À Procura De Sugar Man, documentário ganhador do Oscar em 2013, no ciclo Na Mira do Oscar

por max 28. fevereiro 2014 05:48

 

À Procura de Sugar Man (Searching For Sugar Man, 2012), dirigido pelos sul-africanos Malik Bendjelloul e Simon Chinn, ganhou, merecidamente, o Oscar de Melhor Documentário em 2013. Estamos diante de uma história incrível, focada em um músico folk esquecido, de sobrenome Rodriguez, que gravou, no início dos anos setenta, dois álbuns com temas de protesto, de forte carga social, que venderam nos Estados Unidos pouquíssimos exemplares, apesar das boas críticas. Diante desse fracasso, Rodriguez acabou no esquecimento, de volta à sua Detroit natal (cidade industrial que, como já sabemos, é quase fantasma), onde, dizem, que se dedicou a trabalhar como pedreiro. Enquanto isso, do outro lado do mar, no Sul da África, na Nova Zelândia, na Austrália, sua música cresceu, se multiplicou, fez milagres. Em Johannesburgo, por exemplo, foi a trilha sonora pela liberdade, contra o apartheid. Rodriguez soube disso muitos anos depois, pois a gravadora, aparentemente, vendeu todos os seus discos sem avisá-lo, e também os direitos da obra na África do Sul.

O documentário, que começa com o melhor estilo de uma investigação jornalística ao redor do homem misterioso que é Rodriguez (Onde está? Morreu? Se matou?), vai sendo montando com base em testemunhos de especialista e de fãs sul-africanos, com imagens e registros do próprio artista, que recebe os maiores elogios de quem o comparou até mesmo a Bob Dylan. Deste trabalho jornalístico que nos leva a procurar um homem lendário, suas origens, seu fracasso e seu esquecimento, vamos até a luz e a exaltação daquele que terminou cfazendo apresentações em lugares onde é uma verdadeira lenda. Tudo isso dentro de um estilo narrativo cheio de tensão e de momentos iluminados.

À Procura de Sugar Man, documentário ganhador do Oscar, sexta, 28 de fevereiro, dentro do ciclo Na Mira do Oscar.

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Cinco Câmeras Quebradas, documentário indicado aos prêmios da Academia no ciclo Na Mira do Oscar

por max 27. fevereiro 2014 07:46

 

Em 2005, o Estado de Israel começou a construção de uma barreira conhecida como A barreira Israelense da Cisjordânia, nas fronteiras com a Palestina. É, portanto, uma barreira de segurança que ainda está em construção e que tem, neste momento, 700 quilômetros. Noventa por cento dessa barreira é constituída por uma cerca e por postos de seguranças do exército de Israel. Algumas partes têm um grande muro de concreto e, outras, fossos de até quatro metros de profundidade. Trata-se, sem dúvida, de um projeto muito polêmico que gerou críticas e protestos. No entanto, o governo de Israel argumenta que levantou essa barreira com a finalidade de evitar ataques do lado palestino, inclusive, do tipo suicida.

Lá, a uma curta distância do muro, dos dois lados vivem pessoas. Na área palestina, em uma pequena vila, vive Emad Burnat que, desde 2005, vem registrando a vida que acontece ao redor do muro. Com este material muito valioso realizou Cinco Câmeras Quebradas (5 Broken Cameras, 2011), um documentário que surgiu da união de um cineasta israelense, Guy Davidi, com Emad Burnat.

Tudo começou em 2005, quando Emad levou uma câmera à sua aldeia, Bilin, para registrar o nascimento de seu último filho. Desde então, a função da câmera mudou. E também a vida de Emad. Claro, dizer "a câmera" é uma maneira de generalizar, porque na realidade Emad tem cinco, cinco câmeras que foram quebradas, despedaçadas pelas autoridades.

Através dessas câmeras, Emad registrou momentos como o dia em que arrancaram as oliveiras da aldeia, a progressiva aproximação do muro que cada vez mais busca diminuir seu território e sua vida, a morte de um amigo, a prisão de seus irmãos e sua própria prisão, os protestos da população, as marchas pacíficas...

