A vida louca: de cara com a morte

por max 30. julho 2011 03:26

 

Diz Gilles Lipovetsky em O crepúsculo do dever que estamos na sociedade posmoral. Que, enquanto a modernidade, a busca da novidade e da emancipação absoluta, erradicou a religião de sua ética, o conceito de sacrifício continuou a estar presente, mas no mundo secular. Na contemporaneidade, no entanto, o conceito de sacrifício foi removido da moralidade. O autor explica: "As nossas sociedades cancelaram todos os valores de sacrifício, sejam os da vida após a morte ou para fins profanos, a cultura não é mais irrigada diariamente pelos imperativos hiperbólicos do dever, mas para o bem-estar e a dinâmica dos direitos subjetivos, temos falhado em reconhecer a obrigação de nos interessar por algo que não somos nós mesmos". Mais tarde, ele diz que os direitos da sociedade posmoralista coroam os direitos individuais à autonomia, ao desejo, à felicidade, e fala dos padrões sem dor da vida ética, de uma ética sem maiores sacrifícios, sem ser arrancados de si mesmos. As políticas neoliberais, a queda dos instrumentos tradicionais de controle social (igrejas, sindicatos, família, escola), a celebração do ego, o individualismo egoísta, são a fragmentação que leva ao mesmo tempo para a anomia, a exclusão, mais a destruição. "O individualismo ganha em todos os lugares e tem duas faces radicalmente opostas: integrada e autônoma, gestionária e móvel para a maioria, "perdedora" e sem futuro para as novas minorias deserdadas"

Quando a pessoa assiste A vida louca: de cara com a morte  (2008) de Christian Poveda, não pode deixar de pensar nestas palavras de Lipovetsky. Os "maras" salvadorenhos surgiram nos EUA, principalmente em Los Angeles, como resultado deste processo de relaxamento dos indivíduos, da radicalização do egoísmo, da dominação da cultura do mercado liberal sem consciência social. Ali, o imigrante ilegal, de El Salvador nascido lá, essa minoria deserdada fabrica seu próprio universo, seus próprios corpos de controle para enfrentar a dura sociedade. De volta para El Salvador, as gangues continuam o esquema, manter as estruturas, porque a situação no país centro-americano não é fácil. Essas estruturas importadas mantem os mesmos sentimentos, as mesmas idéias. Os maras são considerados parte de uma grande família, eles são da máfia, sim, mas uma muito violenta, muito pobre, muito cheia de ódio. O mara sabe que vai morrer um dia, nada o protege, porque a sociedade moderna não fornece proteção para ninguém: como diz Lipovetsky é profundamente individualista, e só funciona a partir dos interesses dos indivíduos. O mara tem então a ilusão do grupo, junta-se isso com a ilusão de família, e lá vive até que a sua morte, prova o contrário. Nesse turbilhão de atrocidades, também giram as pequenas figuras dos valores corretos, tradicionais: a mãe, o missionário, o trabalhador social. É pouco o que podem fazer, é pouco o que podem ajudar. Mas eles estão lá, como esteve Christian Poveda, com a sua consciência social, com sua idéia de trazer algo para o mundo. No final, ele foi pago como as pessoas pagam nesee mundo: com o assassinato. No entanto, ficou o documentário, ficou um grande trabalho. 

A vida louca: de cara com a morte, domingo 31 de julho, na Max.

