Trabalho Interno, ou o grande roubo a banco, de dentro

por max 29. setembro 2012 03:10

 

Há pouco tempo, estive em Orlando, Flórida. Não ia para lá há muito tempo e vi algo que jamais havia presenciado ali: vários hotéis fechados, abandonados, com mato ao redor. Também fui ao que se conhece por Church Street Station: quase todos as firmas daquela antiga rua cheia de vida em outros tempos estavam fechadas. Imediatamente pensei na crise financeira norte-americana. Imediatamente pensei em Trabalho Interno (Inside Job, 2010).

Este filme, dirigido por Charles Ferguson, ganhou o Oscar de Melhor Documentário em 2011. Ele nos explica, sem complicações nem termos técnicos, a causa dessa crise, que não foi somente norte-americana, mas também mundial. O próprio Ferguson disse isso em uma entrevista. Compreender o que aconteceu é fácil: foram roubos a bancos e os ladrões não eram criminosos armados que entraram com armas. Neste caso, o roubo partiu da parte de dentro (foi, pois, um inside job), partiu dos colarinhos brancos. O que é complicado, claro, são os detalhes, como conta o mesmo Ferguson. Mas o filme, nesse sentido, é uma maravilha do ponto de vista didático. Mostra o que ocorreu e conscientiza a respeito. Quem o realiza não é um recém-chegado ao mundo das cifras. Ferguson estudou Matemática em Berkeley e fez doutorado em Ciências Políticas, nada mais, nada menos que em M.I.T. Foi consultor de agências governamentais, inclusive da Casa Branca, e de empresas como Apple e Motorola. Em 2005, fundou a Representative Pictures, companhia que lhe serviu de plataforma para o próprio trabalho cinematográfico: No End in Sight (2007), seu primeiro documentário, centrado na administração Bush e no tema do Iraque, e Trabalho Interno (2010), este outro documentário baseado na crise financeira.

No documentário, Ferguson nos mostra como a falta de regulamentações governamentais unida à avareza e à mentira de companhias financeiras muito poderosas de Wall Street, além do silêncio e inclusive da mentira de importantes acadêmicos, produziu esta terrível crise em 2008. Todo um caso de cumplicidades, silêncios e mentiras de um pequeno grupo que acabaram afetando uma grande quantidade de pessoas e ao mundo inteiro.

Como disse o próprio Ferguson, os culpados não foram castigados e inclusive seguem ao lado do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quem, segundo o diretor, não fez nada relevante para corrigir o mau caminho, o mau passo. Caminho que, em determinado momento, percebeu-se, pura miragem, como a rota dos grandes tempos. Nesse sentido, é maravilhoso o tema "Big Times", de Peter Gabriel, para começar o documentário (aqui podemos ver o vídeo original de Gabriel). E, talvez, estes criminosos não tenham ido para a prisão, mas Ferguson os destaca com nomes e sobrenomes. Aí estão seus nomes, seus rostos (inclusive daqueles que não quiseram participar), e ali também a voz que os denuncia. E talvez, desde que o documentário se transformou em sucesso de público e crítica, estes ladrões de colarinho branco não estejam mais podendo dormir tão tranquilos como antes. Apenas talvez, lembre-se do "talvez"; o melhor não lhes interessa.

Trabalho Interno, documentário vencedor do Oscar, dirigido por Charles Ferguson, este domingo, 30 de setembro. Ah, a narração é de Matt Damon.

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Coco Antes de Chanel, ou a simplicidade da elegância

por max 11. setembro 2012 08:08

 

Para Coco Chanel, a elegância era vital. E a elegância, para ela, estava baseada na simplicidade. "As mulheres estão sempre muito vestidas e nunca bastante elegantes", disse certa vez. Outra dela: "A simplicidade é a chave da elegância". Chanel mudou para sempre o mundo da moda, com ela fez-se um divisor de águas entre a empetecada, carregada e opulenta Belle Époque e os novos tempos da moda. Vestidos com espartilho, forros, enfeites demais, complexos, pesados, caracterizavam as roupas das mulheres dos tempos anteriores. Gabrielle Chanel acabou com tudo aquilo e criou sua moda, inspirada no simples, no preto (não se usava até então e nem se relacionava a cor com a elegância na mulher) e na comodidade. Em 1913, quando abriu sua primeira loja Deauville, toda sua elegância e simplicidade já estavam ali. "Recorto, alivio e suprimo tudo o que incomoda o corpo e o que freia o gesto". Suas primeiras clientes: nada mais, nada menos que senhoras requintadas da alta sociedade. Essa simplicidade da qual falava Chanel, no princípio dos anos 20, é hoje em dia um valor aliado à produção de mercadorias de alta tecnologia, por exemplo.

