No mês de Cannes, o Max comemora com dois grandes filmes por dia

por max 12. maio 2014 08:10

 

 

A 67ª edição do festival de cinema mais prestigiado do mundo, o festival de Cannes, começa em 14 de maio e vai até o dia 25. Neste ano, o pôster tem o grande ator Marcello Mastroianni como alter ego de Federico Fellini. A foto do pôster é exatamente Mastroianni em 8½. Em 2014, talvez reagindo a críticas anteriores, o júri é presidido por uma mulher, a diretora australiana Jane Campion, que ganhou a Palma de Ouro por O Piano (The Piano). Nesta edição, serão 18 filmes em competição, com cineastas do calibre de David Cronenberg, Jean-Luc Godard, Atom Egoyan, Ken Loach, assim como alguns jovens e modernos, como Xavier Dolan (a mente por trás de Laurence Sempre (Laurence Anyways), e até o ator Tommy Lee Jones em seu quarto filme como diretor (fez dois para o cinema e dois para televisão). Também, vale dizer, nesta super lista de honra está um diretor latino-americano, o argentino Damián Scifron, com o filme Relatos Salvajes.

No Max, como é tradição todo ano, haverá um ciclo de filmes durante o mês dedicado ao festival de Cannes. Porque, não há dúvida, o Max é um canal que oferece uma programação de tanta qualidade que é capaz de apresentar um ciclo de filmes e de cineastas que foram selecionados e premiados em Cannes. E não haverá apenas um filme por dia, mas o Max apresenta dois filmes por dia, de 14 a 25 de maio.

Vejamos agora o que o Max traz, dia a dia:

 

Quarta 14: O Que Eu Mais Desejo (I Wish, 2011), de Hirokazu Koreeda, cineasta que participou três vezes de Cannes. Na sequência: Um Alguém Apaixonado (Like Someone in Love, 2012), filme de Abbas Kiarostami selecionado à Palma de Ouro.

 

Quinta 15: O Barco da Esperança (La Pirogue, 2012), de Moussa Touré, filme selecionado para a mostra Un Certain Regard.

Na sequência: do sul-africano Oliver Schmitz, A Vida, Acima de Tudo (Life, Above All, 2010), filme exibido em Un Certain Regard.

 

Sexta 16: Motores Sagrados (Holy Motors, 2012), de Leos Carax, cineasta francês que recebeu o Prêmio da Juventude em Cannes e que também fez parte da seleção à Palma de Ouro. Na sequência: Sexo, Mentiras e Videotape (Sex, Lies and Videotapes, 1989) de Steven Soderbergh, filme que deu o prêmio de Melhor Ator a James Spader e o prêmio FIPRESCI e a Palma de Ouro a Soderbergh.

 

Sábado 17: Só Deus Perdoa (Only God Forgives, 2013), do dinamarquês Nicolas Winding Refn, selecionado à Palma de Ouro. Na sequência: Elefante (Elephant, 2003), do já clássico Gus Van Sant, que conquistou o prêmio de Melhor Diretor pelo filme, além do Prêmio francês ao sistema nacional francês de educação (em Cannes) e do prêmio máximo, a Palma de Ouro.

 

Domingo 18: Elena (2011), do russo Andrey Zvyagintsev, filme que conquistou o Prêmio especial do júri na sessão Un Certain Regard. Na sequência: dos argentinos Ezequiel Radusky e Agustín Toscano, Os Donos (Los dueños, 2013), trabalho que conquistou menção especial na Semana dos Críticos de Cannes.

 

Segunda 19: 360 (2011), do aclamado Fernando Meirelles, que já se tornou um queridinho do festival. Na sequência: do chileno Cristián Jiménez, Bonsai (Bonsái, 2011), filme que participou da seleção da mostra Un Certain Regard.

