Para Roma Com Amor, o caos e a paixão em Roma vistos pelo grande Woody Allen

por max 24. abril 2014 04:13

 

Woody Allen vem trabalhando um ciclo europeu de filmes. Ponto Final - Match Point (Match Point, 2006), talvez o primeiro filme deste ciclo, foi na Inglaterra, Vicky Cristina Barcelona (2007) na Espanha, Meia-Noite Em Paris (Midnight in Paris, 2011) na França, e o mais recente, não sei dizer se será o último deste ciclo, Para Roma Com Amor (To Rome With Love, 2012) que, obviamente, acontece em Roma.

Cada filme destes reflete o espírito de cada país ou cidade: Ponto Final - Match Point é um thriller bem inglês, dado pelo ambiente de mistério e crime peculiar dos britânicos (podemos incluir dentro do ciclo Scoop: O Grande Furo - Scoop, 2006 - e O Sonho de Cassandra - Cassandra´s Dreams, 2007- para uma trilogia criminal inglesa); Vicky Cristina Barcelona explora a sensualidade das cores, o sexo, a paixão arrebatadora que se atribui ao sangue espanhol; Meia-Noite Em Paris nos faz mergulhar no encanto, na delícia, no fascínio e na elegância de todos os tempos de uma cidade como Paris e, Para Roma Com Amor, nos apresenta o caos, o ruído, a desordem, a alegria e a loucura de uma cidade como Roma. Não sem razão, o filme começa com um guarda de trânsito (o caos veicular é famoso em Roma) falando para a câmera, nos dizendo que ele tem histórias para nos contar. O que o guarda nos preparou (ou melhor, Allen nos preparou) é uma comédia romântica que envolve quatro histórias, inclusive Woody Allen é um dos atores (ele não atuava desde 2006 em Scoop: O Grande Furo).

Atrevo-me a dizer que, neste filme, o veterano cineasta volta a ser o velho Allen do absurdo, do humor puro e simples. Temos, por exemplo, um senhor italiano que canta ópera magnificamente, um gênio do canto, mas só no banho; ou seja, fora do banho, não canta nada. A solução? O diretor o coloca para cantar em um cenário que também... é um chuveiro. O Allen humorista radical também é revivido na figura de Leopoldo (Roberto Benigni), um personagem qualquer, como muitos, mas que certo dia, sem saber o porquê, alguém o transforma em uma pessoa muito famosa por ser, precisamente, um ninguém. Tem também um arquiteto, interpretado por Alec Baldwin, que percorrerá as ruas de Roma e se encontrará com Jack, um estudante de arquitetura que o admira e o reconhece (Jesse Eisenberg, mais lembrado como Mark Zuckerberg em A Rede Social - The Social Network), e que o convida para ir à sua casa para que conheça sua noiva. O incomum aqui é que John, o personagem interpretado por Baldwin, passará de um personagem muito real a uma voz da consciência – em carne e osso – de Jack, que ficará se aconselhando a todo momento com ele, que não é visto por mais ninguém, como se fosse um fantasma.

Claro, os conflitos amorosos, o tema preferido de Allen, estão presentes: haverá uma situação de uma esposa - porque ela, que veio do interior, se perdeu nas ruas de Roma – uma prostituta (interpretada por Penélope Cruz) e consequentes infidelidades; tem também um casal que termina o relacionamento por causa de uma amiga; esta amiga, vale dizer, é uma aspirante a atriz (Ellen Page, a garota de Menina Má.Com, Juno e A Origem) cheia de chavões da cultura e rápida como o vento. Ela, depois de se entregar às paixões mais profundas e ao amor mais verdadeiro – segundo ela, claro – deixará o pobre Jack (sim, o Jack que falamos acima) confuso e arrasado.

Para Roma Com Amor é uma comédia caótica, selvagem e suprema. Enquanto Meia-Noite em Paris foi um dos maiores sucessos de Allen nos últimos tempos, e Vicky Cristina Barcelona tem sua fila de fãs (infelizes), para mim Para Roma Com Amor é um de seus melhores filmes, o que mais resgatou o velho Allen que havia se perdido entre tantos conflitos de casais e tantas paisagens bonitas. Você não deve perder.

Para Roma Com Amor, estreia exclusiva domingo 27 de abril, no Max.