John Maeda, designer gráfico e estudioso da computação, diretor do Media Lab do MIT, relacionado entre as 21 pessoas mais importantes do século 21 pela revista Esquire e ganhador da medalha AIGA em 2011, é também o autor de um livro que deixou marcas na história do design: Laws of Simplicity, publicado em 2006.

Maeda fala de dez princípios que regem a simplicidade e começa assegurando que simplicidade é sanidade. A simplicidade, diz, faz a vida melhor. Mas, além disso, não vê o tema da perspectiva do cliente; de fato, Maeda escreve o livro como um análise de mercado baseada na simplicidade do design. A venda é o alvo, o objetivo e atingi-la vem graças à compreensão da simplicidade no design. "As pessoas não apenas compram mas, o mais importante, amam o design que torna suas vidas mais simples". Maeda disse também que a simplicidade envolve lealdade pelo design do produto.

Os princípios aos quais Maeda se refere são Reduzir (a maneira mais simples de alcançar a simplicidade é mediante a redução bem pensada); Organizar (a organização permite que um sistema complexo pareça simples); Tempo (economizar tempo faz com que as coisas pareçam mais simples); Aprender (o conhecimento simplifica tudo); Diferenças (a simplicidade e a complexidade necessitam uma da outra); Contexto (o que se encontra na periferia da simplicidade não é nada periférico, mas sim muito relevante); Emoção (mais emoções é melhor que menos emoções); Confiança (confiamos na simplicidade, a simplicidade é um caminho seguro para a comunicação); Fracasso (não é possível fazer algumas coisas de maneira simples, às vezes o erro é um ingrediente necessário para a vitória ou para obter a beleza); A direção (a simplicidade consiste em deixar aquilo que é óbvio e adicionar o importante).

Se considerarmos estes dez elementos com relação a Coco Chanel, perceberemos que a estilista havia entendido, muito antes que este livro fosse publicado, os princípios e as leis que aparecem nele. Chanel reduziu, literalmente, o aparato da moda de então, diminuiu o que sobrava. Organizou em materiais (algodão leve, por exemplo), linhas de produtos e imagens simples toda sua proposta. Fez com que sua roupa fosse mais cômoda, confortável, mais fácil de usar, o que deu à mulher maior liberdade, leveza de movimentos, o que se traduz em um ganho de tempo no vestir e no translado. Chanel usou suas experiências no orfanato onde cresceu (lembremos do preto e dos hábitos e naquilo que chegou a dizer: "prefiro o preto rigoroso com o qual se vestem as freiras de Aubazine à miscelânea em tons pasteis"), seus contatos e visões com os mundos de um nobre e de um cavalheiro milionário com quem se relacionou sentimentalmente, e fez, com tudo isso, o que poderíamos chamar de um resumo estético que se expressou na elegante simplicidade de sua proposta. E, claro, Chanel criou um contexto e encheu de emoção seu trabalho; ela mesma foi o ícone desse contexto e dessa emoção. Lembremos que a mesma Coco era magra, não tinha seios nem cintura, e usava o cabelo à la garçonne. Usar Chanel era ser como ela: sofisticada, cosmopolita, contemporânea, inteligente. Chanel criou um mundo referencial onde se moviam seus modelos, e também criou um receptor de suas mensagens: aquela cliente requintada e "merecedora" da simples elegância de Chanel. Chanel sempre foi criativa, nunca temeu a experimentação, nunca temeu o erro criativo, buscando, isso sim, processar o complexo mundo da moda a partir da simplicidade que ela desejava. Porque ela, mais que criar moda, criou um estilo. E ela mesma disse: "as modas passam, o estilo permanece".

Coco Chanel criou o conjunto de lã composto por um blazer reto e uma saia de corte reto, calças para mulheres, o perfume Chanel número 5 (foi a primeira estilista a lançar sua própria fragrância), os suéteres de decote canoa, saia plissada, sapatos de dois tons, os punhos e os frisos do colarinho brancos e muito de tudo aquilo que hoje em dia faz parte de um estilo clássico, elegante e simples que nunca morre.

Este mês, o Max nos apresenta Coco Antes de Chanel (Coco Avant Chanel, 2009), dirigido por Anne Fontaine e magnificamente interpretado por Audrey Tautou, no papel de Coco Chanel, claro. Um filme biográfico que nos mostra, tal como seu título anuncia, o processo de crescimento e formação da grande estilista. Uma construção delicada que vai passando pelos diferentes momentos da vida de Chanel, sem converter a paisagem em uma exibição de postais e momentos sem maior interesse no geral, como acaba acontecendo na maioria das biografias cinematográficas. Com estilo delicado, elegante e gracioso, o filme se interessa pela alma da artista, e em retratar esse processo de crescimento, observação e conjunção de todos aqueles elementos que a levaram a ser uma das estilistas, designers de moda mais importantes do século XX.

