A série Millenium, seis capítulos de emoção e suspense no Max

por max 30. abril 2012 13:07

 

Um livro, sabe-se, não cabe num filme. Sempre tem quem fique esperando alguma coisa que acaba de fora da adaptação. E isto também reconhece o produtor Soren Staermose, o responsável pela adaptação cinematográfica da trilogia Millenium, de Steig Larsson, e que, através de sua empresa Yellow Bird, adquiriu os direitos audiovisuais dos romances.

Sabe-se que foram filmadas mais cenas do que as exibidas nos três filmes. Por quê? Porque desde o início existia o plano de filmar material extra para depois realizar a série, nada mais, nada menos que dois capítulos de noventa minutos para cada romance de Larsson: no total, seis capítulos. De novo sob a direção de Niels Arden Oplev e de Daniel Alfredson, e, claro, com Noomi Rapace e Michael Nyqvist nos papéis de protagonistas.

O Max apresenta, a partir desta quarta, 2 de maio e durante as próximas cinco quartas, mais da série Millenium, de Steig Larsson. São seis fascinantes capítulos com as tomadas, as tramas e os momentos de suspense que você não viu nos filmes. Não esqueça, a partir desta quarta, 2 de maio, continuamos com a nossa programação de séries únicas, exclusivas, originais e de distintas partes do mundo. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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A Casa, Um terror uruguaio

por max 27. abril 2012 11:09

 

A casa está calada e os deixa entrar. Dentro dela, tudo está bem. Tudo em silêncio. A casa segue calada. Pai e filha vão passar a noite ali e começam a trabalhar no dia seguinte. O dono os contratou para limpar a casa abandonada. Ele vai vendê-la e quer que ela pareça atraente. É uma casa de campo. O silêncio do lado de fora é igual ao do interior da casa. Tudo calado, tudo mudo. E sem aviso, na metade da noite, a casa começa a falar. Eles escutam e logo a garota começa a correr pela casa, descobrindo seus terríveis segredos, ouvindo terríveis vozes. No dia seguinte, a casa volta a ficar em silêncio. Um silêncio de morte. E ela, o que terá acontecido com ela?

A Casa (La Casa Muda, 2010) é um filme uruguaio, supostamente um único plano sequência (não necessariamente filmado sem cortes). É uma história de terror contada em "tempo real" (78 minutos), dirigida pelo novato Gustavo Hernández. Foi realizado em vídeo com uma Canon EOS 5D Mark II, câmera fotográfica digital com opção de gravação de vídeo em Full HD.

Supostamente inspirado em fatos reais (talvez use um apelo publicitário tipo A Bruxa de Blair), A Casa recria o caso da morte de dois homens, encontrados com sinais de tortura, sem olhos, nem línguas, em uma casa de campo em Godoy. A descoberta dos corpos aconteceu em 9 de novembro de 1944 e os assassinatos ocorreram entre 2 e 3 de novembro. São também dois corpos, que serão encontrados no final do filme. Dois corpos, três personagens.

A Casa, segunda-feira, 30 de abril. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Mama Africa, Vida e obra de Miriam Makeba

por max 26. abril 2012 10:48

 

De que você lembra quando alguém fala Pata Pata? De Miriam Makeba (1932-2008), claro. Essa cantora sul-africana, que levou ao mundo sua mensagem de luta contra o racismo e a pobreza, popularizou a música "Pata Pata". Gravada originalmente no fim dos anos 50, "Pata Pata" foi primeiro lugar nas paradas de sucesso mundiais na década seguinte.

Cantora de voz insuperável, Miriam Makeba foi uma heroína da paz e da justiça, e sofreu com o ódio e a intolerância. Em 1960, fazia turnê pelos Estados Unidos quando sua mãe morreu. Miriam quis voltar ao seu país para o funeral, mas ficou sabendo que o governo havia cancelado seu passaporte e sua cidadania. Sua mensagem havia causado ressentimento no regime do apartheid. Nos Estados Unidos, foi investigada e perseguida por suas ideias e por ter casado em 1968 com um ativista dos Panteras Negras, organização revolucionária de esquerda que lutava pelos direitos dos negros.