 

Terça 20: Sete Dias em Havana (7 Días en La Habana, 2012), filme formado por vários curtas-metragens realizados por Laurent Cantet, Benicio Del Toro, Julio Medem, Gaspar Noé, Elia Suleiman, Juan Carlos Tabío e Pablo Trapero; todos foram selecionados para Un Certain Regard. Na sequência: do norueguês Joachim Trier, Oslo, 31 de Agosto (Oslo, August 31st, 2011), filme oficialmente selecionado para a mostra Un Certain Regard.

 

Quarta 21: O Quarto do Filho (La Stanza del Figlio, 2001), filme de Nanni Moretti reconhecido em todo o mundo e premiado com a Palma de Ouro em Cannes. Na sequência: também de Nanni Moretti, Habemus Papam (2011), filme selecionado à Palma de Ouro.

 

Quinta 22: Adeus (Goodbye, 2011), do iraniano Mohammad Rasoulof. O filme ganhou o Prêmio do júri e Rasoulof o prêmio de Melhor diretor na mostra Un Certain Regard. Na sequência: Um Sonho Sem Limites (To Die For, 1995) de Gus Van Sant.

 

Sexta 23: O Artista (The Artist, 2011), do francês Michel Hazanavicius, filme que foi um grande sucesso no Oscar e que, em Cannes, deu o prêmio de Melhor Ator para Jean Dujardin e fez Hazanavicius ser selecionado à Palma. Na sequência: mais cinema francês com Filme Socialismo (Film Socialisme, 2010), do queridinho — ou não tão queridinho — de Cannes, Jean-Luc Godard, que já foi selecionado sete vezes à Palma de Ouro, mas nunca ganhou.

 

Sábado 24: Ferrugem e Osso (Rust and Bone, 2012) de Jacques Audiard, filme selecionado à Palma de Ouro. Na sequência: O Expresso da Meia-Noite (Midnight Express, 1978), do diretor Alan Parker, que foi selecionado à Palma de Ouro.

 

Domingo 25: O grande encerramento com: O Artista (The Artist), Habemus Papam (Habemus Papam), Um Alguém Apaixonado (Like Someone in Love), Ferrugem e Osso (Rust and Bone), Depois da Batalha (Baad el Mawkeaa), Reality – A Grande Ilusão (Reality), Motores Sagrados (Holy Motors) e Só Deus Perdoa (Only God Forgives). Próximo à exibição, falaremos destes filmes, que encerram muito bem o ciclo que o Max apresenta.

 

Você já sabe, a partir do dia 14 até 25 de maio, aproveite o melhor do cinema mundial, neste ciclo especial de Cannes.

 

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Limelight, um documentário magnífico, que mostra o auge e a decadência de uma das discotecas mais famosas de Nova York

por max 9. maio 2014 05:48

 

A história e a vida das cidades estão em seus espaços, em seus lugares e naquilo que aconteceu nestes lugares. O documentário de Billy Corben, Limelight (2011), conta a história de um destes lugares, em uma das cidades mais agitadas do planeta, Nova York. Trata-se, como o nome já diz, da discoteca Limelight, talvez o templo noturno mais importante de Manhattan durante os anos oitenta, época caracterizada pelo hedonismo e pelo auge das drogas pesadas, como a cocaína. A Limelight foi um dos locais da moda que pertenciam a Peter Gatien, um canadense com um tapa-olho, que dominou a vida noturna de Manhattan com discotecas como Tunnel, Palladium, Club USA e, a mais famosa, Limelight. Claro que, quando falei "templo" mais acima não era só para usar uma palavra bonita, mas falei "templo" porque a Limelight era uma velha igreja que Gatien reformou.

Nesta igreja psicodélica foi parar toda a fauna noturna da cidade, misturados sempre com os vendedores de drogas. Muita gente apontou Gatien como a mente daquele negócio ilegal e, em certo ponto, "contracultural". Através de documentários como Cocaine Cowboys (2006) e Cocaine Cowboys 2 (2008), Corben trabalhou o tema profundamente, por isso conhece muito e o desenvolve bastante em Limelight, onde também, em certo momento, ele fala da chegada do famoso Rudolph Giuliani, que era fiscal de Nova York nos anos oitenta (e depois prefeito nos anos noventa). Giuliani tinha entre suas principais lutas políticas a erradicação das drogas e a alta delinquência em Nova York. Gatien — peixe gordo — e suas casas se transformariam no alvo da perseguição deste político tenaz.