Um total de 700 horas de gravação se encontram nesse maravilhoso trabalho dirigido por Burnat e Davidi, uma obra que não toma partido de nenhum movimento religioso ou político, muito menos nos mostra a visão de um correspondente de guerra que vem com ideias pré-concebidas dos edifícios do primeiro mundo. Estamos diante de um documentário do dia a dia, dos homens, da marcha a pé, do olhar atento, do olhar próprio que registra e se transforma em voz.

Cinco Câmeras Quebradas foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2013, e você poderá assistir quinta, 27 de fevereiro, dentro do ciclo Na Mira do Oscar, no Max. O que você vê quando vê o Max?

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O Artista, filme ganhador de quatro prêmios da Academia no ciclo Na Mira do Oscar

por max 25. fevereiro 2014 06:31

 

Em 2011, o Oscar se apaixonou por Michel Hazanavicius e por seu filme, O Artista (The Artist), estrelado por Jean Dujardin. A paixão foi tão grande que toda a cerimônia do Oscar foi repleta de referências ao cinema mudo e sua época. Não é de se estranhar que O Artista finalmente ganhou quatro prêmios da Academia: Oscar de melhor figurino; de melhor ator para Jean Dujardin; de melhor diretor, claro, para Michel Hazanavicius; e de melhor filme.

Michel Hazanavicius é um respeitado diretor francês (de pais lituanos), que fez comédias de espionagem estreladas por Jean Dujardin, como o divertido e sofisticado agente secreto OSS 117. Estes filmes são, sem dúvida, uma paródia dos típicos filmes de James Bond; desta forma, Hazanavicius e Dujardim sempre estiveram unidos pelo riso, desde o início.

Com O Artista, Hazanavicus se volta para a nostalgia do cinema mudo que, em muitas ocasiões, está cheio de comédia que ele realiza tão bem. Nesta história situada em 1927, conhecemos George Valentin (Jean Dujardin), astro das ribaltas silenciosas, de uma época glamourosa. George Valentin fascina e seduz, mas logo veremos que o personagem, com a aparição do cinema falado, torna-se teimoso, se negando a desaparecer do mapa, até que inevitavelmente isso acontece. Para sua desgraça, nesse processo de mudança, aparece em sua vida uma garota simples, Peppy Miller (Bérénice Bejo), que depois de um tempo será uma das maiores divas do novo cinema falado. Ela, sem ele saber, o ama na fama e também na ruína... Casualmente, em silêncio. Ele vai virar um sujeito amargo, ela, nos bastidores, o amará e, em certo momento, suas vidas voltarão a se encontrar.

O Artista encanta pelo preto e branco, pelo romance, por esses jogos entre o mudo e o sonoro que cria momentos realmente maravilhosos, comoventes e muito criativos, e claro, pela atuação de Jean Dujardin, que faz uma breve aparição como o banqueiro suíço Jean Jacques Saurel em O Lobo de Wall Street de Martin Scorsese, filme, como já sabemos, indicado a cinco Oscars na próxima cerimônia da Academia. Há rumores que Dujardin também fará Carlos Gardel em um filme de nome Gardel dirigido por Armand Mastroianni, que supostamente vai estrear em 2015. De qualquer forma, temos que esperar confirmação.

O Artista, um drama e também uma bela comédia onde a nostalgia é um grande sorriso, terça, 25 de fevereiro, dentro do ciclo Na Mira do Oscar, no Max.

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A Separação, poderoso filme iraniano ganhador do Oscar, no ciclo Na Mira do Oscar

por max 24. fevereiro 2014 10:34

 

Em A Separação (Jodaeiye Nader az Simin, 2011), do cineasta iraniano Asghar Farhadi, vemos um casal de origem da pequena burguesia que entra em conflito. Ela, Simin (Leila Hatami), não quer continuar vivendo em seu país, deseja para sua filha um mundo melhor, mais moderno. Ele, Nader (Peyman Moadi), tem um pai idoso e com Alzheimer; acredita que não podem ir. O casal decide pedir ajuda a uma espécie de juiz de paz que parece ter muito mais poder que os que conhecemos no ocidente. O juiz diz que não há razões suficientes para partir. Simin, com raiva, abandona o marido e a filha. É aí que aparece Razieh (Sareh Bayat), uma mulher muito religiosa de classe baixa. Razieh está grávida e trabalha sem o consentimento do marido. Nader, solitário e chefe de família, a contrata para cuidar de seu pai. Um dia, o velho foge e Razieh terá que ir atrás dele, fugindo da multidão, nervosa. Ao encontrá-lo, ela o amarra na cama; até que Nader chega. Razieh é demitida, mas depois volta exigindo o pagamento pelo trabalho realizado. Nader se nega a pagar e, na discussão, ela cai da escada. Ela sofre um aborto e culpa Nader, diz que ele a empurrou. E então começa um processo legal e não tão legal que tem a ver com a culpa do aborto. Quem é o culpado? Seria Nader em sua fúria ao demiti-la, o marido violento ou alguma outra coisa que não sabemos? É possível negociar? O que vale mais, a crença religiosa, a verdade ou o dinheiro?