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O Espião Que Sabia Demais - Gary Oldman leva as intrigas da espionagem à máxima expressão

por max 18. abril 2014 03:27

 

Gary Oldman, Colin Firth, Tom Hardy, John Hurt, Mark Strong, Benedict Cumberbatch, Toby Jones e Ciarán Hinds são os protagonistas de um filme de espionagem que já se tornou um clássico do estilo. Não é para menos, O Espião Que Sabia Demais (Tinker, Tailor, Soldier, Spy, 2012) é um ótimo thriller, baseado no livro de John le Carré, um dos mestres do suspense e das complexas e silenciosas lutas entre os países. Le Carré é autor de obras muito conhecidas como A Garota do Tambor (The Little Drummer Girl, 1983), A Casa da Rússia (The Russia House, 1989), O Gerente Noturno (The Night Manager, 1993), O Alfaiate do Panamá (The Tailor of Panama, 1996), O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener, 2001), entre outras que também foram adaptadas para cinema e televisão. Vale dizer que O Espião Que Sabia Demais foi escrito em 1974 e que, em 1979, a BBC o adaptou para uma minissérie de TV, estrelada por sir Alec Guiness e dirigida por John Irvin. Neste caso, a versão para o cinema ficou por conta de Tomas Alfredson, diretor sueco que conquistou fama com o filme de 2008 Deixe Ela Entrar (Låt den rätte komma in, já exibido pelo Max), história que junta o terror dos contos de fadas de vampiros com uma certa delicadeza.

O Espião Que Sabia Demais parece ser uma história complicada à primeira vista, mas… que história de espião não é? O problema é que, em certo momento, uma missão dá errado — agentes morrem — motivo que leva alguns espiões a serem aposentados, entre eles o personagem de Gary Oldman, George Smiley, ou Sr. Smiley. No entanto, nosso homem voltará à ativa, pois, digamos que de maneira secreta, ele próprio define que vai voltar à espionagem, mas desta vez será interno. Existe uma suspeita de que um dos agentes do Circo (MI6) é um traidor, um agente duplo.

Perfeitamente ambientado nos anos 70 durante a Guerra Fria, este filme reúne o melhor do gênero e tem enredo com uma intriga inteligente que, como disse antes, o transforma por antecedência em um clássico do gênero de espionagem, que merece as três indicações ao Oscar que recebeu: Melhor Ator (Gary Oldman), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Música Original. Além disso, a produção ganhou o BAFTA de Melhor Filme Britânico.

O Espião Que Sabia Demais, domingo, 20 de abril, no Max.

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Run, não perca, em abril, esta dura e bem sucedida minissérie dramática inglesa

por max 11. abril 2014 07:23

 

Run é o nome da nova série internacional que o Max apresenta em abril. Desta vez é uma minissérie dramática inglesa dividida em quatro partes que conta quatro histórias interconectadas ao estilo de filmes como Amores Brutos (Amores Perros, 2000), 21 Gramas (21 Grams, 2003), Babel (2006) – estes três, como já devem saber, são do mexicano Alejandro González Iñarritu – Crash: No Limite (Crash, 2004) de Paul Haggis, ou Traffic (2000) de Steven Soderbergh. "Toda ação tem sua reação", "toda vida atinge outra vida" são as frases que definem esta maravilhosa minissérie produzida pelo Channel 4.

A história nos apresenta Carol (Olivia Colman, que vimos em Tiranossauro), uma mulher sem marido, mas com dois filhos para sustentar, ambos imaturos, nada compreensivos da situação, fechados em um mundo onde se misturam as bebedeiras, as brigas e os videogames. Eles, em uma dessas bebedeiras, acabam cometendo um terrível ato de violência e Carol deverá fazer algo para protegê-los. Nessas voltas do destino, ela se conectará com Ying (Katie Leung, umas das garotas da saga Harry Potter), uma imigrante chinesa sem documentos jogada nas ruas de Brixton vendendo objetos roubados, mas não para fazer algo com o dinheiro e sim para pagar sua dívida com "os cabeças da serpente", quer dizer, com a máfia chinesa. Em certo momento, um ataque a deixará sem amigos ou conhecidos, e ela buscará refúgio em Jamal, dono de uma barbearia. Depois conheceremos Richard (Lennie James, quem temos visto nas séries Hung, Jericho e The Walking Dead), um viciado em heroína em recuperação, que tenta voltar a ver sua filha. A dor que lhe gera tal necessidade, o colocará à beira de uma recaída. E na parte final, conhecerá Kasia (Katharina Schüttler, quem faz Greta em Geração da Guerra), uma jovem polonesa que foi vendo morrer suas esperanças de ter sucesso em Londres e que terminará guardando um segredo que pode lhe custar a vida.