Coco Antes de Chanel, delicie-se com o filme neste domingo, 23 de setembro. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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Back to back de 2001: Uma Odisseia no Espaço para Laranja Mecânica

por max 11. setembro 2012 07:23

 

Back to back de semelhanças

Como muitos filmes de Stanley Kubrick, esses dois são baseados em textos de escritores. Laranja Mecânica, no romance do mesmo nome de Anthony Burgess, especificamente a versão publicada nos Estados Unidos, sem o capítulo 21, no qual o personagem Alex decide reformar-se, mudar completamente. No filme, Alex não deixa a violência. 2001: Uma Odisseia no Espaço é um caso mais particular: mais do que em um romance, é baseado em um dos contos curtos de Arthur C. Clarke, que posteriormente se transformariam em um romance e, paralelamente, em um roteiro para o cinema. O caso foi assim: Kubrick se aproximou de Clarke, pois queria fazer uma obra de arte com o gênero de ficção científica. Clarke gostou da ideia e começaram a trabalhar em propostas. No final, escolheram dois contos de Clarke (especialmente A Sentinela), e decidiram ampliá-los, convertê-los em romances e depois fazer o roteiro. Essa maneira particular de trabalhar resultou que o romance e o roteiro foram sendo escritos paralelamente. Kubrick ocupando-se mais do roteiro e Clarke do romance, mas sempre num proceso de retroalimentação.

 

Ambos os filmes começam sem os créditos iniciais, algo que não era normal no final dos anos 60 e que se tornaria uma marca de Kubrick. Os dois filmes começam com uma apresentação dos estúdios produtores (a Metro em 2001, a Warner em Laranja), a seguir vem o crédito para Kubrick (como produtor em ambos os casos) e logo o título do filme. Nada mais, nada de atores, nada de outros produtores, nem de escritores. Aquí, o início de Laranja Mecânica e aqui o de 2001: Uma Odisseia no Espaço.

 

 

Os dois filmes usam música clássica ou acadêmica, o que, sem dúvida, também se transformou numa marca do diretor. Dois dos temas mais conhecidos foram: Assim falava Zarathustra, de Richard Strauss, em 2001: Uma Odisseia no Espaço, e a Sinfonia Nº 9 (segundo e quarto movimentos), de Beethoven. Nunca uma música que não foi planejada para tais imagens resultou tão apropriada, tão ideal, tão como se tivesse sido composta para, como estes dois temas que fluem sobre as respectivas cenas de cada filme. Como recordarão, a peça de Strauss é utilizada no início de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Em Laranja Mecânica, a Nona de Beethoven é uma das músicas preferidas de Alex e também é utilizada até que o enlouquece (literalmente), no tratamento que é aplicado ao jovem violento para transformá-lo em um cordeirinho. Também o sintetizador Moog de Walter Carlos (depois Wendy Carlos) serve para acrescentar um tom moderno, tecnológico, juvenil e, ao mesmo tempo, decadente, obscuro e psicodélico às peças clássicas que são ouvidas em determinado momento. Recordemos que Laranja Mecânica se passa no futuro, num futuro indeterminado. Aqui um link interessante com relação ao tema da música nos filmes de Kubrick, e um dado extra: Walter ou Wendy era muito amigo de Robert Moog que foi o físico e engenheiro eletrônico que inventou, em 1963, o sintetizador Moog, um equipamento monofônico baseado em osciladores e amplificadores controlados por voltagem.


Laranja Mecânica e 2001: Uma Odisseia no Espaço são filmes futuristas. O primeiro é entendido como uma distorção de uma Inglaterra afundada, mergulhada numa espécie de perversidade da modernidade, onde a tecnologia espacial não é o tema principal, mas os sonhos da razão que produzem monstros psicológicos. Em Laranja Mecânica interessa mais a radicalização do controle entre os mesmos humanos (um digno herdeiro de 1984, de Orwell), enquanto em 2001: Uma Odisseia no Espaço reina todo um aparato tecnológico, trabalhado minuciosamente por Kubrick sob a supervisão de Fred Ordway e Harry Lange, dois especialistas em tecnologia de ponta que haviam trabalhado na NASA. Assim, embora bem distintos em seu tratamento visual, ambos os filmes tratam do futuro.