Makeba saiu dos Estados Unidos e foi viver na Guiné. Somente pode voltar para a África do Sul, em 1990, quando Nelson Mandela foi libertado da prisão (Mandela foi o primeiro presidente negro da África do Sul, em 1994). Até os últimos momentos de sua vida, Makeba foi uma lutadora pelos direitos civis e contra todos os males do mundo. Morreu vítima de uma parada cardíaca, em novembro de 2008, na Itália depois de um show contra o racismo e a máfia. Ela foi uma das primeiras grandes artistas que fez com que o mundo conhecesse a música contemporânea da África que, anos mais tarde, ganhou destaque com o rótulo World Music.

O diretor finlandês Mika Kaurismaki, irmão mais velho do conhecido Aki Kaurismaki, vive no Brasil há mais de 20 anos. É apaixonado pela música brasileira a qual dedicou os documentários "Moro no Brasil" e "Brasileirinho". O contato da cultura brasileira com a africana deve tê-lo influenciado a realizar Mama Africa. Este documentário, lançado em 2011, homenageia a "mãe da Àfrica", ninguém mais e ninguém menos do que Miriam Makeba.

Kaurismaki contou com material inédito e muitas entrevistas com músicos africanos e de outras partes do mundo, entre eles Harry Belafonte (um dos divulgadores do trabalho de Miriam Makeba), Angélique Kidjo e Abigail Kubeka, entre outros. Com a vida e a carreira de Makeba, Mama África faz um retrato inesquecível de uma mulher admirável, marcada por ideais e tragédias (sua única filha morreu aos 35 anos). Uma mulher, uma artista profundamente humana, uma dessas pessoas cuja história vale a pena conhecer.

Mama Africa, domingo, 29 de abril. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Machete, O mocinho melhorado Danny Trejo

por max 26. abril 2012 07:34

 

Um dia, Danny Trejo entrou em uma loja de bebidas e, com uma granada na mão, assaltou o lugar. Era um garotão na época. Mas não um garotão corajoso. Com oito anos, já fumava marijuana e aos 12, usava heroína. Também ladrão e brigão, acabou hóspede de todos os reformatórios de Los Angeles. Filho de mexicanos, da pobreza, da delinqüência mas, apenas um a mais, naquela imensidão americana.

Trejo nunca imaginaria que os punhos o ajudariam a sair do abismo. E assim aconteceu: aprendeu a lutar nas ruas do Vale de San Fernando e, com o tempo, resolveu se dedicar ao boxe. A iniciação começou já na cadeia de San Quentin, onde virou campeão de peso leve das prisões. Seguiu o caminho da sanidade mental e do corpo que requer o boxe e também decidiu deixar as drogas. Entrou num programa de 12 passos e se reabilitou. Com a confirmação de que era impotente diante das drogas e consciente de que se deve viver um dia de cada vez, Trejo saiu para as ruas e se tranformou em ativista da sobriedade. Uma espécie de conselheiro espiritual daqueles que abusam das drogas.

Andava às voltas com esses assuntos, quando chegou ao set de Expresso para o Inferno (Runaway Train, 1985), de Andrei Konchalovsky. Fascinado pelo seu aspecto físico (alto, robusto, cheio de tatuagens e incrivelmente feio), o diretor lhe deu um pequeno papel e também um contrato para que ensinasse boxe aos atores. A partir desse momento, Trejo começou a se relacionar com o cinema. Ou o cinema com ele. Apareceu em vários filmes, como A Balada do Pistoleiro, Fogo contra Fogo, Con Air - A Rota da Fuga, Um Drink no Inferno. entre outros.. A biografia de Danny Trejo no IMDB registra a participação em 228 filmes. O que já ia bem começou a melhorar ainda mais quando conheceu Robert Rodriguez em A Balada do Pistoleiro. Passaram a trabalhar sempre juntos e descobriram que eram primos distantes. O primeiro protagonista veio aos 66 anos, quando encabeçou o elenco de Machete (2010), dirigido por Ethan Maniquis e Robert Rodriguez

Um louvor à violência excessiva, Machete é viagem alucinada a um mundo agressivo e sem misericórdia. Um ex-agente do FBI, Machete Cortez (Danny Trejo, claro), faz justiça com as próprias mãos e da maneira mais sangrenta possível. A diferença com outros filmes parecidos é que não estamos frente a um Charles Bronson, mas sim a um Danny Trejo — Machete Cortez é o primeiro herói mexicano. "É uma honra poder ser o primeiro super-herói mexicano. E nem precisei usar collants.", disse ele.