Mas isto é apenas um resumo, porque também, entre eles, se estabelecerá essa conexão existencial e argumental que nos demonstrará que, sem dúvida, toda ação implica em uma reação e que toda vida toca outras vidas e, às vezes, as muda para sempre.

Run, suprema minissérie inglesa,  este mês no Max

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O Labirinto de Kubrick, um documentário sobre as chaves secretas por trás de O Iluminado, de Stanley Kubrick

por max 10. abril 2014 06:08

 

 

Vou dizer uma coisa, de verdade, você não pode perder. Se quiser, não veja o restante da programação do Max este mês, mas o filme O Labirinto de Kubrick (Room 237, 2012), primeiro longa-metragem de Rodney Ascher, você precisa ver. DEVE ver, é obrigatório. Estamos diante de um documentário que explora os supostos significados ocultos de uma obra-prima do cinema, o filme de terror O Iluminado (The Shining) de Stanley Kubrick, essa maravilha que até hoje, desde sua estreia em 1980, fascina e faz pensar em seus significados.

Então se trata de um documentário chato que faz análises de cinema? Não, na verdade o assunto é bem divertido. Ascher juntou cinco fãs do filme de Kubrick que dizem o que acreditam ter descoberto. Acontece que o que eles acham ter descoberto é muito divertido. Ascher, vale dizer, não os ridiculariza, mas conversa com eles e mostra, enquanto eles vão falando, as imagens, as cenas do filme onde eles dizem que as chaves estão.

Que chaves, o que descobrem e quem? Trata-se de cinco pessoas, como já disse: Bill Blakemore, que acredita que O Iluminado fala do genocídio dos nativos americanos, baseado nas decorações do próprio hotel Overlook; Geoffrey Cocks, que analisa que a discussão é sobre o holocausto nazista; Juli Kearns, que relaciona o labirinto do filme com o Minotauro (que não é tão absurdo, porém muito óbvio); John Fell Ryan, que descobriu que se você sobrepuser várias cenas diferentes, umas adiantes e outras atrás, formam coincidências bem particulares; e Jay Weidner, que argumenta que o filme é uma grande confissão criptografada de Kubrick, que nos diz que foi ele quem dirigiu a suposta aterrisagem da Apollo 11 na Lua – como sabemos, esta é uma das mais famosas teorias da conspiração.

Será que tudo isso está certo? Não importa! É divertido entrar nessas mentes e saber o que elas pensam. Você pode rir ou levar um susto, assim como fez Jack Torrance, que quase se atreveu a entrar no quarto 237...

Já sabem, O Labirinto de Kubrick,  este mês no Max

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Motores Sagrados, misterioso e apaixonante filme do diretor francês cult Léos Carax

por max 9. abril 2014 03:32

 

Quem é o senhor Oscar? O senhor Oscar é um ator que não ganha prêmios do Oscar, mas que está muito ocupado atuando no misterioso e apaixonante filme Motores Sagrados (Holy Motors, 2012) do cineasta Léos Carax, antigo "enfant terrible" do cinema francês, que volta à grande tela após três anos de ausência. Seu último trabalho foi Pola X (1999), filme selecionado à Palma de Ouro em Cannes. Na verdade ele já era conhecido por lá desde 1984, quando foi agraciado com o Prêmio da Juventude (claro, ele tinha apenas 24 anos).

Carax tem feito poucos filmes, mas, cada vez que termina um, recebe a aprovação da crítica e de seus seguidores. Sangue Ruim (Mauvais Sang, 1986), estrelado por Juliette Binoche e Denis Lavant, levou vários prêmios no Festival de Berlim e Os Amantes de Pont-Neuf (Les amants du Pont-Neuf, 1991), também estrelado por Binoche e Lavant, foi selecionado para o BAFTA e para o Prêmio César. Sem medo, poderíamos dizer que Léos Carax entra na categoria de autor cult.