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Vida Sem Destino, ou o terror da pobreza

por max 28. julho 2011 06:59

 

É terror, o que você sente é terror. E graças a Deus eles não fizeram um filme chamado Being Harmony Korine, porque a mente do escritor e diretor nascido em 1973 não deve ser um lugar muito agradável para visitar. A do Malkovich, tudo bem, mas a do Harmony. Em 1995, ele estreou como roteirista com o filme Kids de Larry Clark, uma história crua sobre um grupo de adolescentes no contexto do mundo do skateboard, da promiscuidade e do AIDS. Kids apresentava uma visão pessimista da juventude americana. Não havia esperança, havia apenas decadência e loucura. Pensar que as crianças podem ser assim, acreditar que o futuro não tem esperança, assusta, produz muito medo. Mas Harmony não se contentou em semear esses terrores, e dois anos depois, jogou Vida Sem Destino (Gummo) na nossa cara. Com seu primeiro longa-metragem, o jovem cineasta retorna para nos mostrar uma história povoada por garotos em um contexto tribal, em alguns casos familiar (se é que "família" é a palavra certa, eu duvido), em uma história fragmentada, sem centro, sem enredos que guiem o curso, muito ao estilo documentário mesmo. Korine, mais uma vez entra na escuridão da alma, pois ele usa a metáfora de um tornado. Uma cidade devastada por um furacão que também arrasou com o espírito, com a alma de quem vive lá. Pessoas destruídas, pessoas perdidas no vendaval letal do tempo e no esquecimento suburbano. Onde o não existe o futuro ou a tecnologia, nem o bem comum corporativo e também não chegam as ações humanitárias, a salvaguarda do ambiente, a moralização dos negócios e da política, onde não há debate sobre o assédio sexual, nem sobre o aborto, ali não importam as Cruzadas dos valores do espírito da responsabilidade dos governos e empresas, neste lugar esquecido da grande sociedade de progresso, ali residem esses seres, na profunda lama dos instintos. Nada está entre eles e a libertinagem, porque num lugar devastado e esquecido as estruturas não estão na disputa, porque a lei é uma referência distante. Vida Sem Destino é assustador, causa terror, porque Harmony Korine mostra as faces do penhasco, do lugar onde vai parar o lixo da sociedade brilhante, aquilo do que ninguem gosta, o que ninguem quer, porque não produz, porque não é bonito, porque nasceu com um gene defeituoso, não se alimentou bem ou porque seu cérebro não se desenvolveu como deveria. O garoto feio da casa, que mora no quarto dos fundos, com o que vão dar uma caminhada quando não há visitas, isso é Vida Sem Destino.

Vida Sem Destino, na sexta-feira 29 de Julho, na Max.

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A cantora de tango, ou as transformações do amor

por max 26. julho 2011 16:06



A letra do tango "Alma perdida" de Francisco García Jiménez, diz em algum lugar: "E eu que estou aprendendo até a odiar você / só para lhe esquecer / eu não consigo aprender." O problema é, de fato, o esquecimento. Ou a lembrança. Uma grande parte do tango é a memória e a impossibilidade de esquecimento. O tango vive numa terra onde o sofrimento é vivido e desfrutado. O amor é como uma enorme paradoxa que o tango sabe captar neste jogo de transformações. Por causa da impossibilidade do esquecimento, o amor se transforma. Como a pessoa não aprende a esquecer, aprende a odiar, diz o tango. A impossibilidade de esquecer dá à luz ao ódio. Não só ódio contra o ser amado, mas ódio contra si mesmo. Os ódios é as culpas que paralisam, que enchem vazios, que destroem o sucesso profissional, que anulam, que aniquilam. E aqui vem outra vez a idéia de fugir. Quando você não pode esquecer, quando o ódio tem crescido muito, e pouco antes dele transbordar, existe a possibilidade do exílio. Na dor do amor, no rompimento do amor, às vezes o que você está procurando deixar atrás, são os lugares do amor, e o ser amado, é claro. A distância como prisão. Eu não vou até você, não procuro você, porque estou preso ou presa na distância. Eu botei distância, me tranquei. O esquecimento como uma impossibilidade gera esses exílios. Assim é o tango, assim é o amor, assim é a vida.

A cantora de tango, de Diego Martínez Vignatti, na terça, 26 de julho.