Assim é Danny Trejo, um ator duro, de poucas palavras, cheio de tatuagens, feio e com cara de poucos amigos. Em Machete, seu primeiro filme como protagonista estão Jessica Alba, Lindsay Lohan, Michelle Rodriguez, Steven Seagal, Don Johnson e até Robert De Niro. Quem não quer conhecer essa figura com cara de mau e que, na verdade, é um homem reabilitado?

Machete, nesta sexta-feira, 27 de abril. Reinvente, imagine de novo… Descubre o Max.

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Politécnica, A loucura surda

por max 25. abril 2012 05:37

 

Seguindo o rastro e as preocupações marcadas em produções como Tiros em Columbine (Blowling for Columbine, 2002), de Michael Moore, e Elefante (Elephant, 2003), de Gus Van Sant, o diretor canadense Denis Villeneuve (Redemoinho e Incêndios) lançou, em 2009, Politécnica (Polytechnique). O filme é inspirado no massacre que ocorreu na Escola Politécnica de Montreal, em 6 de dezembro de 1989, quando um homem chamado Marc Lépine entrou e assassinou 14 mulheres, alegando que o feminismo havia desgraçado sua vida.

Em branco e preto, com música minimalista e poucos diálogos, Denis Villeneuve apresenta os fatos, sem julgar, sem intervir, sem explicar nem sequer os motivos do assassino. Por que ele fez isto? Vive-se, sem dúvida, em tempos de múltiplas vozes, de múltiplos discursos: feminismo, ecologia, pacifismo, etc. O feminismo se elevou com força e pôs a mulher em outro patamar. A razão, a justiça, o direito, a igualdade já ganharam seu espaço. Mas também, parece dizer o diretor, vive-se tempos da loucura absoluta - dos sem sentido, dos sem razão. Às vezes, nos momentos menos esperados da existência, parece explodir a loucura assassina que tira a vida sem explicações. Algo está mal. Alguma coisa, em alguma parte, está mal. O que se esconde, não atrás da solidão, mas atrás da alienação do homem? Parece que é cada vez maior a distância entre as pessoas. Cada vez, o mundo pisa mais e mais, afunda, separa. A expatriação da alma é, sem dúvida, uma terrível forma de ofensa, de humilhação. O que se acumula nesse lugar, nesse tempo de alienação, explode. Explode sem explicações. Explode e se equivoca, mas explode, gera violência, morte, loucura, dor.

Em Tiros em Columbine perguntam a Marilyn Manson o que ele diria aos rapazes que perpetuaram o massacre. Manson responde que não diria nada, que os escutaria. Talvez isso faça falta ao mundo, mais ouvidos que escutem.

Politécnica, nesta quinta-feira, 26 de abril. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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O Mágico, A magia nostálgica de Chomet e Tati

por max 20. abril 2012 10:41

 

Jacques Tati disse certa vez: "Temos o conforto, mas o preço foi altíssimo: acabou-se a fantasia. Somente as crianças conservam a imaginação." Talvez esta frase seja o resumo perfeito da maneira de olhar o mundo de Tati. Olhar esse que, claro, está seus filmes. São filmes cômicos, humanos e que transitam entre dois mundos: Tati é herdeiro do cinema mundo, da gag, da comédia pastelão (foi atleta quando jovem). Ele fez cinema mudo nos tempos do cinema sonoro (Mr. Bean é um de seus herdeiros). Aqueles que adoraram O Artista (The Artist, 2011), deveriam ver os filmes deste magnífico comediante e diretor, com poucos diálogos e com o som e a música predominando na narrativa.

Jacques Tati foi o defensor de um mundo que ele sentia desaparecer, de um mundo pisoteado pela modernidade, pelas máquinas, pela automatização. Um nostálgico em defesa do melhor da vida que ia ficando para trás: o simples, o humano, a harmonia com as coisas.