Mas do que trata Motores Sagrados? É sobre um ator chamado Oscar (interpretado por Denis Lavant), que passeia em uma limusine e que, durante as horas que andamos com ele, faz novas citações, assume novos papeis, ou pelo menos é o que afirma Céline (Édith Scob), a dama ruiva que dirige a limusine. Não podemos deixar escapar os seguintes detalhes: o filme começa com o próprio Léos Carax acordando e passando através de uma fenda a uma sala de cinema. Carax, aqui o grande detalhe, na realidade se chama Alex Oscar Dupont, Léos Carax é um anagrama de Alex Oscar.

Continuamos: assim como foi um assassino de aluguel, o senhor Oscar essa noite irá a diversas locações de Paris e interpretará diferentes papeis. A única diferença é que ali não tem diretor, nem público, nem câmeras: ele simplesmente interpreta com outras pessoas (outros atores?) cenas onde os limites entre a atuação e a realidade se misturam. Assim, no percurso da noite, este ator interpretará uma idosa que pede esmolas, um outro ator que vai usar uma roupa que captura os movimentos do corpo para transformar em cinema ou jogos 3D – dançará como em um filme musical, fará piruetas ao estilo pastelão, representará movimentos de artes marciais e até mesmo se exercitará em uma sessão pornográfica -, um mendigo meio monstruoso que se apaixona por uma modelo (interpretada por Eva Mendes) e a sequestra, um idoso em seu leito de morte, um pai que discute com sua filha após pegá-la em uma festa e talvez a ele mesmo quando se encontra com Jean (interpretada pela estrela pop australiana Kylie Minogue), outra atriz com quem, ao que parece, ele teve um romance no passado.

O senhor Oscar interpreta seus papeis à perfeição, mas também se vê afetado por essa falta de fronteira entre a arte e a realidade. Em algum momento ele dirá que a única coisa que ainda permanece é a beleza do gesto, esse motor que impulsiona sua vida.

Motores Sagrados é uma joia cinematográfica do gênero fantástico que perturba, encanta e, sem dúvida, surpreende e dá vontade de saber o que vai acontecer depois.

Motores Sagrados, este mês no Max.

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Reza por Chuva, filme dramático que recria o desastre do gás em Bhopal

por max 3. abril 2014 08:52

 

Este é um filme de um diretor indiano que cresceu na Índia, mas que não sabe dançar nem cantar. Reza por Chuva (A Prayer for Rain, 2013) é um drama poderoso, dirigido por Ravi Kumar, que recria os acontecimentos trágicos do desastre de gás em Bhopal.

Em 3 de dezembro de 1984, na região de Bhopal, aconteceu na fábrica de pesticidas Union Carbide um terrível vazamento de isocianato de metila que, ao entrar em contato com a atmosfera, se decompôs em gases tóxicos que geraram uma nuvem letal, que começou a se dissipar próximo ao solo da cidade. Milhares de pessoas e animais morreram de forma quase que imediata e outras em acidentes durante o desespero pela fuga. Acredita-se que 8.000 pessoas morreram na primeira semana e outros 12.000 depois, devido às sequelas deixadas pelos gases. No total, calcula-se que morreram cerca de 25.000 pessoas e cerca de 600.000 foram afetadas.

Kumar conta várias histórias baseadas neste terrível momento, para nos mostrar as causas, o drama e as consequências. Vale destacar que aquela fábrica era propriedade de um grupo americano que, em negociações acertadas com os políticos da região, estabeleceu a operação no meio de uma área residencial, cujos habitantes receberam felizes a novidade nos anos setenta. Eles precisavam de trabalho, precisavam de infraestrutura (águas, pavimentação) que a empresa lhes deu. Martin Sheen, conhecido lutador pelos direitos dos mais necessitados, interpreta um empresário americano que se comporta sob os parâmetros de uma estranha moral filantrópica e ao mesmo tempo de um cruel pensamento egoísta. Temos também Mischa Barton, interpretando uma jornalista que passa pelos lugares da tragédia, e vários trabalhadores da fábrica e políticos da região, cada um representando respectivamente a sua busca pela verdade, o drama da pobreza e a cegueira do poder e a corrupção.

Sem dúvida um drama que emociona e mostra uma das tragédias industriais mais terríveis que acometeu a humanidade... E, justamente este ano, esta tragédia completa 30 anos.

Reza Por Chuva,  este mês no Max

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