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O Que Resta do Tempo, ou o sentimento da periferia

por max 25. julho 2011 03:00


Não ser daqui, não ser de lá. As fronteiras mudam de lugar, e ninguém sabe onde vão permanecer. Como K., o agrimensor de O Castelo, que vai medir a terra, mas dizem para ele que não é necessário, é rejeitado e não consegue iniciar seu trabalho. Ele não tem um lugar no mundo, indo daqui para lá, não sabe onde é sua casa nem o lugar que lhe foi atribuído. Em O barco da morte de B. Traven, Gerard Wales não pertence a lugar nenhum, não é aceito em lugar nenhum, porque ele perdeu seu passaporte. Gerard Wales é lançado de uma fronteira para a outra com absoluta facilidade, e, finalmente, acaba a bordo de um navio que vai direto para a sua derrota, até a morte. A falta de um passaporte é uma metáfora para o sentimento de não pertencer, de não ser. Ambos, tanto o agrimensor K. como Wales podem representar um grupo de homens, uma minoria humana espiritualmente desorientada por não ter um lugar para dar-lhes as raízes, e aqui falamos de geografia, cultura, raça, crenças. Na realidade, tais situações se refletem, por exemplo, nas mudanças sócio-políticas vividas por alguns territórios. Em 1948, o estabelecimento do Estado de Israel sobre as terras que naquela época eram conhecidas como Palestina, alguns palestinos decidiram ficar e tomar esse estado da alma que os tornou uma minoria. A partir desse momento, eles foram chamados de "árabes-israelenses" por ter o árabe como língua nativa, e por ser muçulmanos. Hoje, em Israel, estas minorias têm obrigações e direitos que são iguais no papel, mas em muitos casos, sofrem de limitações inevitáveis, para não mencionar a discriminação. O Que Resta do Tempo de Elia Suleiman, reflete o drama de uma família que escolhe ser uma minoria no meio da criação e crescimento do novo Estado de Israel, um processo que também tem as suas próprias confusões, retrocessos e avanços. Sueliman, num trabalho feito com muita honestidade, procura no seu próprio interior, inspirada nos livros biográficos de resistencia que o seu pai escreveu e nos diários de sua mãe para abranger um grande período histórico que vai desde a fundação de Israel até o presente. Com um fino toque de humor, ironia, tristeza, e cheio de compaixão, Suleiman apresenta o drama de uma família que se move ao longo da história, do fora de foco que é ser uma minoria, do movimento da alma pelo fato de ser diferentes, que faz deles cidadãos de lugar nenhum. E aqui paro um pouco e deixo um final. Falando de um cidadão de lugar nenhum, eu digo a mim mesmo que, talvez, aí reside a arte, e talvez Sueliman entendeu isso: a consciência do artista é a do não pertencimento, a de manter distância, a de ser exilado. Só então, a partir do olhar triste e sem raízes, o artista pode ver o mundo de forma diferente, e só então, pode fazer arte. Quando isto é compreendido, se faz arte, se sofre e talvez alguém é salvo, quando não é compreendido, ou não se sabe ser um artista, então é só sofrer.

O Que Resta do Tempo, na Max.

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A abordagem histórica de Hildegard von Bingen

por max 14. julho 2011 07:02


Aqui estão algumas idéias sobre a mulher durante a Idade Média, segundo o historiador Jacques Le Goff: Eva aparece depois que Deus criou o mundo, portanto, ela está no último lugar. Alguns alegaram que Eva é o resultado do arrependimento de Deus, em primeiro lugar ele queria fazer um ser andrógino, mas depois pensou que não seria uma boa solução e decidiu criar a mulher. Continua apresentando as mulheres em desvantagem: Eva é o produto do arrependimento. Outra coisa: os animais e Adão receberam diretamente o nome de Deus, a palavra é sagrada, e se ela vem diretamente de Deus ainda mais. Eva foi uma criação imperfeita, por quê? Porque Deus não lhe deu o seu nome, o nome foi dado por Adam. A mulher volta a ficar mal. Além disso, Le Goff fala de um quadro mágico supersticioso que apresenta as mulheres como impuras, um legado de crenças arcaicas do Antigo Testamento. A prova desta impureza "é o derramamento de sangue uma vez por mês", diz Le Goff. Assim foi entendida a questão da menstruação. Por serem impuras, as mulheres eram menos do que os homens, portanto não podiam e não podem ser sacerdotes, por exemplo.