Claro que Jacques Tati não era perfeito. Entregou-se ao trabalho com absoluta dedicação e descuidou das obrigações paternais, por exemplo. Sabe-se que teve uma filha ilegítima, Helga, fruto de uma relação com a bailarina Herta Schiel que conheceu aos 33 anos, trabalhando no Lido, em Paris, nos anos 40. Filho de família rica cheia de preconceitos – o pai era um nobre russo de sobrenome Tatischeff -, o jovem ator se viu obrigado a não reconhecer a filha e também a abandonar a mãe. Consta que ele nunca conheceu essa filha.

Pouco tempo depois, se casou com Micheline Winter e em 1946 nasceu Sophie-Catherine Tatischeff, a quem, também abandonou. Anos mais tarde, em 1956, Tati escreveu o roteiro de um filme – não se sabe se inspirado em Helga ou Sophie -, que nunca chegou a ser realizado, onde, de alguma maneira, tenta remediar o erro do abandono. É a história de um mágico que conhece uma menina abandonada e começa a dividir, com ela, seus dias, fracassos e pequenas alegrias. Este roteiro ficou décadas à espera de um diretor, até que que entraram em cena Sophie Tatischeff, Jerome Deschamps, Macha Makeieff e Sylvain Chomet. Famoso ator e diretor teatral, Jerome Deschamps é sobrinho de Jacques Tati. Herdeiro cultural do comediante, junto com a esposa Macha, ele assumiu a tarefa de recuperar seus filmes e organizar exposições e palestras para manter vivo o nome de Tati.

Chomet é animador e diretor francês que, em 2003, recebeu duas indicações ao Oscar por As Bicicletas de Belleville, animação passada na França dos anos 30 que tem muito a ver com o humor de Tati, homenageado em vários momentos. Quando realizava As Bicicletas de Belleville, Chomet conheceu Sophie Tatischeff, filha de Tati. Ela lhe deu permissão para usar cenas dos filmes do pai, contou sobre o roteiro inédito e o colocou em contato com o casal de diretores teatrais. Esse encontro não poderia ser mais feliz e dali saiu O Mágico (L'Illusionniste, 2010).

Chomet queria o filme pronto em 2007, mas só conseguiu estreá-lo três anos depois. Animação com orçamento de 17 milhões de dólares é o filme mais caro da Escócia. São mais de 300 mil desenhos, desenvolvidos por uma equipe de cerca de 300 pessoas em dois estúdios na Escócia, um na França e outro na Coreia. É importante falar aqui da Escócia, pois o filme se desenvolve em Edimburgo - e não em Praga, como planejou o autor. A cidade é retratada com tanta ternura que vira praticamente um personagem da história

O Mágico mostra essa preocupação paternal de Tati na história do encontro do mágico com a menina, mas também a ideia que ele tinha do mundo (Chomet respeitou 80% do roteiro original). O mágico acaba sendo uma espécie em extinção, perdido num mundo de novas formas de entretenimento, num mundo que perdeu o romantismo, um mundo automatizado, onde "a fantasia acabou". Tal como expressa o mesmo Tati na frase do começo desse texto, só a alma infantil conserva a imaginação, apenas a menina acredita nos mágicos, no poder deles. É um filme triste, saudosista, mas ao mesmo tempo belíssimo, que presta homenagem ao grande Jacques Tati e mergulha na recordação e no carinho dos tempos mais inocentes e mais simples, tempos que estavam morrendo àquela época e que, nos dias de hoje, desapareceram totalmente. Tempos que só vivem na magia das histórias, dos filmes.

O Mágico, Domingo, 22 de abril. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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Pink Floyd The Wall, a psicodélica beleza de um filme

por max 20. abril 2012 07:55

 

Este mês, o Max apresenta uma obra-prima da imaginação e da música, um feliz encontro do cinema com o rock: Pink Floyd The Wall (1982). É um desses filmes inesquecíveis para se ver e rever.

Um pouco antes de sair da banda, Roger Waters, o homem por trás de The Wall, viu realizado um de seus sonhos: a versão cinematográfica deste disco. E o diretor não foi Barbet Schroeder, para quem a banda realizou várias trilhas sonoras, mas Alan Parker. Sabe-se que foi Parker, fã do Pink Floyd, quem teve a idéia da adaptação. O cantor punk Bob Geldof, muito parecido com Syd Barrett, foi escolhido para protagonista por essa semelhança. O roteiro, de Roger Waters, não tem diálogos convencionais e é fiel ao espírito do disco. As magníficas animações que acompanham o filme são do britânico Gerald Scarfe, que ilustrara a capa do disco e é conhecido por suas caricaturas de personagens da política e da nobreza de seu país.