Limelight chega a tudo isto através de entrevistas e imagens de arquivo, da exploração de um momento histórico e leva a uma maneira de entender o mundo a partir da cidade e de seus espaços.

Limelight, um documentário intenso, interessante e principalmente divertido, terça, 13 de maio, no Max.

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Pelos Olhos de Maisie, um dos dramas mais comoventes dos últimos anos, estrelado por Julianne Moore, Steve Coogan e Alexander Skarsgård

por max 9. maio 2014 05:47

 

Este mês, no Max, você vai ver um dos filmes mais comoventes e mais bem realizados dos últimos anos: Pelos Olhos de Maisie (What Maisie Knew, 2012), um drama de primeira categoria, dirigido por Scott McGehee e David Siegel (Sutura, Até o Fim). Você não faz ideia de como gostei do filme que, apesar de baseado em um fato doloroso (um divórcio), deixa você com um sabor agradável na boca.

Em geral, as pessoas entendem o divórcio como o final de um conflito. Esta é a crença: alguém se divorcia e pronto, tudo resolvido, já não há mais dor. Mas não é bem assim e este poderoso drama, baseado no romance homônimo de Henry James com uma atualização que tem lugar na contemporânea Manhattan, mostra como os conflitos continuam presentes depois da separação, especialmente se há filhos no meio, neste caso, Maisie (muito bem interpretada por Onata Aprile), uma menina de seis anos que será o centro da história.

A partir dela, através dela, veremos seus pais se atacarem, sem reconciliação. Susanna, interpretada por Julianne Moore, é uma estrela do rock que vive muito ocupada com sua fama e com a gravação de um novo álbum; Beale, vivido por Steve Coogan (visto recentemente no filme indicado ao Oscar Philomena), é um negociante de arte que vive mais ligado ao celular que na realidade. O divórcio chega e também chegam os outros: a jovem e charmosa Margo (Joanna Vanderham), babá de Maisie e também nova amante de Beale, e o sexy e louco bartender Lincoln (Alexander Skarsgård, o vampiro Eric Northman da série HBO True Blood e filho do memorável Stellan Skarsgård). Com

a chegada dos dois, Maisie vai conhecer a ternura, a amizade, o carinho e também mais conflito e mais dor, porque os pais vão continuar a discutir na batalha legal, somando a isto os ciúmes nascidos da nova relação de Maisie com Margo, mas especialmente com o cativante Lincoln. Pelos Olhos de Maisie é, sem dúvida, uma terna exploração do que ocorre na vida de muitas crianças depois de um divórcio que não é, nem de longe, o fim dos conflitos, mas sim uma nova etapa da vida onde entram novas pessoas (às vezes salvadoras, às vezes terríveis), onde se encara a solidão e onde se cresce a partir da ruptura. Eu fiquei realmente encantado, você também ficará.

Pelos Olhos de Maisie, uma estreia exclusiva domingo, 11 de maio, no Max.

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Fleming, uma emocionante série da BBC sobre a vida do criador de James Bond

por max 5. maio 2014 04:37

 

Convido você a ver, este mês no Max, Fleming (2014), uma minissérie em quatro partes que, com certeza, vai deixar você tão emocionado quanto me deixou.

Trata-se de uma excelente produção da BBC que recria a vida de um escritor. "Qual é!" você pode dizer, "de um escritor?", "o que há de fascinante na vida de um escritor?" "Esses caras só ficam sentados… escrevendo!". Sim, é verdade, mas neste caso trata-se da vida de Ian Fleming, o criador do mundialmente conhecido James Bond.