No entanto, Jacques Le Goff também coloca grande ênfase (ver seu livro Uma longa Idade Média) no que ele chamou de uma revolução na forma de olhar as mulheres, especialmente, diz ele, a partir do século XII, período no que aparece na Alemanha uma mulher poderosa, escritora, compositora, educada, e abadessa como Hildegard von Bingen. Aqui temos de voltar a Jacques Le Goff, que nos diz que "desde a Idade Média as mulheres vão encontrar seu lugar entre o clero regular, onde podem se desenvolver, ser reconhecidas na altura dos homens e exercer o seu poder: não era pouco ser abadessa!" Acabamos de dizer: Hildegard von Bingen foi uma delas. Mas que existisse, seus triunfos e, naturalmente, sua luta não teria sido possível, diz Le Goff, sem a existência de uma revolução teórica na Igreja para permitir as rachaduras, as aberturas. E aqui, temos que enfatizar a palavra "teoria". Porque, se todos os dias não eram notadas tais idéias, no alto grau de intelectualidade estava acontecendo outra coisa. Le Goff nos diz que em algum momento da Idade Média começou a ser importante o ensinamento do Novo Testamento. Le Goff escreveu: "Aqui, a grande inovação é Maria, mas não apenas ela. Maria é o culminar de um tudo: basta olhar para o número e a importância das personagens femininas que gravitam em torno de Jesus". Continua um pouco mais tarde: "Sua mãe o acompanha até o fim. Entrega os seus ensinamentos a Marta e Maria. Levanta Lázaro, a pedido de suas irmãs. Uma das figuras mais belas dos textos é, naturalmente, Maria Madalena, aquela criatura complexa, uma espécie de nuance da figura malvada da Eva, que está condenada ao pecado: Maria Madalena pecou, ​​mas isso não é algo intrínseco à sua natureza, é capaz de se retratar e de se arrepender, e Jesus diz que em sua fraqueza e redenção, ela vale mais do que nunca caiu." Existe então, no Novo Testamento, uma concepção radicalmente diferente da relação entre homem e mulher, que começa a ser sentida com mais força, de acordo com Le Goff, a partir do século XII. O autor insiste em que parte deste interesse renovado pelas mulheres surge a partir de um progressivo abandono da imagem da Eva pecadora e o crescimento da devoção a Maria. Diz o autor: "Da minha parte, estou convencido de que, de fato, a Idade Média assistiu a uma deificação de Maria. Claro, podemos vê-lo como uma forma de politeísmo. No meu caso eu entendo que esta era uma reavaliação das mulheres na religião, que acho que é algo extremamente positivo." Depois, o historiador estuda a santidade e diz que se tornou importante, começou com a legião das santas, que antes foi algo exclusivo dos homens. A Santidade era outra possibilidade para o avanço das mulheres. Um grande número de fiéis começaram a dedicar suas devoções, e acima dos bispos (homens), começa a se impor "progressivamente a santidade das abadessas, Hildegard von Bingen, grande abadessa do século XII, mística, mas pensadora racional, de grande autoridade e prestígio em seu tempo." Para Jacques Le Goff, certamente, as mulheres na Idade Média, atingiram níveis significativos dentro de sua cultura. Ele ainda se atreve a dizer que não existiu para as mulheres pior momento na história que o século XIX. Ou seja, para Le Goff, uma mulher como a abadessa Hildegard von Bingen é uma possibilidade no seu tempo, no século XII, e, se possível, neste ponto distante na história, uma interpretação feminista dentro do contexto histórico. Nada mais, nada menos.

