Método Para a Loucura de Jerry Lewis, ou a herança do comediante idiota

por max 23. outubro 2012 07:11

 

Na Idade Média, o gestual exagerado era considerado coisa do demônio. O gestual correto do nobre, por exemplo, devia ser rígido, moderado. O corpo era um templo feito por Deus e devia ser respeitado, devia ser como O Criador, longilíneo, estático, hierático. O corpo de movimentos exagerados era o corpo possuído, o corpo em pecado. O carnaval permitia os exageros dos movimentos. O menestrel também podia mover-se além da conta, assim como o bufão. Mas, se para eles era permitido, isso não era visto com bons olhos, o tempo todo.

O corpo e a doença têm uma relação estreita. A semiologia médica estuda os sintomas do corpo para determinar a doença. Hipócrates, em sua teoria dos humores, estabelecia o equilíbrio da bílis em suas diferentes variantes no corpo como causa das doenças, inclusive mentais.

Em Why the French Love Jerry Lewis: From Cabaret to Early Cinema (2001), de Rae Beth Gordon, vimos que começa um interesse por parte do público e da arte em relação à histeria a partir de Jean-Martin Charcot, que fez estudos sobre a histeria no hospital de La Salpétriêre (1862 e 1881), assim como a publicação da iconografia fotográfica da mesma instituição por parte de Régnard, Londe, Bourneville, Gilles de la Tourette e Richer. Nessas fotos, apareciam as pacientes de La Salpétriêre em diferentes posições, bem estranhas e com expressões faciais não menos impressionantes. Os artistas de cabarés começaram a fixar-se em tais expressões, em tais movimentos. Queriam que seus corpos imitassem o histérico, o idiota, o epilético no palco. Charcot havia dividido aquelas posições em três categorias: a epileptoide (movimento convulsivo), a apalhaçada (ou clownismo, entendido a partir da perspectiva do corpo tomando posições, digamos, acrobáticas) e, finalmente, a de atitudes passionais (posições de êxtase). Então, não é de se estranhar que, com a moda, surgiram apresentações relacionadas a estes estudos de Charcot. É preciso dizer, inclusive, que os contorcionistas e os fenômenos de cabarés já ocupavam um lugar importante há algum tempo.

A hipnose, os estudos sobre o sonambulismo, a histeria estavam em toda parte, estavam na moda. Eram os anos também das ideologias políticas, do anarquismo, do comunismo, do socialismo. Estes grandes temas também permeavam as apresentações nos cabarés; como se sabe, arte, ideologia e crítica social sempre andaram de mãos dadas.

Assim, o corpo começa a ser entendido como um objeto desejado por todos os poderes, como um lugar a ser dominado e, portanto, também entrava nesta luta pela liberdade, pela rebelião. As posições do corpo da histeria e da epilepsia utilizadas pelo artista eram, de alguma forma, o modo de falar de um corpo em desobediência que, na verdade, acata outros poderes, o poder supremo do inconsciente. Tais expressões corporais, tais rebeldias serão vistas, mais adiante, no movimento Dadá, naqueles jovens poetas ou artistas que entravam abruptamente nos cafés, recitando seus poemas incompreensíveis.

A tradição dos comediantes de cabaré, de salão, continuou no cinema. No início do cinema e da televisão, muitos comediantes dividiam seu tempo entre teatros, cabarés e as atuações na tela. Chaplin, Stan Laurel, Oliver Hardy, todos vinham do teatro de variedades. Laurel e Hardy mudaram para o vaudeville – essa versão americana do cabaré europeu. Os irmãos Marx tiveram sucesso no vaudeville e na Broadway. Assim, de alguma maneira, essas correntes subterrâneas da histeria, do cômico idiota (o Cômico Idiota era uma categoria de cabaré), vieram à superfície em algum momento da Comédia americana, tanto na televisão, quanto no cinema. Jerry Lewis foi, talvez, a expressão máxima dessa tendência. Lewis levou seus personagens para novos níveis da comicidade, onde a expressão corporal e o gesto eram motivos de exagero dentro do campo do personagem idiota. Seus personagens eram preguiçosos, irritantes, lunáticos como quem não tinha o cérebro funcionando direitinho, e andavam pelo mundo, levando suas ideias e suas bobeiras para quem cruzasse seu caminho.