Ian Fleming vinha de uma família endinheirada, muito bem instalada na alta sociedade. Ele era um homem culto, sedutor, de excelente educação e com grande espírito aventureiro, que o levou a ser jornalista e depois oficial da Marinha britânica, onde começou a trabalhar para o escritório da inteligência durante a Segunda Guerra Mundial. Lá Fleming aproveitaria todo seu conhecimento do mundo cosmopolita para se infiltrar entre as linhas inimigas e espionar os altos oficiais nazistas bebendo, jogando cartas, em festas e com mulheres que ofereciam prazer.

Assim formou-se este homem de humor inglês que sempre bebia, fazia sexo e falava sobre escrever uma história de espiões onde o protagonista seria um gentleman inglês de nome James Bond, mas que, na verdade, nos bastidores, seria um espião que procura descobrir os segredos mais delicados da guerra, arriscando sua própria vida.

Muito divertida, muito sensual, muito tensa, você não pode perder nenhum momento desta série em quatro partes, estrelada por Dominic Cooper (Educação, Sete Dias com Marilyn, Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, Capitão América: O Primeiro Vingador), tentando, no papel de Ian Fleming, descobrir planos secretos alemães na Inglaterra, França e até na própria Alemanha. Submarinos alemães, grupos de comando, planos secretos de bombas atômicas e lindas mulheres, como as atrizes Lara Pulver e Anna Chancellor, tudo marca presença nesta nova série que o Max apresenta em maio.

Ian Fleming chegou a dizer: "só escrevo sobre o que me dá prazer e me estimula". Não há dúvida de que esta série dá prazer e vai te estimular até o final!

Fleming, estreia exclusiva, quarta, 7 de maio, no Max.

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O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood, documentário que homenageia o rebelde número um do cinema americano

por max 5. maio 2014 04:12

 

Roger Corman é o homem da rebeldia, o rei do cinema independente por excelência. Claro, atualmente quando se fala de cinema independente fala-se, na maioria dos casos, sobre um trabalho artístico um pouco mais intelectual e requintado, certo? Na verdade, o verdadeiro cinema independente começou com os realizadores do chamado "Cinema B". Vale lembrar que, no início, os filmes do cinema B eram aqueles que entravam na sessão dupla das salas de cinema (os grandes estúdios detinham, naquele momento, o poder da distribuição e das salas de cinema); quer dizer, o filme A é a grande produção do estúdio, aquela que custou muito dinheiro, enquanto o filme B, projetado antes do grande evento, é a produção de baixo orçamento e de pouca qualidade, que está lá só para rechear, como um extra para que o público sinta que recebe mais pelo mesmo dinheiro.

Foram várias as razões que levaram os estúdios a realizar filmes B: Primeiro, como evolução lógica do espetáculo de variedades que era apresentado antes da exibição do filme principal. Tal espetáculo, no início, consistia em uma pequena cena burlesca ou na projeção de um curta-metragem. Logicamente, esta sessão prévia foi evoluindo, tornando-se cada vez mais complexa, até chegar a um filme. Em segundo lugar, a crise americana também teve influência, pois, desde os anos vinte, afastou o público das salas de cinema. Pode-se dizer que os filmes B surgiram como um incentivo para o público decidir gastar o pouco dinheiro que tinha nos bolsos. Mas, afinal, o que estes filmes B tinham especificamente? Eram filmes muito baratos, produzidos com orçamento muito, muito mínimo e com temática de cultura popular, como terror ou ficção científica.

Com o tempo, este cinema B se transformou em um negócio. Junto dos grandes estúdios (que foram os produtores originais destes filmes) surgiriam empresas dedicadas exclusivamente a esta produção. Por isso, nos anos quarenta, quando uma lei derrubou o monopólio de distribuição dos grandes estúdios, os filmes B continuaram a ser produzidos. E, no final dos anos sessenta, quando os códigos de censura foram flexibilizados, estes filmes começaram a explorar temáticas ainda mais atrevidas. Digo ainda mais porque, trinta anos antes, o cinema B já estava fazendo praticamente tudo o que queria. Como eram filmes que estavam lá para encher o espaço, ninguém tinha interesse e, por isso, ninguém os vigiava muito de perto. Isto abriu espaço para a experimentação tanto de temas como de formatos. Na época em que as leis de censura foram relaxadas, o terreno já estava preparado para abordar e explorar novos temas. Observe que usei a palavra "explorar", pois a qualificação que os novos filmes tipo B receberam foi exploitation: explorou-se sexo, raça (eram os anos das lutas por direitos civis), violência, sangue, vulgaridade.