Sob a batuta de uma direção firme e que não busca efeitos e nem sentimentalismos baratos, A Separação apresenta um interessante ponto de vista sobre a cultura iraniana, sobre a religião, a tradição familiar, a moral e a modernidade se misturando sobre as vidas das pessoas deste país, gerando, muitas vezes, conflitos complexos que parecem não ter nenhum sentido, mas que atormentam a alma de quem os sofrem. Em outras partes, em outros países, sem dúvida, pessoas vivem vidas que não imaginamos.

A Separação, ganhador de três Ursos de Ouro em Berlim, um Globo de Ouro e, claro, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2012.

Aproveite este poderoso filme, segunda, 24 de fevereiro, dentro do ciclo que faz uma prévia aos prêmios da Academia, Na Mira do Oscar, no Max.

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Tão Forte e Tão Perto, drama de Stephen Daldry, dentro do ciclo Na Mira do Oscar

por max 22. fevereiro 2014 03:32

 

Tom Hanks, Sandra Bullock, Max von Sydow, Viola Davis, Jeffrey Wright e John Goodman, todos eles acompanham o pequeNo Thomas Horn em Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud And Incredibly Close, 2011), filme dramático e poderoso dirigido por Stephen Daldry, que fará você estremecer e derramar lágrimas. Daldry é um famoso diretor britânico muito talentoso, autor de filmes importantes como Billy Elliot (que deu a indicação ao Oscar para Daldry como melhor diretor), As Horas (The Hours – que fez Nicole Kidman ganhar o Oscar de Melhor Atriz e Daldry o Globo de Ouro como Melhor Filme Dramático) e O Leitor (The Reader – que fez Kate Winslet ganhar o Oscar de Melhor Atriz).

Neste filme, Daldry se baseia no romance homônimo de Jonathan Safran Foer, um jovem romancista de origem judaica, que teve sucesso imediato com a publicação de seu primeiro livro, Uma Vida Iluminada (2002), a história de um garoto que viaja dos Estados Unidos para a Ucrânia atrás dos passos da mulher que salvou a vida de seu avô na Segunda Guerra Mundial. O romance foi levado ao cinema em 2005 pelo ator e diretor Liev Schreiber. Em 2011, Safran Foer viu mais uma de suas obras na grande tela, o filme em questão.

Tão Forte e Tão Perto apresenta a história de um garoto que sai em busca de algo, neste caso de um segredo: seu pai morreu no atentado de 11 de setembro no World Trade Center, em Nova York, e este garoto chamado Oskar encontra, tempos depois, uma chave em um envelope escrito "Black". Aos nove anos, Oskar é um menino muito especial –provavelmente tem a síndrome de Asperger-, é muito sensível a ruídos, ao mundo externo em geral. Contudo, decide sair às ruas e decifrar o mistério da chave e da palavra. Mas antes de sair ele faz um plano: começa a marcar regiões em um mapa da cidade e nesses lugares indica todas as pessoas de sobrenome Black. Em certo momento, a sua aventura o unirá a seu avô, interpretado pelo maravilhoso Max von Sydow. Enquanto que em casa, conheceremos os silêncios e as angústias (e outras coisas) da mãe de Oskar, interpretada por Sandra Bullock (a esta altura, imagino que devem supor quem interpreta o pai morto). Em seu caminho, Oskar vai conhecendo personagens muito particulares, que vão mostrando aos espectadores uma ampla gama da beleza, a tristeza e a ternura do gênero humano.