Como muitos comediantes, ele começou trabalhando em dupla. O dueto de Lewis era particularmente interessante, porque seu companheiro foi Dean Martin, um galã de voz maravilhosa que encantava as mulheres. Lewis, ao seu lado, era o lerdo, o bobo, o idiota. Assim funcionaram muito bem durante muito tempo, mas depois Lewis começou a trabalhar de maneira independente como ator e como cineasta. O comediante escrevia e dirigia seus próprios filmes. Tinha tudo sob controle. Sempre fez o que lhe veio à cabeça, sempre contou as histórias que quis. Paradoxalmente, em alguns de seus filmes, continuou trabalhando como se tivesse uma colaboração, pois Lewis gostava de interpretar vários papéis em seus filmes, sempre a partir de dois personagens extremamente opostos. Como em O Mensageiro Trapalhão (The Bellboy, 1960), por exemplo, no qual interpreta ele mesmo, ou seja, a estrela Jerry Lewis, mas também um carregador de malas mudo e completamente idiota. O Professor Aloprado (The Nutty Professor, 1963), um de seus trabalhos mais conhecidos, também é exemplar, pois apresenta um professor lerdo e abobado que, para melhorar sua vida social, inventa uma fórmula que o transforma em outro homem, um que não acaba sendo o terrível Mr. Hyde, mas sim um galã de primeira categoria. Lewis, como diretor, conta com mais de 20 filmes e, como ator, com mais de 70. Sua marca está em tudo o que realizou. Ele era esse tipo desagradável, de trejeitos exagerados, abestalhado e desajeitado, que colocava todo mundo em apuros. Seus personagens oscilavam da perfeição ao disparate, da norma social à lerdeza, que faz sentir a "glória repentina" de Thomas Hobbes. Sua herança está em atores como Jim Carrey, Robin Williams, Pe-wee Herman, Chevy Chase, entre outros.

Incompreendido em sua época, amado pelos franceses e reabilitado em nossos dias, Jerry Lewis é visto, atualmente, como um mestre da comédia norte-americana. Um documentário como Método Para a Loucura de Jerry Lewis (Method to the Madness of Jerry Lewis, 2011) faz justiça a ele. Seu diretor, Gregg Barson, certa vez, entrevistou Lewis para outro documentário que estava realizando e então surgiu a ideia. Mas, claro, tinha que fazer um documentário sobre o mestre incompreendido! Logo começaram a trabalhar. Barson não somente teve o consentimento do comediante em questão, mas outros como Quentin Tarantino, Billy Crystal, Jerry Seinfeld, Steven Spielberg, Carol Burnett, Alec Baldwin, Chevy Chase, Eddie Murphy e Carl Reiner também adoraram participar. O documentário, que levou três anos para ser finalizado, não somente foca no legado de Lewis na comédia, mas também no mundo dos negócios e inclusive nas contribuições técnicas (sim, contribuições técnicas) de Lewis para o cinema.

O Marlon Brando da comédia americana - assim o chamam em algum momento do filme. Esse Marlon Brando vagabundo e desajeitado que deixou algo de sua arte – de sua arte boba, com raízes profundas naquelas velhas fotos de La Salpétriêre — em muitos dos comediantes contemporâneos e que marcou maneiras de olhar o mundo e de fazer comédia no cinema, também vagabundo e muitas vezes cruel.

Método Para a Loucura de Jerry Lewis, domingo, 28 de outubro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Nada Pessoal, uma viagem com destino ao amor e à solidão

por max 23. outubro 2012 07:09

 

A solidão é tão temida quanto o amor. Mas, no caso do amor, pode-se atenuar caso este amor seja concebido como uma ação controlada, dirigida, regulada por uma mensagem carregada de códigos benignos e comerciais. Em nossa civilização, sobram estímulos que levam a não ficar sozinho e a amar a coletividade. A publicidade, os padrões de conduta marcados por códigos, por signos contemporâneos, a roupa, o perfume, o penteado, a cor da pele, a maneira de falar, os olhares, a arrumação de uma festa, o que está na moda, o livro, o filme, todo esse universo de sinais nos enfrentam, nos unem, nos tornam rebanho e nos mostram o caminho do amor. Assim, devemos nos apaixonar, como diz a TV, a internet, o rádio, a revista, o pôster.

Como experiência, cabe perguntar como seriam as relações amorosas nessa solidão tão temida. O amor vindo da solidão e vivendo na solidão, nesse lugar verdadeiramente íntimo onde as pessoas se conhecem e estabelecem uma relação. Como se iniciariam os rituais do amor? Como seriam suas dinâmicas?

A cineasta polonesa Urszula Antoniak faz a história de Nada Pessoal (Nothing Personal, 2009) girar em torno destes temas. Uma mulher (Lotte Verbeek) vai para o campo, como se fosse uma turista europeia mochileira que sai para conhecer o mundo. Mas ela é diferente: viaja para lugares distantes, vive na solidão e parece bem confortável com isso. Em determinado momento, ela para, pois conhece Martin (Stephen Rea), um homem solitário que vive em um casarão afastado. Ele oferece alojamento e trabalho para ela e estabelece-se um pacto entre eles: aqui não há nada pessoal, nem poderia haver. No entanto, a dureza das almas e essa solidão bem assumida em ambos irão rachando aos poucos, para abrir caminho a outros sentimentos. Na distância, na desolação, na solidão dos ermitãos, afastados de todos os códigos impostos do amor, o amor também assumirá suas formas. Urszula Antoniak faz um trabalho estético minimalista, moderado, mas delicado, em sua exploração do amor entre estes personagens que, nas cartas do Tarô, poderiam ser O Ermitão e O Louco, neste caso, uma errante que, no fim, parou para fazer uma viagem, como o Ermitão, ao interior de sua alma.