Roger Corman surgiu nestes anos. Ele era diretor de filmes B e trabalhava para uma empresa que fazia filmes B, a American International Pictures (AIP), onde Corman fez uma série de filmes baseados nos contos de Edgar Allan Poe. Estes filmes, já sabemos, foram o começo da lenda Corman, um diretor que queria fazer filmes que agradassem ao público, filmes interessantes e assustadores, que divertissem. Claro, isto é o mesmo que Hollywood queria. A diferença é que Corman não se deixava enrolar pelos grandes executivos e fazia os filmes com baixíssimo orçamento. Nosso homem até chegou a virar independente, fundando sua própria empresa para continuar a fazer o que achasse melhor, com roteiros rápidos, produções baratas (inclusive em cenários de outros filmes) e filmagens onde não se exigia nada dos atores nem se repetiam as cenas. Vale dizer que, em muitas destas filmagens, passaram nomes que depois seriam grandes artistas da indústria, como Jack Nicholson, Martin Scorsese e Peter Fonda, entre outros.

O documentário O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood (Corman's World: Exploits of a Hollywood Rebel, 2011), de Alex Stapleton, fala sobre este cineasta lendário que, naquela época, chegou a dizer que já tinha realizado mais de cem filmes sem gastar um centavo. Na realidade, agora são mais de quatrocentos… sem gastar um centavo. No documentário, para fazer uma homenagem, estão aqueles que devem ao diretor a paixão pela arte: Tarantino, Scorsese, Nicholson, Robert De Niro, Jonathan Demme, Peter Fonda, Bruce Dern, Peter Bogdanovich, William Shatner, entre muitos outros.

O Mundo de Corman: Proezas de um Rebelde de Hollywood, terça, 6 de maio, no Max.

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Depois de Maio, um filme de Olivier Assayas sobre o espírito dos jovens franceses nos anos setenta

por max 1. maio 2014 04:40

 

Olivier Assayas, diretor francês de prestígio, nos apresenta Depois de Maio (Aprés Mai, 2012), filme que recria os efervescentes anos setenta da juventude parisiense. Em outras produções, Assayas também girou em torno desta época. E assim temos sua famosa minissérie Carlos (2010), estrelada pelo venezuelano Edgar Ramírez, que interpreta um terrorista, também venezuelano, Carlos, o Chacal. Desta vez, o filme se centraliza na cidade de Paris (que é tão apreciada por ele, que já foi retratada em um dos curtas de Paris, Te Amo) e nos jovens que viveram aqueles anos movimentados por ideais, por luta política e que tem seu epicentro em maio de 68. A história nos mostra Gilles, um jovem estudante com intenções de artista, que será arrastado – em partes sem querer - pela agitação política do momento. Gilles (Clément Métayer) tem uma vida própria, sonhos e ambições; no entanto, a época parece exigir outra coisa, uma atenção ao social, à luta, ao compromisso. Ele, sem dúvida, irá como um cata-vento através de seus dias, entre amores (aqui a atriz Lola Créton terá um papel importante), viagens de descobertas e discussões sobre o estado das coisas do mundo. O filme, supostamente, recria recordações do diretor, vividas naqueles anos.

Gilles, portanto, é o personagem criado para dar vida a essas recordações. Um personagem que, às vezes, se mostra arrogante, cheio de vida e, com o passar do tempo, vai se mostrando derrotado, perdido. Entre esses momentos, testemunhamos cenas cruéis de repressão policial, luta política, amizade e amor.