Este maravilhoso filme, também dirigido por Daldry, conta com a produção de Scott Rudin, que também produziu a versão americana de Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl with the Dragon Tattoo), O Homem Que Mudou o Jogo (Moneyball) e A Rede Social (The Social Network). Uma equipe tão eficaz deu à produção a indicação ao Oscar de Melhor Filme (como sabemos, é indicado o produtor, ou seja, Scott Rudin), e de Melhor Ator Coadjuvante para Max von Sydow.

Tão Forte e Tão Perto, dentro do ciclo Na Mira do Oscar, quarta, 26 de fevereiro, no Max.

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O Barco da Esperança, drama sobre a imigração africana, exclusivo no Max

por max 21. fevereiro 2014 12:23

 

O filme O Barco da Esperança (La Pirogue, 2012), de Moussa Touré, é dedicado aos mais de 5000 senegaleses que tentaram atravessar o mar e que morreram em busca de um destino melhor.

Porque é disso que este filme de Touré fala, é a história de cerca de 30 pessoas que tentam ir do Senegal à costa Europeia, especificamente para a Espanha, o que gera um forte drama, cheio de emoção e de momentos complexos que nos mostram as dificuldades e a audácia daqueles que não aguentam mais sua situação de pobreza e estão dispostos a arriscar a própria vida para ter um futuro melhor.

Piroga é o nome de um barco, uma canoa, e é a embarcação na qual as pessoas saem de Dakar, capital de Senegal. O capitão é Baye Laye (Souleymane Seye Ndiaye), um marinheiro experiente e pai de família que foi obrigado a participar desta arriscada ação por necessidades próprias. Entre os passageiros está o irmão mais novo de Baye Laye, outro jovem que quer ser jogador profissional de futebol, um velho líder de uma tribo com um grupo de agricultores, um homem sem perna que quer trabalhar para comprar uma prótese e uma mulher, Nafy (Mame Astou Diallo), que vai em busca de seus filhos.

Claro, a aventura é arriscada desde o início. Ao longo da viagem haverá tensões sexuais, lutas de poder, tempestades (passageiros que caem e que não sabem nadar e, portanto, se afogam) e até o encontro com outras embarcações em situações piores, sem comida nem água.

O filme, de qualidade narrativa impressionante, ganhou vários prêmios internacionais, entre eles, Un Certain Regard, do maior festival de cinema do mundo: o festival de Cannes.

O Barco da Esperança, domingo 23 de fevereiro, exclusivo no Max. O que você vê quando vê o Max?

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Pina, documentário de Wim Wenders indicado ao Oscar, continua o ciclo Na Mira do Oscar

por max 20. fevereiro 2014 13:46

 

Pina Bausch foi uma das coreógrafas mais importantes dos nossos tempos, a precursora do que chamamos de dança-teatro. Fundadora do célebre Tanztheater de Wuppertal, abriu novas portas da expressão corporal onde se fundiram o sexo, a dor, o amor e o delírio sobre cenários que buscavam romper o limite entre os palcos e a paisagem urbana.

Pina Bausch, mulher fascinante e fumante inveterada, foi o foco das lentes de diretores como Felini, Almodóvar ou Wim Wenders. Wenders é o diretor de Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, 1987) e de Tão Longe, Tão Perto (In Weiter Ferne, So Nah, 1994), histórias sobre anjos que comoveram a todos; autor também de obras como O Amigo Americano (Der Amerikanische Freund, 1977), com Dennis Hopper, baseado no famoso romance de Patricia Highsmit; Paris, Texas (1984), com roteiro de Sam Shepard e atuação de Nastassja Kinski; e também de Buena Vista Social Club (1999), documentário que fez com o guitarrista Ry Cooder e com o produtor Nick Gold, e que resgata do esquecimento um grupo de músicos cubanos. Em 2011, Wim Wenders continuou seus caminhos musicais ou artísticos com Pina, que foi indicado ao Oscar como Melhor Documentário em 2012.

Pina não é exatamente um documentário. De fato, a artista morreu durante o processo de realização. Pina é parte documentário e parte teatro-dança fora dos palcos. O filme é constituído por quatro obras da coreógrafa realizadas nas ruas. O espírito desta fabulosa mulher percorre o trabalho com sua energia, com sua inteligência e suas intuições radicais. Claro, com a morte dela tão recente, há muitas recordações. Sem dúvida, uma obra-prima do cinema documentário que faz homenagem a uma artista fundamental dos nossos tempos.

