remédio.
  26. Você já esteve em 26 quartos, e desde o primeiro você já sabia.
  27. 28 Quartos de Hotel, quinta, 5 de setembro, no ciclo EUA Independentes. No Max.

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