Nada Pessoal, neste sábado, 27 de outubro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Deus é Brasileiro, ou um país segundo Cacá Diegues

por max 22. outubro 2012 11:35

 

Carlos Diegues é um diretor veterano, um dos últimos representantes do Cinema Novo em atividade, movimento surgido no final dos anos 50, e diretor de filmes importantes como A Grande Cidade (1967), Os Herdeiros ((1972), Xica da Silva (1976), Bye Bye Brasil (1980), Quilombo (1986), Um Trem para as Estrelas (1987), Tieta do Agreste (1996), Orfeu (1999) e O Maior Amor do Mundo (2006), entre outros.

Aqueles cineastas dos anos 50, influenciados pela Nouvelle Vague e pelo neorrealismo italiano, levantaram-se para mostrar ao mundo o verdadeiro Brasil da pobreza e, assim, sob o conceito de uma ideia na cabeça e uma câmera na mão, começaram a fazer cinema. Diegues, junto com seu mentor Glauber Rocha, foi dos que mais escreveu sobre o movimento. Também Diegues foi quem mais trabalhou o tema do negro em sua filmografia. Com os anos, logicamente, foi se decantando e mostrando-se menos radical quanto à "estética da fome" do Cinema Novo. Ele entendia que o Brasil, como totalidade, não era só miséria, mas também as melodias, as paisagens, a beleza do povo, apesar de que isso trazia o exotismo pré-fabricado que a indústria e o público europeu desejavam, como diziam os cineastas daquela época.

Um de seus trabalhos mais recentes é Deus é Brasileiro (2002), um filme que não se afasta da visão social e crítica, mas que, desta vez, é trabalhado a partir do gênero da comédia e sob o formato de road movie. Baseado no conto "O santo que não acreditava em Deus", de João Ubaldo Ribeiro, o filme apresenta Deus como protagonista. O Criador (Antônio Fagundes), cansado de ver os homens errarem várias vezes, decide tirar férias, mas, para não deixar o negócio sozinho, decide procurar um santo na Terra que o substitua por um tempo. Esse santo chama-se Quinca das Mulas (Bruce Gomlevsky) e vive em algum lugar no Brasil. Deus desce à Terra para buscá-lo pois, embora seja Deus, não conhece a localização exata desse sujeito. No caminho, encontra personagens que o ajudarão na aventura: um malandro chamado Taoca (Wagner Moura) e a bela Madá (Paloma Duarte). Assim, o que seria uma procissão solene, acaba virando a trajetória de saltimbancos através de um país que vai se revelando em suas entranhas, tal como Cacá Diegues já tinha feito em 1979, com Bye Bye Brasil. Os road movies, já sabemos, permitem revelar regiões desconhecidas dos países e da alma.

Deus é Brasileiro mostra o campo, o urbano, as favelas, a prostituição, a violência, mas faz isso a partir de um olhar abrangente, a partir do afeto, da ironia e de um suave sarcasmo que revelam um Brasil, como todo país latino-americano, mergulhado nas contradições, da pobreza e do extremo capitalismo, da modernidade e do primitivismo.

E, finalmente, Quinca. O santo querido acaba sendo um lutador social ateu, que não se deixa convencer facilmente pelos milagres, pelas maravilhas e até mesmo pela fúria de Deus. Paradoxo do mundo: Deus existe, mas não faz falta, ou Deus existe, mas ninguém percebeu que está morto? Um país não precisa de deuses, mas sim de pessoas honestas que, verdadeiramente, acreditam no que fazem?

Deus é brasileiro, de Cacá Diegues, nesta sexta-feira, 26 de outubro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Um inferno, ou da água no fim dos tempos

por max 22. outubro 2012 11:13

 

Em uma página do site das Nações Unidas (aqui deixo o link, com conteúdo em inglês), leio o seguinte: "A escassez de água já afeta todos os continentes. Cerca de 1.2 bilhões de pessoas, quase um quinto da população mundial, vive em áreas de escassez de água, enquanto que 500 milhões estão próximos desta situação. Outros 1.6 bilhões, cerca de um quarto da população mundial, enfrentam situações de escassez de água, onde países carecem da infraestrutura necessária para transportar água a partir de rios e aquedutos)." Mais adiante, falaremos disso.

 

"— Atualmente, existem cerca de 700 milhões de pessoas, em 43 diferentes países, que sofrem com a escassez de água.

— Em 2025, 1.8 bilhões de pessoas viverão em países ou regiões com escassez absoluta de água e dois terços da população mundial poderão viver em condições de estresse hídrico.