Depois de Maio recebeu dois prêmios no Festival de Veneza (um de Melhor Roteiro) e a atriz Lola Créton ganhou o Prêmio Cézar de Melhor Atriz em 2013.

Aproveite neste domingo, 4 de maio, estreia exclusiva para o Brasil, no Max.

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Para Roma Com Amor, o caos e a paixão em Roma vistos pelo grande Woody Allen

por max 24. abril 2014 04:13

 

Woody Allen vem trabalhando um ciclo europeu de filmes. Ponto Final - Match Point (Match Point, 2006), talvez o primeiro filme deste ciclo, foi na Inglaterra, Vicky Cristina Barcelona (2007) na Espanha, Meia-Noite Em Paris (Midnight in Paris, 2011) na França, e o mais recente, não sei dizer se será o último deste ciclo, Para Roma Com Amor (To Rome With Love, 2012) que, obviamente, acontece em Roma.

Cada filme destes reflete o espírito de cada país ou cidade: Ponto Final - Match Point é um thriller bem inglês, dado pelo ambiente de mistério e crime peculiar dos britânicos (podemos incluir dentro do ciclo Scoop: O Grande Furo - Scoop, 2006 - e O Sonho de Cassandra - Cassandra´s Dreams, 2007- para uma trilogia criminal inglesa); Vicky Cristina Barcelona explora a sensualidade das cores, o sexo, a paixão arrebatadora que se atribui ao sangue espanhol; Meia-Noite Em Paris nos faz mergulhar no encanto, na delícia, no fascínio e na elegância de todos os tempos de uma cidade como Paris e, Para Roma Com Amor, nos apresenta o caos, o ruído, a desordem, a alegria e a loucura de uma cidade como Roma. Não sem razão, o filme começa com um guarda de trânsito (o caos veicular é famoso em Roma) falando para a câmera, nos dizendo que ele tem histórias para nos contar. O que o guarda nos preparou (ou melhor, Allen nos preparou) é uma comédia romântica que envolve quatro histórias, inclusive Woody Allen é um dos atores (ele não atuava desde 2006 em Scoop: O Grande Furo).

Atrevo-me a dizer que, neste filme, o veterano cineasta volta a ser o velho Allen do absurdo, do humor puro e simples. Temos, por exemplo, um senhor italiano que canta ópera magnificamente, um gênio do canto, mas só no banho; ou seja, fora do banho, não canta nada. A solução? O diretor o coloca para cantar em um cenário que também... é um chuveiro. O Allen humorista radical também é revivido na figura de Leopoldo (Roberto Benigni), um personagem qualquer, como muitos, mas que certo dia, sem saber o porquê, alguém o transforma em uma pessoa muito famosa por ser, precisamente, um ninguém. Tem também um arquiteto, interpretado por Alec Baldwin, que percorrerá as ruas de Roma e se encontrará com Jack, um estudante de arquitetura que o admira e o reconhece (Jesse Eisenberg, mais lembrado como Mark Zuckerberg em A Rede Social - The Social Network), e que o convida para ir à sua casa para que conheça sua noiva. O incomum aqui é que John, o personagem interpretado por Baldwin, passará de um personagem muito real a uma voz da consciência – em carne e osso – de Jack, que ficará se aconselhando a todo momento com ele, que não é visto por mais ninguém, como se fosse um fantasma.

Claro, os conflitos amorosos, o tema preferido de Allen, estão presentes: haverá uma situação de uma esposa - porque ela, que veio do interior, se perdeu nas ruas de Roma – uma prostituta (interpretada por Penélope Cruz) e consequentes infidelidades; tem também um casal que termina o relacionamento por causa de uma amiga; esta amiga, vale dizer, é uma aspirante a atriz (Ellen Page, a garota de Menina Má.Com, Juno e A Origem) cheia de chavões da cultura e rápida como o vento. Ela, depois de se entregar às paixões mais profundas e ao amor mais verdadeiro – segundo ela, claro – deixará o pobre Jack (sim, o Jack que falamos acima) confuso e arrasado.