Pink Floyd The Wall é uma obra de arte psicodélica, onírica, espetacular e, ao mesmo tempo, claustrofóbica, poética. Foi um sucesso de Parker, que vinha de O Expresso da Meia-noite (Midnight Express, 1978) e depois dirigiria Asas da Liberdade (Birdy, 1984), Coração Satânico (Angel Heart, 1987) e Mississipi em Chamas (Mississippi Burning, 1988).

Pink Floyd The Wall. Não perca nesta sexta-feira, 20 de abril. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Pink Floyd The Wall, O incansável Roger Waters

por max 20. abril 2012 07:51

 

Roger Waters (George Roger Waters) nasceu em 6 de setembro de 1943, em Surrey. Seu pai, Eric Fletcher Waters, professor, cristão e pacifista, foi motorista de ambulância no começo da 2ª Guerra Mundial. Depois, abandonou o pacifismo pela militância comunista, se alistou no exército e morreu em combate na Itália, quando Roger tinha apenas quatro meses. Roger foi com a mãe e o irmão para Cambridge, onde passou infância e juventude. Pelas ruas da cidade, conheceu David Gilmour. Syd Barrett encontrou nas aulas de arte, que cursava para compensar um pouco o severo e sufocante sistema educativo. Roger era ótimo atleta, mas não gostava de estudar. Ele ficava chocado com a disciplina rígida da escola, todo aquele assédio dos alunos maiores e dos professores. Queria sair correndo dali, abandonar os estudos.

Em 1963, estudava arquitetura na Regent Street Polytechnic, em Londres. Não tinha grande amor pelos estudos quando formou uma banda com o baterista Nick Mason e o tecladista Rick Wright - ele tocava o baixo e cantava. Em pouco tempo, Syd Barrett se juntou à banda que tinha o nome de Tea Set e virou Pink Floyd no primeiro disco. Syd Barrett foi líder até a gravação deste disco e logo Waters assumiu o comando. Quando saiu The Dark Side of the Moon, em 1973, ela já dava as cartas na banda. Claro, não faltaram discussões e guerras de egos. The Dark Side of the Moon se transformou num clássico, fez a banda mais popular e, musicalmente, marcou um novo caminho no som do Pink Floyd, uma original mistura de jazz, blues, rock e psicodelia. Conceitual, o disco tratava de temas como doença, loucura, conflito, drogas (as marcas deixadas por Syd Barrett) e nasceu totalmente da mente de Roger, no auge da criatividade e também do egocentrismo.

Em 1975, veio Wish You Were Here, onde a saudade de Barrett também estava presente em canções como "Shine on You Crazy Diamond". Conta a lenda que ele apareceu no estúdio quando a banda gravava essa canção. Estava gordo, careca, sobrancelhas raspadas, distante e com aspecto fantasmagórico. Roger, dizem, chorou ao vê-lo.

Animals, de 1977, foi inspirado em A Revolução dos Bichos, de George Orwell, uma metáfora de poder e corrupção. E, em 1979, saiu The Wall, o décimo disco do Pink Floyd. Nessa época, todos os integrantes da banda viviam fora da Inglaterra, na falência, assediados por dívidas causadas pela quebra da empresa que administrava suas finanças e desapareceu deixando-os completamente sem dinheiro.

Com The Wall, Roger estava na posição de amo e senhor da banda. O conceito é totalmente dele. O disco, que não superou as vendas de The Dark Side of the Moon, é talvez o mais representativo do Pink Floyd e o que se transformou em filme.

The Wall, o disco, é uma ópera de rock progressivo sobre as paranóias de Pink, um superstar que mergulha no mundo das drogas e acaba contruindo um muro alucinógeno entre ele o mundo. Num dos discos mais influentes da história do rock, Roger Waters recorre a seus temas costumeiros: guerra, perda do pai, drogas, fama, alienação, educação escolar obtusa, poder e corrupção do poder. Ele saiu do Pink Floyd em 1985, depois de uma disputa legal com os outros membros da banda. Eles ficaram com o nome Pink Floyd e Roger com quase todas as canções de The Wall. Em 1982, antes de se tornar um ex-Pink Floyd, o cantor e baixista pôde ver um de seus sonhos realizado: a adaptação para o cinema de The Wall , com direção de Alan Parker.