Pina, de Wim Wenders, domingo, 23 de fevereiro, continuando o ciclo Na Mira do Oscar com filmes indicados e ganhadores do prêmio da Academia. O que você vê quando vê o Max?

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A Feiticeira da Guerra inicia o ciclo de oito dias em homenagem ao Oscar no Max

por max 19. fevereiro 2014 12:49

 

A partir de sábado, 22 de fevereiro, até sábado 1º de março, o Max faz uma prévia aos prêmios da Academia com o ciclo Na Mira do Oscar, filmes e documentários indicados e ganhadores do prêmio mais importante e glamouroso da indústria cinematográfica.

Você vai ver toda noite – Atenção: todas as noites! – durante oito dias, um filme diferente. A Feiticeira da Guerra, Pina, Tão Forte e Tão Perto, O Artista, A Separação, Cinco Câmeras Quebradas, À Procura de Sugar Man, Meia-Noite Em Paris e para finalizar, Escuridão.

 

O filme canadense A Feiticeira da Guerra (Rebelle, 2012), do diretor Kim Nguyen, vai abrir este magnífico ciclo que o Max traz para todos os amantes do cinema e do Oscar. A Feiticeira da Guerra foi indicado como Melhor Filme Estrangeiro e também ganhou o Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Berlim, e a jovem protagonista Rachel Mwanza ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz.

A história se passa na África, em tempos de caos e guerra, e nos apresenta Komona (Rachel Mwanza), uma jovem de quatorze anos grávida, que conta ao seu bebê, que ainda não nasceu, a história de sua vida. Tudo começou quando um dia "cães de guerra" a obrigaram a matar a tiros os seus pais. E ela teve que obedecer, porque se não fizesse eles atirariam nela, e então seus pais morreriam horrivelmente a facadas. A partir de então, conheceremos uma grande lista de infortúnios, ou melhor, de tragédias com alguns restos de beleza e inocência.

Em certo momento desta história ela sobreviverá ao massacre de um combate e, então, quem a rodeia a chamará de "feiticeira da guerra", uma espécie de talismã dos combatentes.

Esta garota, ungida com esse estranho mérito, será nossa guia através de todo o mundo cruel e terrível da guerra civil, ao mesmo tempo em que a conheceremos na transformação da adolescência para a vida adulta.

Em sua jornada sangrenta, Komona conhecerá um garoto albino que diziam ser um Mago. Cabe dizer que os albinos, entre alguns africanos, são seres, precisamente, mágicos, sagrados, e os bruxos os buscam para matá-los e usar seus ossos e cabelos como objetos de boa sorte. Com ele, Komona percorrerá um caminho em busca dos restos mortais de seus pais – que não descansam e aparecem constantemente como fantasmas – com a finalidade de lhes dar uma sepultura digna, que será o foco deste fascinante filme de Kim Nguyen.

A Feiticeira da Guerra, iniciando o ciclo Na Mira do Oscar, sábado 22 de fevereiro, no Max. O que você vê quando vê o Max?

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Ai Weiwei: Sem Perdão, ou o retrato de um artista

por max 17. fevereiro 2014 13:18

 

Ai Weiwei: Sem Perdão (Ai Weiwei: Never Sorry, 2012), da diretora Alison Klayman, é um documentário verdadeiramente inquietante sobre Ai Weiwei, o artista plástico mais polêmico da China, um ativista político que tem resistido a sair de seu país para lutar contra o governo e contra a violação dos direitos humanos no país.

Para realizar esse magnífico trabalho, Klayman acompanhou o artista por três anos. Ela e sua câmera são testemunhas da vida particular e pública do controverso homem. Eles o acompanham na supervisão de suas exposições e em seus trabalhos no estúdio - que logo será destruído por ordens do governo - acompanham a visita que ele faz ao filho que tem com uma mulher que não é sua esposa, e estão presentes quando ele enfrenta a polícia depois de ter apanhado da polícia na cabeça e quando faz atos provocadores para irritar aqueles que o seguem.