— Sob o contexto atual de mudança climática, no ano de 2030, quase a metade da população mundial viverá em áreas de estresse hídrico, inclusive entre 75 e 250 milhões de pessoas da África. Além disso, a escassez da água em áreas áridas ou semiáridas provocará o deslocamento de 24 a 700 milhões de pessoas.

— Na África-subsaariana encontra-se o maior número de países com estresse hídrico."

 

Mas, o que é esse estresse hídrico? Aqui segue a resposta: "Uma área experimentará estresse hídrico quando seu fornecimento anual de água caia para menos de 1.700 m3 por pessoa. Quando esse mesmo fornecimento anual cai para menos de 1.000 m3 por pessoa, então se fala em escassez de água. E de escassez absoluta de água quando a taxa é menor do que 500 m3."

 

Estes parágrafos copiados falam melhor do tema do que se eu tivesse feito o mesmo, e são perfeitos para introduzir Um Inferno (2011), um filme de ficção-científica nem tão distanciado da realidade, dirigido pelo alemão Tim Fehlbaum. E mesmo que nosso diretor situe a história no ano de 2016 e atribua as causas da escassez da água ao reaquecimento solar, não podemos deixar de ver este enredo como uma grande advertência ao que seria o mundo afetado pelo aquecimento global (que é outro grande problema que aqui prefiro não tocar) e pelo fim das fontes de água.

Um Inferno é um thriller pós-apocalíptico, que se alimenta de todas as fontes cinematográficas conhecidas do gênero para apresentar um elemento original e contar o terrível destino de um grupo de pessoas que devem lutar muito para sobreviver em um mundo carregado de obscuridade. Em algum lugar da Alemanha, em um certo 22 de setembro deste futuro horrendo, Marie (Hannah Herzsprung), sua irmã Leonie (Lisa Vicari) e Phillip (Lars Eidinger) vão em seu Volvo por um caminho através das devastadas montanhas da Bavária, na busca de uma região onde a água talvez ainda exista. Claro, o perigo vem de todos os lados, e o diretor não é benevolente quando se trata de mostrar o quão sinistra pode ser a alma humana, inclusive a própria alma dos protagonistas.

Um Inferno, um filme sem água... e sem almas caridosas. Não perca, nesta quinta, 25 de outubro. Descubra o Max.

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Coco Chanel & Igor Stravinsky, ou o encontro radiante

por max 19. outubro 2012 11:16

 

A arte de Stravinsky, em sua época, era um turbilhão, uma força obscura forjada na tradição russa, nas profundas florestas pagãs. A Sagração da Primavera foi uma obra-prima e também um escândalo. Em sua apresentação em Paris, houve vaias, brigas, presença da polícia. Ele era, além de tudo, de baixa estatura e pouco fotogênico. No entanto, aprenderia a comportar-se como um homem do mundo. Aprenderia a ser cosmopolita e também teria esse ar fascinante de quem foge das tiranias, do comunismo russo. Nada é mais sexy do que a fama. Coco, também não era beneficiada pela beleza, mas era elegante e famosa. Como ele, já havia deixado para trás uma vida para começar outra. Havia deixado pra trás o orfanato e a pobreza, essa outra espécie de ditadura. Sua arte, por outro lado, estava arraigada na elegância. Arraigada em sua elegância, a que ela impôs com seus desenhos, com sua moda. E eles se encontraram, ela no auge de sua carreira, e ele no pêndulo de seus tormentos por causa da incompreensão do público. Claro, tiveram um romance, ou o que nos conta o mito, e também Coco Chanel & Igor Stravinsky (2009), filme dirigido por Jan Kounen.

Metade holandês, metade francês, Kounen foi diretor de 99 francos (99 francs, 2007), filme polêmico, estrelado por Jean Dujardim, que recentemente ganhou o Oscar, no qual faz uma sátira do mundo publicitário. 99 francos é baseado em 13,99, romance de Frédéric Beigbeder, um fenômeno de massas e um tratado contra o consumismo. Agora, Kounen volta com um filme baseado em outro texto, desta vez do poeta e romancista britânico Chris Greenhalgh que, em 2002, publicou o romance Coco & Igor. Como no romance, o filme de Kounen recria o humor, essa possibilidade de romance que houve entre Coco Chanel e Igor Stranvinsky, por volta dos anos 20, quando ele estava em Paris com sua esposa, e Coco convidou o casal para passar uns dias em sua casa de campo nos arredores de Paris. Naturalmente, a esposa de Stravinsky percebe a atração e o romance. Naquele momento, sua mulher era Katerina Nossenko, com quem o compositor esteve casado por 33 anos. Assim, naquele isolamento campestre, com aquele ar carregado de tensão, o conflito nasce.

Coco Chanel & Igor Stravinsky busca unir duas almas apaixonadas que fogem das convenções sociais e que se juntam por um breve instante no tempo e na eternidade artística, para abrir caminho, para levar a novos níveis espirituais e da arte que é, talvez, a verdadeira maravilha desse encontro entre dois grandes: mas, além do romance, o radiante encontro de dois espíritos criativos.