Para Roma Com Amor é uma comédia caótica, selvagem e suprema. Enquanto Meia-Noite em Paris foi um dos maiores sucessos de Allen nos últimos tempos, e Vicky Cristina Barcelona tem sua fila de fãs (infelizes), para mim Para Roma Com Amor é um de seus melhores filmes, o que mais resgatou o velho Allen que havia se perdido entre tantos conflitos de casais e tantas paisagens bonitas. Você não deve perder.

Para Roma Com Amor, estreia exclusiva domingo 27 de abril, no Max.

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O Espião Que Sabia Demais - Gary Oldman leva as intrigas da espionagem à máxima expressão

por max 18. abril 2014 03:27

 

Gary Oldman, Colin Firth, Tom Hardy, John Hurt, Mark Strong, Benedict Cumberbatch, Toby Jones e Ciarán Hinds são os protagonistas de um filme de espionagem que já se tornou um clássico do estilo. Não é para menos, O Espião Que Sabia Demais (Tinker, Tailor, Soldier, Spy, 2012) é um ótimo thriller, baseado no livro de John le Carré, um dos mestres do suspense e das complexas e silenciosas lutas entre os países. Le Carré é autor de obras muito conhecidas como A Garota do Tambor (The Little Drummer Girl, 1983), A Casa da Rússia (The Russia House, 1989), O Gerente Noturno (The Night Manager, 1993), O Alfaiate do Panamá (The Tailor of Panama, 1996), O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, 2001), entre outras que também foram adaptadas para cinema e televisão. Vale dizer que O Espião Que Sabia Demais foi escrito em 1974 e que, em 1979, a BBC o adaptou para uma minissérie de TV, estrelada por sir Alec Guiness e dirigida por John Irvin. Neste caso, a versão para o cinema ficou por conta de Tomas Alfredson, diretor sueco que conquistou fama com o filme de 2008 Deixe Ela Entrar (Låt den rätte komma in, já exibido pelo Max), história que junta o terror dos contos de fadas de vampiros com uma certa delicadeza.

O Espião Que Sabia Demais parece ser uma história complicada à primeira vista, mas… que história de espião não é? O problema é que, em certo momento, uma missão dá errado — agentes morrem — motivo que leva alguns espiões a serem aposentados, entre eles o personagem de Gary Oldman, George Smiley, ou Sr. Smiley. No entanto, nosso homem voltará à ativa, pois, digamos que de maneira secreta, ele próprio define que vai voltar à espionagem, mas desta vez será interno. Existe uma suspeita de que um dos agentes do Circo (MI6) é um traidor, um agente duplo.

Perfeitamente ambientado nos anos 70 durante a Guerra Fria, este filme reúne o melhor do gênero e tem enredo com uma intriga inteligente que, como disse antes, o transforma por antecedência em um clássico do gênero de espionagem, que merece as três indicações ao Oscar que recebeu: Melhor Ator (Gary Oldman), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Música Original. Além disso, a produção ganhou o BAFTA de Melhor Filme Britânico.

O Espião Que Sabia Demais, domingo, 20 de abril, no Max.

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Run, não perca, em abril, esta dura e bem sucedida minissérie dramática inglesa

por max 11. abril 2014 07:23

 

Run é o nome da nova série internacional que o Max apresenta em abril. Desta vez é uma minissérie dramática inglesa dividida em quatro partes que conta quatro histórias interconectadas ao estilo de filmes como Amores Brutos (Amores Perros, 2000), 21 Gramas (21 Grams, 2003), Babel (2006) – estes três, como já devem saber, são do mexicano Alejandro González Iñarritu – Crash: No Limite (Crash, 2004) de Paul Haggis, ou Traffic (2000) de Steven Soderbergh. "Toda ação tem sua reação", "toda vida atinge outra vida" são as frases que definem esta maravilhosa minissérie produzida pelo Channel 4.