 

 

Back to back de uma diferença linguística e outra de desenho de produção

2001: Uma Odisseia no Espaço é um filme com poucas palavras. Um dos capítulos é protagonizado por macacos distantes da língua humana. Depois, nas naves e nas estações espaciais há poucos tripulantes, vida monótona e tempo limitado para o diálogo. A pesar disso, o ato comunicacional é fundamental. O monolito que gera toda a trama emite um sinal, se comunica de alguma forma, ou faz como que se comunica, talvez com a finalidade de atrair e logo perder aos que se aproximam; como aquela beleza colorida de certas plantas, que no final acaba sendo uma armadilha letal. Também HAL 9000, o computador, fala, se "comunica". Com HAL tampouco há garantia de que a comunicação seja recíproca, que as palavras sirvam para alguma coisa. HAL não deseja um intercâmbio, sua vontade é impor-se, fazer cumprir uma missão: suas palavras escondem um silêncio. Laranja Mecânica, por seu lado, é um filme em que as palavras transbordam, até mesmo as de um jargão conhecido como Nasdat, e que foi inventado por Anthony Burgess, profundo admirador da obra de James Joyce, e de quem tomara a técnica de pegar palavras de outras línguas para uni-las com os vocábulos e assim criar novas palavras. Alex e seus companheiros de gangue, como sabemos, falam aquela língua que no filme aparece com menos abundância do que no livro. Esse jargão inventado por Burgess (principalmente com palavras retiradas do idioma ruso) dá ao filme e ao romance uma sensação de atemporalidade apropriada

 

Ainda que ambos os filmes se passem no futuro, as propostas visuais de ambos são totalmente diferentes. A visão de Laranja Mecânica é delirante e absolutamente lúdica. O filme foi rodado principalmente em externas. Foram construídos somente quatro cenários: o bar Korova, o banheiro do escritor, a ante-sala da prisão e o salão de entrada da casa do escritor. De resto, tudo foi filmado fora dos estúdios. Porém, Kubrick e John Barry (o designer de produção) queriam dar ao filme um tom futurista, e a partir dali foram buscar locações interesantes em revistas de arquitetura. E a direção de fotografia, a cargo de John Alcott, veio este toque que se procurava. Alcott, que repetia a experiência fotográfica com Kubrick (a anterior havia sido, certamente, com Laranja Mecânica, o que resulta outra semelhança), propôs fontes de luz natural (janelas, telas iluminadas, tudo buscando sempre saturação de cores), mais uma atmosfera azulada que contribuía para dar a sensação de distancia e frieza ao conjunto. Jogou-se muito com a lente grande angular, usou-se a câmera lenta e o zoom violento. Em 2001: Uma Odisseia no Espaço, foi realizada uma investigação apurada das novas tecnologias e as possíveis do futuro. Houve, como já disse, a assessoria de especialistas que trabalharam na NASA, Fred Ordway e Harry Lange, mais o especialista em construção de modelos, maquetes para o cinema, Anthony Masters. Tudo foi desenhado com extremo cuidado, tanto que nenhum botão que aparecesse sobre o console podia estar sobrando; tudo devia ser absolutamente justificado, ter uma função "real". O nível de exigências e trocas chegou a criar sérios conflitos entre Kubrick, os especialistas e a equipe de construção dos desenhos. O diretor de fotografia foi o veterano Geoffrey Unsworth, que deixou o filme por causa de outros compromisos de trabalho (deu-se bem com Kubrick). Em seu lugar entrou Alcott, com quem Kubrick também trabalhou muito bem. Usou-se muito a grande angular, e na fotografia, nítida e detalhada, as cores apresentam-se sem maior saturação, muito sutis e muito limpas sobre cenários com muitas curvas, muito polidos e com fontes de luz suave que, durante todo o tempo, estavam claramente determinadas. Sempre buscava-se que a luz ocupasse todos os espaços. Em outros momentos, há uma forte presença do vermelho, para dar sensação de perigo, de alarme tecnológico.

 

 

De volta à simples curiosidade

Em Laranja Mecânica, o bar preferido de Alex e seus companheiros de gangue se chama Korova, que quer dizer vaca, em ruso. Em 2001: Uma Odisseia no Espaço, o computador "que fala" chama-se HAL 9000. HAL quer dizer Heuristically programmed ALgorithmic computer. Há quem diga que o nome também corresponde ao corrimento, à sombra que deixa cada uma das letras da sigla da marca IBM: é o mesmo que dizer a I antecede o H, ao B antecede o A, e ao M antecede o M. Não é certeza, mas é interesante.

 

Back to back, a data

Delicie-se nesta quinta-feira, 20 de setembro de um poderoso back to back de duas obras-primas de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisseia no Espaço e Laranja Mecânica, um filme seguido do outro, sem perder tempo, sem despedício. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

Tiranossauro, ou violência e redenção à inglesa

por max 10. setembro 2012 10:38

 

A alma se rompe com a perda, no que podia ter sido e não foi. Rompe-se na frustração de uma vida que não foi completada como alguma vez se quis. Nessa ruptura, nesse buraco negro, se instaura a dor, e esta, em muitas ocasiões, se entorpece em falsas doses de bem-estar, de prazer. O álcool proporciona esse entorpecimento, é um placebo. A ira também, a violência. Somente se deseja mitigar essa dor, calar a cabeça por algum tempo, fazer fugir o corpo e a vida para um mundo artificial, mundo que dura apenas algumas horas ou alguns segundos. Depois, naturalmente, vem o horror da consciência, os pés na terra, mais dor.