Ai Weiwei, cabe dizer, estudou nos Estados Unidos e voltou à China em 1996 devido à morte de seu pai, o destacado poeta contemporâneo Ai Quinq. Desde então, Ai Weiwei vive na China e não parou de fazer arte e política, pois a arte e a política andam de mãos dadas. Um exemplo: após o terremoto de Sichuan em 2008, fez uma instalação com nove mil mochilas, indignado e triste pelas crianças que morreram por causa das escolas mal construídas.

Foram tomadas medidas contra ele. E em 2011 esteve preso – desaparecido - por 81 dias. Seus mais recentes trabalhos artísticos são testemunhos deste terrível momento. Ele montou dioramas de sua prisão, onde aparece todo o tempo acompanhado por dois policiais, e realizou o CD The Divine Comedy, onde Ai Weiwei canta - acompanhado de seus respectivos vídeos (clique aqui para ver um dos vídeos), onde também denuncia toda a detenção.

Uma boa parte do que foi dito aqui está em Ai Weiwei: Sem Perdão, o retrato deste artista controverso, militante e talentoso. Entrevista com o próprio Ai Weiwei e uma boa variedade de entrevistas com amigos e conhecidos se juntam a momentos cheios de força e também de intimidade (a mãe, o filho mais novo) para compor este maravilhoso documentário que, em 2012, ganhou o Prêmio do Júri em Sundance, e que faz honra a este homem que não se cala e que não se arrepende de nada que tenha dito ou feito.

Ai Weiwei: Sem Perdão, terça 18, de fevereiro.

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Adeus Minha Rainha, ou os últimos três dias de uma monarca

por max 14. fevereiro 2014 04:34

 

Enquanto o mundo cai lá fora, Maria Antonieta vive em Versalhes, como se nada estivesse acontecendo. Os empregados vão e vêm por todo o palácio. Ouvem-se rumores, eles comentam entre si. Enquanto isso, a rainha se apaixona, escuta suas leituras, vive em seu mundo.

Recomendo de os olhos fechados o filme visualmente luxuoso Adeus Minha Rainha (Les Adieux À La Reine, 2012), um drama histórico dirigido pelo francês Benoît Jacquot. Jacquot é um diretor que trabalha muito e que tem quarenta títulos em seus créditos; neste caso, se inspirou no famoso romance da francesa Chantal Thomas, que fez a escritora ganhar o Prêmio Prix Femina em 2002.

Este magnífico filme de Jacquot relata um fato já conhecido por todos: a vida palaciana e tranquila dos reis da França no contexto da Revolução Francesa, mas, como já disse, a partir de um ponto de vista nunca utilizado antes, o dos empregados, principalmente de Sidonie Laborde, uma jovem garota cujo trabalho é ler romances e revistas para a rainha.

No papel de Sidonie temos Léa Seydoux, uma bela jovem atriz que em 2009 foi indicada ao Prêmio César na categoria de melhor atriz revelação por seu papel em A Bela Junie (La Belle Personne, 2008), de Christophe Honoré. Sidonie é a que permanece no palácio quando todos, empregados e cortesãos, deixam seus aposentos. E Sidonie realmente ama sua rainha e a monarquia, embora, claramente, vão cair.

Por outro lado, Maria Antonieta é interpretada pela bela atriz e modelo Diane Kruger. Kruger ficou conhecida em Hollywood por seu papel como a diva Bridget von Hammersmark em Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009) de Quentin Tarantino. No entanto, na Europa já era muito conhecida, pois em 2003 já havia recebido em Cannes o Chopard Trophy Award, como revelação feminina do ano.

No filme também é fundamental o trabalho de Virginie Ledoyen, que interpreta a duquesa Gabrielle de Polignac, personagem histórica reconhecida como uma das mulheres mais bonitas da França naquela época; os rumores também diziam que Gabrielle de Polignac foi amante não só do rei, mas também da rainha.

Fofocas, tensão, paixão, drama e lealdade num filme visualmente agradável que recria com perfeição três dias de uma época fundamental da história da humanidade. De fato, para conseguir o máximo de exatidão nos cenários, Jacquot filmou a maioria das cenas no próprio palácio de Versalhes. E claro, a reconstrução da época foi tão boa, que o filme ganhou três prêmios César em 2013, de Melhor Fotografia, Figurino e Cenografia. Benoît Jacquot também concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim.

Adeus Minha Rainha, estreia luxuosa do Max, domingo, 16 de fevereiro.

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