Há dois anos, Roger Waters circula pelo mundo com a turnê The Wall Live, que comemora os 30 anos de lançamento do disco, e recentemente passou pelo Brasil. O cara não descansa. Aquele momento criativo deve ter sido muito intenso.

Pink Floyd The Wall. Sexta, 20 de abril. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Pink Floyd The Wall, ou a herança de Syd Barrett

por max 18. abril 2012 07:12

 

Seu nome era Roger Keith Barrett e o chamavam de Syd, Syd Barret. Era um rapaz talentoso, com tendência para as artes, nascido em Cambridge, em 6 de janeiro de 1946. Com sete anos, ganhou um concurso de piano e, mais adiante, um concurso de poesia na Cambridge High School. Orgulhosos dele, seus pais o encorajavam a seguir esses caminhos. Syd estava pronto para ser artista. No primário, conheceu Roger Waters e David Gilmour. Os três já gostavam de música. Boêmios, ganharam fama na cena musical noturna de Cambridge. Havia jazz, havia rhythm and blues em suas notas. Syd, que gostava de Beatles e rhythm and blues, foi estudar arte em Londres. Quando voltou, em 1964, encontrou Roger, que estava fundando uma banda chamada Tea Set. Eram os tempos do rock psicodélico, e eles investiram nisso. Mas, claro, Revolver, dos Beatles, acabava de sair, e o LSD era a senha para tudo. O espírito humano, segundo alguns gurus da contracultura, evoluiria graças às drogas. É bom lembrar que, em setembro de 1966, Timothy Leary fundou A Liga para o Descobrimento Espiritual, uma religião que punha o LSD no lugar do santo sacramento. Apesar de Syd estar convivendo com as drogas, seguia sendo um grande talento. Nesse mesmo ano, durante o outono, Tea Set participou de um festival, onde encontraram outra banda com o mesmo nome. Syd propôs que eles mudassem o nome para The Pink Floyd Band, uma combinação dos nomes dos músicos de blues Pink Anderson e Floyd Council. O nome foi aceito, e, durante um tempo, o grupo oscilou entre Tea Set e The Pink Floyd Band.

Rapidamente os rapazes se transformaram nos queridinhos do cenário underground. Em 1967, já como Pink Floyd, lançam o primeiro disco, The Piper at the Gates of Dawn, totalmente psicodélico, com músicas compostas e escritas, em sua maioria, por Syd. Este álbum foi chamado de "a Bíblia do rock psicodélico".

Totalmente perdido nas drogas, Syd Barret, faltava às apresentações da banda, comparecia chapado nas entrevistas. Roger Waters decidiu, então, tirar Syd do palco. Disse que ele podia ficar como compositor, que não sairia totalmente da banda e chamou David Gilmour para substitui-lo. Mas Syd foi se distanciando cada vez mais do grupo. Trancava-se em casa, mergulhava na droga. No segundo disco, A Saucerful of Secrets (1968), sua participação se resumiu a uma música, "Jugband Blues". Em 1975, a banda gravou Wish You Were Here, uma homenagem ao ex-componente que, no ostracismo, vivia na casa dos pais. Quando estavam gravando o disco, Syd apareceu no estúdio, sem cabelo, gordo, com as sobrancelhas raspadas. Foi visto sentado no fundo do estúdio. Todos os componentes da banda o viram, e essa imagem ficou gravada neçes. Syd Barrett ficou nas mentes deles para sempre. Tanto que, aquele que é considerado o maior trabalho do Pink Floyd, The Wall (1979), gira totalmente em torno da figura de um rock star chamado Pink, cuja trajetória remete diretamente a Barrett. Há, inclusive, uma cena do filme Pink Floyd The Wall (que Alan Parker dirigiu em 1982) que mostra Bob Geldof com a cabeça e a sobrancelha completamente raspadas. Syd Barrett foi, sem dúvida, um marco na vida dos integrantes da banda e tema constante.

Neste mês, o Max orgulhosamente apresenta Pink Floyd The Wall. Não perca nesta sexta-feira, 20 de abril. Reinvente, imagine de novo… Descubra o Max.