Tiranossauro (Tyrannosaur, 2011), primeiro filme dirigido e escrito pelo ator Paddy Considine (Vingança Redentora, A Luta pela Esperança), tem suas raízes no realismo social britânico de cineastas como Ken Loach e Mike Leigh, e até mesmo uma marcante influência de Violento e Profano (Nil by Mouth, 1997), escrito e dirigido pelo ator Gary Oldman, a quem Considine agradece explicitamente no filme. Tiranossauro, baseado em Dog Altogether (2007), bem sucedido curta-metragem dirigido pelo mesmo ator, está carregado de uma forte tônica de realismo social britânico (muito naturalista, diria eu), com a intenção de ir fundo na classe trabalhadora, o machismo, a dor, a fúria e o vício.

Em matéria de representação, há um magnífico Peter Mullan no papel de Joseph, um homem alcoolizado e cheio de fúria que perdeu a mulher há alguns ano. A aparição do personagem não pode ser mais estarrecedora: chega em casa bêbado, tropeçando, e espanca seu pequeno cachorro até matá-lo. Depois, arrependido, carrega para dentro da casa. Revelador também é o visual do cartaz promocional do filme: Joseph, curtido, com a pele endurecida, enrugada, gasta pelo tempo e maltratada, carregando o que parece ser um perigoso taco de beisebol. Mas sua atitude ao segurar o taco não parece ser violenta, mas de arrependimento. O gesto de Joseph parece ser o de penitente, o de um monge violento. Estamos na presença de um tipo rude, absorvido pelo ódio, por causa da dor, um desprotegido que foge de sua desesperança pessoal e social através do álcool. É cínico e autodestrutivo, e quando lhe oferecem a oração, o descanso, a mão da religião, ele se esquiva, diz não crer e, no entanto, começa a abrir-se.

Essa imagen da luz é oferecida por Hannah, encarnada intensamente por Olivia Colman. Hannah está, social e economicamente, acima de Joseph, a quem ela encontra caído certa manhã em frente a sua loja de mercadorias religiosas. Mas por trás de seu mundo aparentemente perfeito, também habita a dor: Hannah também é alcoólatra. Sua dor é a impossibilidade de ter tido um filho, e um marido violento (Eddie Marsan), que bate nela e a humilha.

Estamos então diante de um inferno, onde duas almas atormentadas se encontrarão, não sei se para se salvar, mas sim, pelo menos, para se proteger, para sobreviver. Não estamos diante de uma simplista história de amor nem de redenção. O filme é mais profundo, mais humano, mais triste e mais cruel, e busca não cair nas soluções fáceis. Essas pessoas estão despedaçadas, e o despedaçado, ainda que volte a se unir, remendar-se, ficará para sempre rachado, apesar de sua necessidade de luz e de redenção. Momentos muito fortes se alternam com breves instantes de beleza, neste filme onde as atuações são o prato mais forte. Um ator de primeira dirige outros atores de primeira, e estes nos entregam uma imagem nua e crua de um setor da sociedade inglesa carregado de perdas, desesperança, dor, violência e vício.

Tiranossauro deu a Considine o premio BAFTA como diretor e roteirista estreante. Também na categoria revelação, ganhou o British Independent Film Awards, e no Sundance foi reconhecido como Melhor Diretor. Olivia Collman ganhou os prêmios de Melhor Atriz no festival de Chicago, na preamiação dos críticos de Londres, no British Independent Film Awards, e também compartilhou com Peter Mullan o prêmio especial do júri em Sundance.

Tiranossauro, na quarta-feira, 19 de setembro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Miral, ou um judeu contando uma história palestina

por max 10. setembro 2012 09:58

 

Parece que Julian Schnabel nunca havia prestado muita atenção a assuntos judeus e palestinos, nem muito menos havia se interessado por temas religiosos hebreus (é novaiorquino e judeu). Até que ele conheceu e se apaixonou, aos 59 anos, por Rula Jebreal, uma atraente jornalista de 37 anos e de origem palestina. Então Schnabel fez um filme, Miral, baseado na biografia de Rula, que conta a história de três gerações de mulheres, desde a criação do estado de Israel até o final dos anos 90. Antes deste filme, o diretor havia feito outros três, que lhe deram fama nos festivais mais prestigiados do mundo: Basquiat - Traços de uma Vida (1996), Antes do Anoitecer (2000) e O Escafandro e a Borboleta (2007). Em Veneza, foi indicado para o Leão de Ouro por Miral, ganhou o prêmio especial do júri por Antes do Anoitecer e os prêmios Unicef e Unesco por Miral; em San Sebastian, levou o prêmio do público por O Escafandro e a Borboleta; foi indicado para o Oscar e ganhou seus respectivos prêmios de melhor diretor em Cannes e no Globo de Ouro. Excepcional marca para um diretor que começou como artista plástico. Nos anos 80, Schnabel ganhou fama no movimiento bad painting, considerado um braço do neoexpressionismo, graças a algumas enormes pinturas às vezes figurativas, às vezes constituídas por meros pratos quebrados, às vezes uma mistura do retrato figurativo e dos pratos quebrados.