Coco Chanel & Igor Stravinsky, filme de Jan Kounen, estrelado por Olivier Claverie e Natacha Lindinger, neste domingo, 21 de outubro. Descubra o Max.

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O Retorno de Tamara, ou uma comédia campestre de Stephen Frears

por max 19. outubro 2012 07:33

 

Stephen Frears é um daqueles diretores que sabe colocar o dedo na ferida. Sua cinematografia é carregada de sátira e crítica social. Não podíamos esperar menos de um diretor de origem britânica, com maravilhosos filmes como Minha Adorável Lavanderia (My Beautiful Laundrette, 1985), O Amor Não Tem Sexo (Prick Up Your Ears, 1987), Sammy e Rosie (Sammy and Rosie Get Laid, 1987), Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons, 1998), Os Imorais (The Grifters, 1990), Coisas Belas e Sujas (Dirty Pretty Things, 2002), Sra. Henderson Apresenta (Mrs. Henderson Presents, 2005) ou A Rainha (The Queen, 2006).

Seu trabalho mais recente, O Retorno de Tamara (Tamara Drewe, 2010), é uma comédia de costumes de caráter coral, baseada em quadrinhos de humor publicados em um jornal e criados pela caricaturista e escritora de literatura infantil Posy Simmonds que, por sua vez, se baseou no romance Longe deste Insensato Mundo, de Thomas Hardy, para recriar seu mundo dominical. No filme, temos Tamara (Gemma Arterton), uma jovem jornalista, bem sucedida e atraente, que volta para sua cidade natal, no interior da Inglaterra, com o objetivo de vender a casa de sua mãe, que morreu recentemente. Ali, Tamara se encontrará com os personagens de seu passado e outros de um tempo mais recente. Tais aproximações servirão para ir "cavando" o corpo e as almas daquele povoado, que não é mais, nem menos infernal do que qualquer grande cidade. Maridos adúlteros, esposas demasiadamente fiéis, estrelas do rock, escritores bem clichês em sua forma de ver o mundo (ou seja, escritores bem escritores mesmo) e uma jornalista ressentida e ávida por sexo, todo um acervo de situações habituais que, apesar de leves, apresentam uma excelente oportunidade para que Frears aprofunde-se em dois dos temas que tão bem maneja, utiliza e tanto o interessam: os meandros do amor e a sátira social. Uma comédia de Stephen Frears ao estilo de Os Contos de Canterbury ou Decameron, que você não deve perder.

O Retorno de Tamara, neste sábado, 20 de outubro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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When You’re Strange: Um Filme sobre o The Doors, ou Morrison, o esquisito

por max 18. outubro 2012 02:27

 

Jim Morrison não acreditava que uma parede era uma parede. Não acreditava na dureza dessa parede. Jim Morrison acreditava que uma parede era uma porta, e que essa porta podia ser aberta. Para tanto, somente era preciso ter a chave. Essa chave era a arte, especificamente a música. Morrison leu Nietzsche, aquela parte que falava sobre arte, estética como uma verdadeira metafísica do homem, daquele wagneriano que alucinava com o mundo grego e que argumentava que, entre Dionísio e Apolo, preferia Dionísio, que deu origem à tragédia grega. Se bem que, para Nietzsche, a arte era constituída pela ordem e harmonia de Apolo e também por esse fundo obscuro, caótico e mais ancestral, composto por Dionísio. O filósofo ficava com esta segunda parte, em um gesto, sem dúvida, ousado e desafiador para sua época. Morrison havia lido Nietzsche "musical", que chegou a perguntar-se em Gaya scienza o que seu corpo poderia querer com a música, e a resposta teria sido o alívio. "Como se todas as funções animais devessem ser aceleradas mediante ritmos leves, audazes, turbulentos; como se o bronze e o chumbo da vida devessem esquecer seu peso graças ao ouro, à ternura e ao jeito "escorregadio" das melodias. Minha melancolia quer descansar nos esconderijos e abismos de perfeição: é por isso que preciso da música". Nietzsche imaginava essa parede mole, leve, que tanto Morrison almejava do mundo. O filósofo deu ao poeta essa concepção existencial, onde a vida somente é possível na arte, na estética, no ideal dionisíaco. Evidentemente, Morrison é produto de seu tempo. Nele estava a rebeldia contra os poderes, a alma da juventude emancipada dos julgamentos mentais, a juventude que não queria guerras, que não queria que lhe dissessem que o que tinham que fazer, que acreditava que o ser humano era mais, que a realidade era mais. A juventude de Timothy Leary, de Carlos Castaneda, de Aldoux Huxley. A juventude da psicodelia, das drogas que mudam a percepção do mundo para vislumbrar o que há por trás de tudo. Morrison era parte desse conglomerado, e havia lido Neitzsche, e havia lido o gênio precoce de Rimbaud (talvez se visse refletido nele) e a caótica e demolidora religiosidade de William Blake. Claro, ele havia lido Ferlinghetti, Ginsberg, Kerouac. Tudo isso estava em Morrison, e tudo isso não somente era sua cultura literária, mas sim também sua vida. Disse uma vez: "acredito que um longo, prolongado e ordenado transtorno dos sentidos leva ao desconhecido." Morrison queria fazer de sua vida uma arte. Desde jovem, escrevia poesia e, um dia, cantou, e descobriu que sabia cantar. E outros também descobriram que ele sabia cantar. Ele tinha tudo. Atitude, talento, voz. Morrison estava destinado a ser o mensageiro, o anjo dos novos tempos. E então veio a fama. E, então, o caos o tomou de uma vez, e entre a fama e o caos, foi uma chama que se extinguiu.

