Ai Weiwei: Never Sorry, ou o retrato de um artista dissidente

por max 26. julho 2013 13:13

 

Na último domingo do mês, como de costume no Max, teremos um documentário de primeira categoria: Ai Weiwei: Never Sorry (2012) de Alison Klayman.

Para realizar esse magnífico trabalho, Klayman acompanhou Ai Weiwei por três anos, o artista plástico chinês que ao mesmo tempo é um forte ativista político que denunciou a violação contínua dos direitos humanos por parte do governo chinês.

Com forte atividade no Twitter, em seu blog e na internet em geral, Ai Weiwei é um dos poucos artistas de seu país que levanta a voz para o mundo, nestes tempos em que o partido chinês tenta ganhar a opinião pública internacional à força de gratificações capitalistas. Um dos protestos mais conhecidos de Ai Weiwei teve a ver com as Olimpíadas de 2008. Como se sabe, ele atuou como assessor artístico no desenho do Estádio Nacional de Pequim, o estádio poliesportivo principal do evento, conhecido como "Ninho de Pássaro". No entanto, ao que parece, o artista esperava uma abertura geral do governo, uma mudança com a chegada das Olimpíadas, o que não aconteceu. Ele percebeu que foi um aproveitamento publicitário, propaganda em geral, e também em particular, porque seu nome foi usado. O artista, então, levantou a voz e criticou a festa das Olimpíadas utilizada como uma celebração hipócrita que pretendia esconder os crimes do Estado. Essa crítica ficou conhecida mundialmente.

Ai Weiwei, cabe dizer, foi criado nos Estados Unidos e voltou à China em 1996 devido à morte de seu pai, o destacado poeta contemporâneo Ai Quinq. Desde então, Ai Weiwei vive na China e não parou de colocar o dedo nas cicatrizes do governo chinês. Um exemplo: após o terremoto de Sichuan em 2008, fez uma instalação com nove mil mochilas, indignado pelas crianças que faleceram por causa das escolas mal construídas.

Foram tomadas medidas contra ele. Em certa ocasião, seu estúdio em Xangai foi totalmente desmontado, ou melhor, saqueado por ordens do governo. E em 2011 foi preso por 81 dias. Seus mais recentes trabalhos artísticos são testemunhos deste terrível momento. Nele estão os dioramas da prisão e o CD A Divina Comédia (The Divine Comeduy) onde Ai Weiwei canta - acompanhado de seus respectivos vídeos (clique aqui para ver um dos vídeos), onde também denuncia toda a detenção.

Uma boa parte do que foi dito aqui está em Ai Weiwei: Never Sorry, o retrato deste artista controverso, militante e talentoso. Entrevista com o próprio Ai Weiwei e um monte de entrevistas com amigos e conhecidos se juntam a momentos cheios de força e também de intimidade (a mãe, o filho mais novo) para compor este maravilhoso documentário que em 2012 ganhou o Prêmio do Júri em Sundance, e que faz honra a este homem que não se cala e que não se arrepende de nada que tenha dito ou feito.

Ai Weiwei: Never Sorry, somente no Max, domingo 28 de julho. Arte, cinema, documentário, resistência contra a tirania. O que você vê quando vê o Max?

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