Miral, seu quarto filme, é produto do amor. Do amor por Jebreal e do amor por seu compromisso humano com o conflito árabe-israelense. Rodado em Israel e protagonizado pela atriz indiana Freida Pinto (Quem Quer Ser um Milionário?), não é considerado um dos melhores de Schnabel por alguns críticos, que o julgam políticamente correto demais. É bom recordar que o filme causou indignação entre grupos judeus dos Estados Unidos, por ser considerado anti-israelense. "Minha mensagem é que precisamos abrir nossos corações e considerar essas pessoas seres humanos", declarou Schnabel em uma entrevista, falando dos palestinos. Respondeu que o desprezo e o ódio não eram um estilo tradicional hebreu para tratar as pessoas. "Quando fiz o filme, trabalhei tanto com judeus quanto com palestinos. Todos eles queriam paz", disse o diretor, que não queria um filme típico sobre os judeus, pois essa história já havia sido contada muitas vezes. Por isso, ele decidiu narrar o conflito entre Israel e os palestinos a partir de outro lado, o dos palestinos, por meio da adaptação do romance de Rula Jebreal, essa jovem jornalista que, aos cinco anos, diante da morte de sua mãe, foi colocada em um orfanato pelo pai. Graças a uma bolsa do governo italiano, Jebreal estudou jornalismo na universidade de Bolonha, e acabou se transformando na primeira âncora de origem estrangeira no noticiário italiano. Jebreal cobriu a guerra do Iraque e em 2005, aos 33 anos, recebeu o mais importante prêmio do jornalismo na Itália, o Ischia International para o melhor jornalista do ano. Publicado em 2003, seu romance, também intitulado Miral, foi um imediato sucesso de vendas pelo tratamento do conflito de forças a partir da visão feminina, centrada especialmente nas mulheres: Hind, a dona do orfanato, e Miral, uma menina que chega ao lugar depois da norte de sua mãe.

Schnabel adapta essa história que se desenvolve através de vários momentos históricos e varias gerações. Tal como no romance, fixa sua atenção em Miral, uma garota de 16 anos interpretada por Freida Pinto, sua relação com Hind (a atrtiz Hiam Abbass) e com um militante da OLP, Hani (Omar Metwally).

Assim, Miral passa a fazer parte da pequena lista de filmes que, nos últimos tempos, tem tratado do conflito árabe-israelense, tais como Paradise Now (2005), de Hany Abu-Assad, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, Líbano (2009), de Samuel Maoz, ou o maravilhoso Valsa com Bashir (2009), de Ari Folman, que passou há algum tempo no Max.

Estamos diante de um filme que adapta uma perspectiva humana e sentimental, como muitos dessas produções que se interessam mais pelo espírito do que pela guerra. Um filme que não descamba para o melodrama e que explora os aspectos políticos a partir da alma dos personagens, sem querer marcar uma posição presa a radicalismos. Entre Hind e Hani estarão os limites do mundo da menina, que oscilará entre a ação política, guerrilheira (ou terrorista) e a solução pacífica dada pela educação e o humanitarismo em meio àquele mundo devastado pela raiva, radicalismo e guerra.

Miral, de Julian Schnabel, no domingo, 16 de setembro. Reinvente, imagine de novo. Descubra o Max.

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Cópia Fiel, ou a beleza e a verdade do amor

por max 7. setembro 2012 08:50

 

Fala-se do amor como uma forma de alcançar a verdade, de estar em harmonia consigo mesmo. Fala-se até do amor como uma forma de verdade. Fala-se também da verdade e da beleza em estreita relação. Platão dizia em O Banquete que o único modo de alcançar a verdade era através do amor pela beleza. A beleza, a estética, a representação da realidade é uma das visões, talvez, das mais ortodoxas e conhecidas, do que é a arte. A arte embeleza com seu olhar. Voltemos, porém, a Platão. O filósofo também dizia que, no início, os homens foram dois seres em um, mas os deuses os separaram, e desde então os homens e as mulheres se procuram para unir-se entre si no andrógino, o ser perfeito. Desde então, se fala da metade da laranja, da alma gêmea e de tudo o mais. O namoro arrebata e faz sentir que encontramos aquela parte que nos falta. Sentimo-nos felizes, sentimos que estamos vivendo nossa verdade.