Não dá pra saber quem podia mais, se os ideais ou a doença do vício. Bebia, drogava-se por ser rebelde e para buscar os mundos de onde surge a arte? Ou dizia que era rebelde e que buscava os mistérios da arte para drogar-se e beber? Cada um terá sua própria opinião. Em 1969, falou de sua relação com o álcool para a revista Rolling Stone e disse o seguinte: "Você tem o controle até certo ponto. É sua escolha cada vez que toma um trago. Tem um montão de pequenas escolhas. Suponho que é a diferença entre o suicídio e uma rendição lenta." Morrison, no fim, não foi um deus, não foi um anjo, foi um ser humano que morreu jovem. A verdade é complexa e estranha. Os seres humanos são todos esquisitos.

Este mês, o Max traz When You're Strange: Um Filme sobre o The Doors (The Doors: When You're Strange, 2010), documentário dirigido por Tom DiCillo, um diretor que havia trabalhado na televisão, mas que, nos anos 90, dirigiu vários filmes de ficção. Desde seu primeiro trabalho, vemos em DiCillo um notável interesse pelos indivíduos periféricos e atormentados. Johnny Suede (1991), protagonizado por um Brad Pitt muito jovem e desconhecido (não demoraria muito para que o público o visse em Thelma & Louise), apresenta um garoto hipster, desses que procuram afastar-se da cultura dominante e buscar um estilo de vida alternativo. Como sabemos, o hipster é produto de uma mistura pós-moderna do hippie, do grunge, do punk e do beat, entre outros movimentos alternativos. Seu segundo filme, Vivendo no Abandono (Living in Oblivion, 1995), não se afasta do alternativo, e também toma o caminho do "por trás da câmera", ao aprofundar-se nos altos e baixos de um dia em um set de um filme de baixo orçamento. Em Box of Moon Light Poster (1996), mostra um homem de classe média, John Turturro, rebelando-se, "saindo da caixa". E em Um Loira de Verdade (The Real Blonde, 1997) volta a interessar-se pelos bastidores do mundo do entretenimento. Não é de estranhar, então, que DiCillo se entregasse ao gênero documentário e que, além disso, fizesse isso com a vida de um dos grandes ícones da anti-cultura contemporânea, Jim Morrison. Porque, ainda que o documentário pretenda centrar-se no The Doors como uma banda, a presença de Morrison é tão forte que acaba engolindo o documentário.

 When You're Strange: Um Filme sobre o The Doors acaba sendo o registro da trajetória cronológica do grupo, mas focado em Morrison para ir tecendo essa rede, que demonstra que o cantor que lidera a banda e o grupo eram as duas faces inseparáveis da moeda, de um momento histórico e de uma concepção do mundo que sempre lançará um olhar estranho.

When You're Strange: Um Filme sobre o The Doors, nesta quinta, 18 de outubro. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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My Little Princess, ou a voz devida

por max 16. outubro 2012 10:55

 

Buscando o significado da palavra infância, descubro que ela tem origem no latim e que quer dizer "incapacidade de falar". A criança é alguém que não pode falar, que não pode expressar-se em público, que não tem vontade. No decorrer da história, as concepções sobre a infância variaram enormemente e, o que consideramos uma criança hoje em dia, é muito diferente do que se pensava a respeito há 200 anos. A criança de hoje está cercada de um sistema de proteção (de vozes) realmente invejável. Em algum lugar, li que, na Idade Média, considerava-se a criança um ser imperfeito. Em outro tempos, a criança era considerada uma coisa qualquer, um objeto de propriedade dos pais, e eles, com direito a essa coisa, podiam fazer desse pequenino o que quisessem. Os gregos e os romanos não tinham problemas em ter as crianças como objetos sexuais. Acredito que, em nenhum destes casos, podemos julgar os fatos, sob a ótica dos dias atuais. Eram outros tempos, outra maneira de ver o mundo. Com a modernidade (alguns estudiosos acreditavam que a infância é uma invenção da modernidade), os conceitos sobre os pequeninos mudam e surgem, evidentemente, os direitos da criança. De alguma forma, poderíamos dizer que, pouco a pouco, foi dada voz à criança (a voz é talvez uma forma de existência), um lugar no mundo. Já não se trata de uma criança muda, que deve submeter-se a qualquer ato arbitrário; agora, este ser humano conta também com vozes que falam por ele e, ao mesmo tempo, tem voz própria, direitos, humanidade.