A história nos apresenta Carol (Olivia Colman, que vimos em Tiranossauro), uma mulher sem marido, mas com dois filhos para sustentar, ambos imaturos, nada compreensivos da situação, fechados em um mundo onde se misturam as bebedeiras, as brigas e os videogames. Eles, em uma dessas bebedeiras, acabam cometendo um terrível ato de violência e Carol deverá fazer algo para protegê-los. Nessas voltas do destino, ela se conectará com Ying (Katie Leung, umas das garotas da saga Harry Potter), uma imigrante chinesa sem documentos jogada nas ruas de Brixton vendendo objetos roubados, mas não para fazer algo com o dinheiro e sim para pagar sua dívida com "os cabeças da serpente", quer dizer, com a máfia chinesa. Em certo momento, um ataque a deixará sem amigos ou conhecidos, e ela buscará refúgio em Jamal, dono de uma barbearia. Depois conheceremos Richard (Lennie James, quem temos visto nas séries Hung, Jericho e The Walking Dead), um viciado em heroína em recuperação, que tenta voltar a ver sua filha. A dor que lhe gera tal necessidade, o colocará à beira de uma recaída. E na parte final, conhecerá Kasia (Katharina Schüttler, quem faz Greta em Geração da Guerra), uma jovem polonesa que foi vendo morrer suas esperanças de ter sucesso em Londres e que terminará guardando um segredo que pode lhe custar a vida.

Mas isto é apenas um resumo, porque também, entre eles, se estabelecerá essa conexão existencial e argumental que nos demonstrará que, sem dúvida, toda ação implica em uma reação e que toda vida toca outras vidas e, às vezes, as muda para sempre.

Run, suprema minissérie inglesa,  este mês no Max

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O Labirinto de Kubrick, um documentário sobre as chaves secretas por trás de O Iluminado, de Stanley Kubrick

por max 10. abril 2014 06:08

 

 

Vou dizer uma coisa, de verdade, você não pode perder. Se quiser, não veja o restante da programação do Max este mês, mas o filme O Labirinto de Kubrick (Room 237, 2012), primeiro longa-metragem de Rodney Ascher, você precisa ver. DEVE ver, é obrigatório. Estamos diante de um documentário que explora os supostos significados ocultos de uma obra-prima do cinema, o filme de terror O Iluminado (The Shining) de Stanley Kubrick, essa maravilha que até hoje, desde sua estreia em 1980, fascina e faz pensar em seus significados.

Então se trata de um documentário chato que faz análises de cinema? Não, na verdade o assunto é bem divertido. Ascher juntou cinco fãs do filme de Kubrick que dizem o que acreditam ter descoberto. Acontece que o que eles acham ter descoberto é muito divertido. Ascher, vale dizer, não os ridiculariza, mas conversa com eles e mostra, enquanto eles vão falando, as imagens, as cenas do filme onde eles dizem que as chaves estão.

Que chaves, o que descobrem e quem? Trata-se de cinco pessoas, como já disse: Bill Blakemore, que acredita que O Iluminado fala do genocídio dos nativos americanos, baseado nas decorações do próprio hotel Overlook; Geoffrey Cocks, que analisa que a discussão é sobre o holocausto nazista; Juli Kearns, que relaciona o labirinto do filme com o Minotauro (que não é tão absurdo, porém muito óbvio); John Fell Ryan, que descobriu que se você sobrepuser várias cenas diferentes, umas adiantes e outras atrás, formam coincidências bem particulares; e Jay Weidner, que argumenta que o filme é uma grande confissão criptografada de Kubrick, que nos diz que foi ele quem dirigiu a suposta aterrisagem da Apollo 11 na Lua – como sabemos, esta é uma das mais famosas teorias da conspiração.

Será que tudo isso está certo? Não importa! É divertido entrar nessas mentes e saber o que elas pensam. Você pode rir ou levar um susto, assim como fez Jack Torrance, que quase se atreveu a entrar no quarto 237...

Já sabem, O Labirinto de Kubrick,  este mês no Max

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