Mas quanto dura a paixão e o que é, na verdade, o amor? Parece girar em torno dessas perguntas o filme Cópia Fiel (2010), do afamado diretor iraniano Abbas Kiarostami. Neste filme, protagonizado por Juliete Binoche e William Shimel, ele é escritor de livros comerciais e ela, dona de uma galeria de arte.

Ela chega com feridas de amor, ele com ideias sobre a arte, e os dois, casal de desconhecidos, passarão um dia inteiro em um povoado ao sul da Toscana.

A escolha do lugar não pode ser melhor. Aquela região italiana se transforma no "cenário" para uma história romântica. As aspas não devem ser vistas com superficialidade. Precisamente, o que acontece entre aqueles dois personagens é uma representação, uma montagem, uma cena do que é o amor, inclusive com suas diferentes etapas, mas sempre em um espaço limitado de horas onde ambos os personagens representarão sobre aquele cenário idílico o jogo por vezes malicioso, por vezes cruel e sarcástico do amor.

Kiarostami explica asim uma dinâmica entre o amor e a estética, onde duas almas já cansadas da realidade do amor começam a "representar" esteticamente esse amor. Ambos estão cansados porque viveram a "realidade" das relações, aquilo que se passa a viver tão logo acaba a paixão, aquilo que nos abre os olhos e nos faz ver a "verdade": podemos discutir, brigar, construir o inferno com nossa própria metade da laranja, com aquela que cremos que nos completava e nos fazia feliz. A esta verdade, a esta realidade, o cineasta iraniano contrapõe o sinal da representação, ou seja, contrapõe o estético. O amor não apenas necessita da verdade, mas também da beleza, de certo toque estético, de certo jogo, de certa representação, de certa ficção, de certa arte, de certa "mentira". O amor necessita de sua "cópia" para manter-se, para seguir vivendo dentro de sua verdade. O amor, compreendemos, não é uma verdade em si mesmo; o amor necessita do jogo das representações para sustentar-se, porque ali o amor, tal como o vê Platão, é verdade e beleza unidas.

Cópia Fiel é uma obra-prima, um ensaio sobre o amor – fica claro -, a verdade e a beleza, narrado com delicadeza e com o apoio, o suporte de excelentes atuações (Binoche ganhou a Palma de Ouro de Melhor Atriz em Cannes por esse papel), no que Kiarostami demonstra mais uma vez ser um dos expoentes máximos da arte cinematográfica contemporânea.

Cópia Fiel, com exclusividade, neste domingo, 9 de setembro. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Esta Não É Minha Vida, ou a busca da identidade

por max 3. setembro 2012 12:11

 

É a eterna pergunta do homem, a eterna pergunta da humanidade. Saber de onde vem para entender quem é e saber para onde vai. As origens são necessárias; mesmo que acreditemos em uma entidade superior ou em nós mesmos como medida de tudo, ainda assim nos baseamos simplesmente em nossa história nacional, mundial, cidadã. A origem ajuda a conhecer-nos, ajuda a termos identidade. Não somos uma aparição momentânea no mundo. Temos história, temos passado. Somos o que fomos e o que outros foram em nós. De fato, para saber quem e para definir nossa própria bondade, nossos limites em relação ao mal, nossas próprias liberdades, necessitamos de nós mesmos e dos outros. Sei quem sou, sou livre. O amor nos faz escravos, porque não nos reconhecemos no amor. O álcool e as drogas nos fazem escravos, porque saímos de nós mesmos. Um governo déspota pretende dizer-nos quem somos, sob a égide de uma ideologia: tu és quem nós dizemos, o que a ideologia diz.

A identidade nos dá liberdade, nos dá alma. Desde a antiguidade grega, a identidade é assunto importante. A máscara do teatro (persona vem de máscara) nos lembra que somos apenas um buraco que emite uma voz, que somos personagens, máscaras, que talvez nunca cheguemos a ser nós mesmos. Na literatura fantástica, o tema da duplicidade gira fundamentalmente em torno da identidade. Jekyll não se reconhece em Hyde; Hyde o escraviza, o domina, o põe a perder. Em Kafka, Gregório Samsa acorda convertido, transformado em bicho. Não sabe quem é, tem uma crise de identidade e está perdido: foi condenado ao encarceramento do quarto. Perder a identidade é coisa terrível. Em Persona (1966), Bergman nos mostra Alma, a enfermeira, apoderando-se da mudez acidental e permanente de Elisabeth. Ao fazê-lo, possui tudo o que a atriz Elisabeth possuía. Alma se esconde dela mesma assumindo outra identidade, que é anulada. Em O Passageiro – Profissão Repórter (1975), de Antonioni, um homem (Jack Nicholson) assume a identidade de outro. Entediado com sua vida, assume o papel de um homem morto, um traficante de armas. Assumir a identidade de outro alguém é uma maneira de dizer que te perdeste em ti mesmo, que fracassaste na busca de tua identidade.

