4:44 - O Fim do Mundo, nem ao 666 chegamos

por max 29. novembro 2013 12:27

 

Talvez a vida já não importe mais, talvez o fim do mundo chegue e dará no mesmo. Talvez passemos por etapas diferentes, talvez devêssemos gritar, deprimir, fazer sexo, talvez devêssemos simplesmente aceitar que o fim do mundo é tão igual como qualquer dia de nossas vidas. Porque, talvez, somos os responsáveis por nós mesmos. Por nossa indiferença, por nosso vazio. Se fossem os extraterrestres, como na novela de rádio de H. G. Wells, teríamos saído correndo pelas ruas, ou teríamos lutado. Mas nem isso. Talvez se tivéssemos sido os culpados. Mas nem isso. Simplesmente foi o universo que se cansou de nós. E, talvez, neste momento antes do fim, só devêssemos buscar, afagar, querer estar com a pessoa amada, como Cisco (Willem Dafoe) e Skye (Shanyn Leigh) fizeram. Talvez nesse dia possamos pedir algo para comer, deixar que um garoto asiático use nosso computador, talvez deveríamos conversar um pouco no Skype, talvez visitar algum vizinho, talvez nos drogar um pouco. O que sei eu. Talvez deveríamos simplesmente olhar pela janela e ver que, lá fora, não acontece nada, porque todo mundo escolheu deixar a morte chegar, finalmente a morte levará todos os nossos erros, todos os nossos vazios, todas as nossas culpas. E, talvez, o mundo nem tenha um final bíblico, de modo que nem merecemos um 666, e sim um 4:44. Quem sabe, talvez foi isso que Abel Ferrara quis dizer.

4:44 - O Fim do Mundo, domingo, 1º de dezembro.

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Chelsea On The Rocks, o hotel dos furacões da alma

por max 24. setembro 2011 04:36

    

Abel Ferrara nasceu no Bronx, é um nova-iorquino com todos da lei. De nascimento, herança de sangue, correndo em suas veias italiana e irlandesa (é possível ser mais Yorker?).

Roteirista, diretor, ator, produtor, Ferrara é um dos diretores-chave na história do cinema americano na década de oitenta e noventa, herdeiro, por assim dizer, do chamado novo cinema americano dos anos setenta, cheio de realismo e violência. Ferrara é a violência dramática ao extremo, filho de Scorsese, de alguma forma. Os dois unem o tema da violência com os temas da cidade de Nova York. Ferrara ficou conhecido no final dos anos setenta (em 1979) com o filme The Driller Killer. Sua personagem era um pintor louco pelo peso da realidade, que saia à noite para encher as mãos de sangue nas ruas de Nova York. Note que este, seu primeiro filme, foi dirigido pelo mesmo Ferrara. Em seguida, vêm Ms. 45 (1981) e Fear City (1986), dois filmes onde a violência da cidade gira em torno das mulheres. No primeiro, uma jovem muda é estuprada duas vezes no mesmo dia e decide tomar a lei nas suas mãos. No segundo, um psicopata anda solto matando nudistas. A rua, à noite, a violência, a loucura, Nova York. Ferrara entra no submundo, nos esgotos, nos becos escuros, olhando para as pessoas: o cafetão, a prostituta, a viciada em drogas, a polícia decadente. A rua é um lugar difícil, e Ferrara sabe retratar isso. Nos anos noventa, atingiu pontos altos em King of New York (1990) e Bad Lieutenant (1992). No primeiro com Christopher Walken, no segundo com Harvey Keitel. Ambos são considerados seus melhores filmes, especialmente Bad Lieutenant.

Em 1996, Ferrera se reúne com Walken em um de seus filmes mais representativos, The Funeral. Então, em 1998, faz um dos filmes de ficção mais estranhos: New Rose Hotel, um filme baseado em uma história do autor de ficção científica William Gibson, também estrelado por Walken, e Willem Dafoe. Em 2008, Ferrara empreende no gênero documentário. Seu primeiro trabalho é um grande sucesso. Com Chelsea on the Rocks, o cineasta volta a Nova York, seu eterno Nova York. Volta da mesma maneira, aos começos da exploração da personalidade artística. Que melhor lugar para falar de Nova York, que aquele onde passaram pela cidade, grandes artistas, glórias e sombras que o Chelsea Hotel? Este lendário hotel, localizado na 222 West 23rd Street, entre Seventh e Eighth Avenue. O hotel tinha quartos de longa duração, onde as pessoas podiam morar com seus livros, panelas, máquinas de escrever e instrumentos musicais. Nos quartos de curta e longa, estiveram uma série de artistas que passaram à história: Leonard Cohen, Dylan Thomas, Bob Dylan, Janis Joplin, Arthur C. Clark, Patti Smith, Robert Mapplethorpe, Andy Warhol, entre outros, foram os inquilinos de Chelsea. Lá amaram, discutiram, beberam, usaram drogas, criaram arte e houve assassinatos. O Hotel Chelsea era uma espécie de vórtice, de furacão de arte, um lugar que para alguns pode ser escuro, para outros brilhante, depende dos olhos de quem vê. Ferrara, em Chelsea on the Rocks utiliza uma grande quantidade de material de arquivo, o que naturalmente é abundante, sendo um lugar tão famoso, mas também explora os trabalhadores e ex-trabalhadores do hotel, os atuais moradores, os peritos, olhando anedotas famosas e íntimas daqueles que trabalharam lá, pessoas sem muita fama, mas com algo interessante a dizer. Entre os entrevistados estão Dennis Hopper, Milos Forman, Robert Crumb, Ethan Hawke, e Grace Jones.

Um filme, sem dúvida, perfeito para Abel Ferrara, o artista das profundezas da alma e as obscuridades e as luzes de uma Nova York que se transforma e não sabemos quantas mutações mais terá. Na verdade, o filme serve para lembrar que hoje o hotel fechou suas portas, e seu futuro é totalmente incerto.

Chelsea on the Rocks, este domingo, 25 de setembro, na Max.

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