Quando penso no filme My Little Princess (2010), de Eva Ionesco, não deixo de pensar nesses silêncios e nessas vozes, pois estamos diante de uma produção que apresenta uma criança (a própria Eva Ionesco) mergulhada no silêncio, com sua voz proibida.

Baseando-se em fatos de sua própria vida, a cineasta francesa fala, finalmente fala, finalmente tem voz, para contar a história da relação com sua famosa mãe, a fotógrafa de moda Irina Ionesco, que fez de sua filha (Eva) modelo de suas fotos. O tema não tem nada de especial, além do fato de que Irina Ionesco destacou-se como uma fotógrafa de forte tendência erótica. Suas fotos, a maioria em preto e branco, contavam com cenários, ambientações e adereços muito fetichistas, barrocos, decadentes, vitorianos inclusive . Eva não ficaria excluída das obsessões da artista. A criança foi retratada pela mãe a partir dos cinco até os 10 anos, semi-nua, sempre ou apenas coberta por toda a parafernália fetichista. Mas Irina Ionesco não somente tirou as fotos, mas também levou as imagens para as galerias de arte, e as galerias não hesitaram nem um segundo em comprá-las e até pediram mais.

Aqui poderíamos entrar no debate sobre a arte, o comércio e a moral. Aqui Jean Baudrillard estaria feliz e diria que essa é mais uma demonstração da morte da arte. Por que importa mais a doença que a obra de arte com seus valores estéticos? O que importa mais: a venda, a comercialização dessa arte sem que a moral intervenha, ou é necessário sobrepor a moral ao negócio? Também poderíamos nos perguntar sobre a natureza da arte. Poderíamos nos perguntar se, na arte, somente a dimensão estética é a que tem importância, ou se, por acaso, essas fotos não obedecem a atitude costumeira do artista que sempre sai por aí atirando na falsa moral. Mas o que denota a falsa moral quando se retrata uma criança nua? A mesma Eva Ionesco declarou que sua mãe, na verdade, não estava vendo a ela quando tirava as fotos, mas estava totalmente concentrada no processo de tirar fotos, de fazer arte. Porém, Irina não somente usou sua filha para suas fotos eróticas, mas também a colocou pra trabalhar em filmes eróticos e permitiu, além disso, que a fotografassem para as revistas Playboy e Penthouse. Eva tem o duvidoso privilégio de ser a modelo mais jovem já retratada pela Playboy (tinha 11 anos).

Ela pôde negar-se a fazer isso naquela época? Ao que parece, não. Irina era uma mulher possessiva, que amava, da sua maneira, a filha, e que queria levá-la pelos caminhos da arte de ser modelo artístico, ou algo que tivesse a ver com o estilo. Irina nunca disse um não para sua filha. Estava obcecada com a "carreira" que construía pra ela e até mesmo com sua própria arte. Quem sabe quais eram os conceitos que ela tinha sobre a infância, ou melhor, do que era ser mulher? O que é certo, é que, muitos anos depois, Eva Ionesco deu voz à criança e pôde, finalmente, contar sua história. Essa história está contada em My Little Princess. O assinante que julgue.

My Little Princess, este mês, no Max. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Sr. Ninguém, ou a memória da alma

por max 16. outubro 2012 10:50

 

Os temas da alma e da memória não são novos. A memória, a lembrança, a construção da alma através da memória é fundamental para o ser humano. Borges disse, em seu conto "O imortal", que a morte nos faz (nós, mortais) preciosos e patéticos ao mesmo tempo. Porque temos a consciência da morte, fazemos tudo como se fosse a última vez. "Tudo, entre os mortais, tem o valor do irrecuperável e do aleatório", disse Borges. Sermos belos e patéticos diante da morte nos torna criadores de histórias. Porque nascemos uma vez, porque morremos só uma vez e porque não temos mais do que uma vida, cada um de nós precisa renovar-se constantemente. Somos todos novos no mundo e precisamos de histórias, de memória, das lembranças, para sentir que vivemos. É uma das maneiras mais profundas de encontrar sentido na vida. A partir disso, por exemplo, no conto de Borges, o imortal Homero se apresenta como uma espécie de troglodita que desenha símbolos na areia. Aquilo que desenha e apaga não é uma língua, é o nada. O troglodita parecia estar vazio, porque sua imortalidade havia se esvaziado. Borges disse que, nos imortais, a história, cada ato do homem, é apenas "o eco de outros que o antecederam no passado, sem princípio visível, ou o fiel presságio de outros que, no futuro, vão se repetir até a vertigem." A lembrança na imortalidade é inútil, conjectura entrelinhas de Borges. Trago aqui também, rapidamente, o vampiro de E. Elias Merhige em seu filme A Sombra do Vampiro (The Shadow of the Vampire, 2000). Aquele vampiro, interpretado por Willem Dafoe, em certo momento comenta que perdeu a memória, que já não pode se lembrar de suas origens, que passou tempo demais. O esquecimento engole o imortal que já nem luta contra essa falta de lembranças para perpetuar a memória, para dar sentido a sua vida.