Séries como Além da Imaginação (Twilight Zone) exploraram em várias oportunidades esse caminho. Uma mulher, em um país estrangeiro, sai para buscar um remédio para sua mãe, quando regressa, a mãe não está e ninguém se lembra dela no hotel (dela, a filha). A senhora perdeu sua identidade, começa desesperadamente a busca.

Em The Prisoner, série inglesa de suspense e ficção científica do final dos anos 60, assistimos ao sequestro e posterior encarceramento do Agente Número 6 na Villa. Ali o interrogam constantemente, necessitam de informação (não sabemos qual) e ele, de sua parte, necessita escapar da ilha. A série é um jogo permanente de ocultamento e fuga de identidades, desenvolvido em 17 episódios, onde a identidade do Número 1 (o encarregado da Villa) é sempre um mistério, e a identidade do Número 2 muda com frequência. O Número 2 é a suposta face visível da equipe de agentes da Villa, mas, tal como já assinalei, seu rosto (o ator) mudava em determinados episódios.

Em 1995, a série americana Nowhere Man foi exibida no canal UPN. Nessa série, um fotógrafo chamado Thomas Veil realiza uma exposição com material fotografado em uma república de bananas possivelmente controlada pelo governo norte-americano. Supomos que ali há algo de comprometedor para os poderosos, pois depois disso se desencadeia o que causa estranheza: sua esposa agora está casada com outro e não sabe quem é ele, seus cartões de crédito foram cancelados e ninguém o reconhece como Thomas Veil. A quebra da personalidade é tal que até seu pai parece estar envolvido no assunto.

Aqui recordo aquele magnífico filme protagonizado por Jim Carrey e dirigido por Peter Weir, O Show de Truman (The Truman Show, 1998), no qual o personagem descobre que toda sua vida foi um grande engano. A cidade em que vive é falsa, seus pais são falsos, sua mulher é falsa, sua vida é falsa: tudo é nada mais que um show televisivo, uma operação realizada por meios de comunicação muito poderosos.

Acabamos de vê-lo: saber quem se é pode levar à perdição, se o que realmente és se sustenta sobre o vazio. Em Coração Satânico (Angel Heart, 1987), de Alan Parker, o detetive Harry Angel, interpretado por Mickey Rourke, acaba descobrindo que Johnny Favourite, aquele obscuro personagem que ele devia procurar por contratação de um tal Louis Cyphre (Lúcifer, foneticamente), é, na realidade, ele mesmo. Angel é Favourite, e Angel é também um psicopata, um assassino que vendeu sua alma ao diabo, esse Cyphre, interpretado por Robert De Niro.

Versões mais recentes de perda e recuperação de identidade estão na série de filmes de Bourne, que remetem de alguma forma a The Prisoner. No entanto, Bourne realmente não se lembra de quem é, e pouco a pouco vai descobrindo que é um agente especial, um assassino treinado, que, todavia, busca redimir-se. É esse descobrimento do terrível passado que o leva à redenção.

Neste mês, o Max nos traz uma nova série de primeira categoria que gira em torno desse mesmo complexo tema da identidade. Um thriller de ficção científica, um magnífico herdeiro – uma vez mais – de The Prisoner, tanto no tocante à ficção científica quanto no tema da identidade. Trata-se de Esta Não é Minha Vida (This is not My Life), uma série de 2010, produzida na Nova Zelândia.

No idílico povoado de Wainona, tudo é ar puro, há muito espaço e muita natureza, e o número exato de pessoas. Tudo é perfeito, até os automóveis são elétricos. Mas, é claro, estamos no ano 2020 e vivemos em um mundo feliz. Em determinada casa dessa pequena cidade, certo dia, um personagem chamado Alec Ross (Charles Mesure) acorda e se encontra, como é lógico pensar, com sua família. Mas há um problema: Alec não reconhece sua esposa Callie (Tandi Wright) nem seus filhos. Por incrível que pareça, não sabe onde está nem como chegou ali. Tampouco, como acontece em The Prisoner ou em O Show de Truman, pode ir embora. Ele só tem certeza de uma coisa: que não é Alec Ross.

A série, além da ficção científica e o muito bem manipulado tema da identidade, vai levando o espectador por diferentes estágios de possibilidades, onde entra em jogo o motivo da conspiração, herdado de séries como Millenium e Arquivo X – O Filme (X-Files), ambas criadas por Chris Carter. É total o clima de mistério proposto por seus roteiristas e diretores e as peças vão se encaixando ao longo dos 13 episódios da série.

A partir de setembro, você vai se encantar com outra dessas séries diferentes e de altíssima qualidade que somente o Max pode oferecer. Esta Não é Minha Vida, quarta-feira, dia 5 de setembro. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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