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Meia-noite em Paris, ou Woody Allen e a sabedoria incômoda

por max 13. abril 2012 12:52

 

"Nada melhor que o passado". Essa ideia sempre existirá, a da Era de Ouro, aquele tempo onde os homens eram inocentes e estavam mais cheios de vida, de ideais, de arte, de vontade de mudar o mundo. Sempre se sente saudade de um planeta onde tudo estava por ser descoberto. Em um sentido amplo, poderíamos dizer, um planeta onde havia amor, amor pela vida. As imagens iniciais de Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, 2011), de Woody Allen, nos apresentam uma cidade bonita, fascinante, cheia de monumentos, de lugares que hoje em dia estão ali, mas que já foram cheios de outros significados. Paris, aos olhos da desilusão contemporânea, é um lugar que já era, um lugar que vive de suas glórias do passado. Gil (Owen Wilson), o personagem que caminha pelas ruas no filme Allen, é um bem sucedido roteirista de Hollywood que sente nostalgia, uma saudade de tempos melhores, que não gosta do mundo em que vive e cuja prometida (Rachel McAdams) acaba sendo uma serpente das mais venenosas. Gil, além disso, quer ser escritor, e está escrevendo um romance. Um romance sobre um homem que tem uma loja de antiguidades. O escritor se apresenta aqui como essa pessoa que hoje foge deste planeta, essa pessoa que inventa lugares para escapar.

Em Meia-noite em Paris, Woody Allen levou estas insatisfações existenciais a um outro nível, digamos que literalmente. A aflição, fixação por um tempo melhor se torna real, e Gil, que se sente fortemente atraído pelos anos 30 de Paris, passa a conhecer, em carne e osso, a chamada geração perdida dos escritores americanos (Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway), a mecenas e vanguardista Gertrude Stein (Kathy Bates) e alguns artistas europeus fundamentais como Picasso e Dalí (Adrien Brody). Também se encontra com uma belíssima grupie de arte chamada Adriana (Marion Cotillard) que, como ele, também gostaria de viver tempos melhores. Para ela, esses tempos são os da Belle Époque. Definitivamente, Allen nos diz que ninguém está feliz com a época que está vivendo. Ninguém, com sensibilidade, pode estar vivendo complemente neste mundo.

Agora, se por um lado, o veterano diretor nos apresenta um filme cheio de nostalgia, por outro, ele volta aos seus temas costumeiros: os problemas de casal, as certezas do amor, a infidelidade. Mas em Meia-noite em Paris, eles (os temas) não caem no vazio das decepções, no lado obscuro das coisas. Esta visão, causou ressentimento e fez com quem se lançassem sobre ele acusações de fatalismo. Sim, talvez os anos tenham a ver com isso, talvez seus grandes momentos criativos já tenham ficado para trás; isso é fato. Mas também acho que talvez, com o passar dos anos, Allen não ficou mais fatalista, mas mais sábio. Às vezes, a simplicidade da sabedoria desagrada as mentes intensas. Porque, de alguma maneira, a sabedoria poderia se voltar ao mesmo lugar de onde partiu: ao lugar da bem afortunada ignorância, da ignorância simples de todas as coisas. Allen, talvez sábio ao não saber nada do amor, expõe uma solução a essa inconformidade de estar no mundo. O verdadeiro está ali, nessa simples resposta que nos dá, ao final. Já Allen não faz perguntas, não questiona a vida através do fazer cinematográfico (o que, para muitos, é o grande valor da arte). Não o faz, porque já está em uma idade em que, talvez, possa dar-se ao luxo de oferecer algumas respostas. Esse atrevimento, essa simplicidade ao responder e também essa habilidade de jogar com os lugares comuns à beira do ridículo, faz com que alguns critiquem o diretor. Mas, amigos, Woody Allen já tem 77 anos. Aos 77 anos, uma pessoa pode dar-se ao luxo de fazer e dizer o que vier à cabeça, o que tiver vontade. E alguém como Woody Allen pode ter a desfaçatez de ter algumas respostas e de jogar com todos os lugares comuns do planeta e, ainda assim, fazer uma obra-prima do cinema.

Meia-noite em Paris, neste domingo, 15 de abril. Reinvente, imagine de novo... Descubra o Max.

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