No filme Sr. Ninguém (Mr. Nobody, 2009), percorremos os mesmos caminhos. Para Nemo (nemo nullius, em latim significa ninguém) falta pouco para morrer, ele vive no ano 2092, em um mundo onde os homens conseguiram um tipo de imortalidade, às custas de não viver, de não tomar decisões, de permanecerem estáticos. Mas este Nemo que vai morrer começa a contar sua história. Uma fascinante história que dura mais de cem anos e, até mesmo, mais que uma vida. Rapidamente, percebemos que os relatos de Nemo oscilam entre a ficção e as lembranças. Mas, por acaso, essa lembrança não é uma ficção? Por acaso, as histórias que contamos sobre nós mesmos não são um incessante preencher de vazios, vazios que são esquecidos? O interessante aqui é que Nemo, que certamente viveu muito e, como se contou, viveu mais de uma vida, também compartilha os reveses do esquecimento. Esses esquecimentos se transformam nas vidas vividas, em toda sua possibilidade, em universos paralelos. Nemo é o último ser humano nessa raça do futuro que vive trancada em seu medo de morrer, que vive paralisada e sem memória em uma falsa eternidade. Nemo é a vida, a vida preferível, vida melhor, mesmo que envolva a morte.

Jared Letto faz uma excelente interpretação, variando os diferentes Nemos que existem no filme. O cineasta belga Jaco Van Dormael (Um homem com duas vidas/Toto The hero, O oitavo dia/The Eighth Day) dirige este drama, ou talvez essa comédia leve de ficção-científica, com um tom delicado e metafísico, e com ritmo fluido apesar dos vai-e-vens entre as histórias Tudo o que começa com uma criança em um caminho, no qual precisa decidir entre sua mãe e seu pai que se separam, vai logo se ramificando em uma espécie de percurso pelos mundos da física quântica e dos mundos paralelos, o que nos faz refletir, através do que é narrado, sobre os temas da memória, do esquecimento e da imortalidade.

Um filme que comove e, ao mesmo tempo, alegra; um filme cheio de luz, Sr. Ninguém. Assista este mês. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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Segredos de um funeral, ou a festa das confissões

por max 11. outubro 2012 10:51

 

Nesta sexta-feira, o Max exibe Segredos de um funeral (Get Low, 2009), protagonizado por três grandes atores: Robert Duvall, Bill Murray e Sissy Spacek. O filme fala de morrer, de cair morto, de morrer em paz. Primeiro longa do diretor de fotografia Aaron Schneider, parte, precisamente, dessa ideia: um homem, já idoso, que deseja revelar seus segredos para poder morrer sem deixar dívidas morais, e para isso, organiza, em vida, seu próprio funeral.

Robert Duvall, impecável como sempre, vive esse personagem, chamado Felix Bush. É um homem rude, seco, que viveu 40 anos afastado da civilização, embrenhado em um bosque, como se estivesse trancado em sua própria cela, pagando uma pena que ele próprio se impôs. No povoado mais próximo, todos têm algo a dizer sobre ele: é um assassino, matou a sangue frio, é preciso tomar cuidado e não chegar muito perto. Bush deixou que todos esses rumores se acumulassem, o mundo não interessa a ele. Agora, porém, algo parece chamar sua atenção: o final de sua vida e as inquietudes da alma. Ele regressa, então, à civilização e consegue que Bill Murray – dono de uma funerária com ares de vigarista – organize, para ele, algo parecido com uma festa funerária (nada mais, nada menos), para a qual estão convidados todos do povoado, e cujo anfitrião será Felix Bush em carne e osso. Não demora muito e a tensão do funeral se apresenta, bem como surge uma pessoa chave para Bush e para a história: Mattie (Sissy Spacek). Por meio dela e do passado que os une, Bush abrirá as portas de seu obscuro segredo.

Um filme ambientado no Tennessee dos anos 30, mas sem maiores pretensões de sobrecarga histórica, que se apoia, como deveria ser, na força de interpretação de um monstro da atuação como Robert Duvall e de outras duas grandes figuras, como são Bill Murray e Sissy Spacek.

Segredos de um funeral se aprofunda no passado e na alma de um homem já em seus últimos dias para falar da culpa, do isolamento, da velhice, do amor e da redenção. Um filme simples e cativante que, às vezes, parece uma fábula e, noutras, uma história crua repleta de realidade.

Segredos de um funeral, nesta sexta-feira, 12 de outubro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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