Vision, dirigido por Margarethe von Trotta, terça-feira 19 de julho. 

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Still Walking, ou a caminhata do silêncio

por max 11. julho 2011 15:25

 

Um filme que conta a partir do silêncio, porque o silêncio, para quem sabe, para quem compreende a arte, o silêncio sempre fala. O silêncio torna-se arte, torna-se poesia. Diz Octavio Paz, em O Arco e a Lira, falando de poesia e claro, de silêncio: "Súplica ao vazio, diálogo com a ausência". Cada coisa vivida é uma ausência, é um fantasma que vive dentro de nós. A arte tenta recuperar esses fantasmas, encher essas ausências, falando do silêncio. A linguagem é uma estrutura porosa. As palavras não são suficientes para explicar o mundo. A imagem também não. Uma única imagem pode ter um monte de significados. Assim como um momento vivido. O presente combina o passado e o passado a partir do presente vivido, tem várias leituras em várias pessoas. E assim, não apenas o passado é só um, porém o presente muda também. Nada é estável na vida ou na arte. O que aconteceu pode ter acontecido de maneiras diferentes da pluralidade dos olhos. Lembre-se, por exemplo, a história "Na floresta", de Ryonosuke Akutagawa onde o assassinato é visto a partir de diferentes perspectivas por vários testemunhas. Deixe-me trazer aqui outra asiática, Chuang Tzu e seu "Sonho de Borboleta". O texto diz: "Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta. Quando acordou não sabia se era Tzu que sonhou que era uma borboleta ou era uma borboleta sonhando que era Tzu." Não só a realidade é percebida a partir de perspectivas diferentes, podemos até duvidar da realidade. Diante de tal perplexidade, fala-se pouco (como faz Chuang Tzu) ou ficamos em silêncio. Alguns dizem que os sábios escolhem o silêncio. E que de alguma forma isso faz Hirokazu Koreeda em Still Walking (Aruitemo Aruitemo, 2008), um filme, que como o próprio título diz, caminha sem muitas palavras, através de uma reunião de família. Como quando se fala de caminhar, de andar, de atravessar a vida, este filme vai encontrando os diferentes momentos desta reunião de família, como por acaso, e os pega, sem julgamentos, sem padrões. Estão, os vivos, os sonhados, sem interpretações, mostrando suas diferentes camadas, seus vários significados. Neles são encontrados o silêncio, a negligência, o carinho e o ressentimento, a tristeza e o amor. Está tudo lá no magnífico filme feito pelo cineasta japonês de renome, sua versão da família, com base em suas experiências pessoais. Uma homenagem às crianças do passado, ao presente, aos filhos, mas especialmente aos pais que ainda estão entre nós, vivendo em seu silêncio que fala.

Still Walking, terça-feira 12 de julho, na Max.

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Heavy Metal 2000, ou curtindo Julie Strain

por max 8. julho 2011 06:51

 

 

 

 

 

 

Ela é  Julie Strain, Julie Ann Strain, nascida em 1962 na Califórnia.

Um metro oitenta e cinco de altura. Uma mulher grande que deve calçar número 44.

Conhecida como a rainha dos filmes B, já fez mais de cem.

Não usa dublê para as cenas de ação. Nem nas cenas muito explícitas dos seus filmes eróticos.

Em 1997, ela foi a vigésima primeira entre as 50 femme fatales mais sexys  da ficção científica.

Em 1991, ela foi a garota Penthouse do mês, e em 1993, do ano.

Foi casada com Kevin Eastman, criador de Teenage Mutant Ninja Turtles.

Julie existe, mas não existe. Ou melhor, existe numa outra dimensão. Na ficção, na fantasia. Porque Julie não é apenas uma atriz, mas a musa, ou o fetiche da revista Heavy Metal. Cartunistas como Olivia De Berardinis, Simon Bisley e Luis Royo já desenharam Julie várias vezes, e a tornaram heroína de suas fantasias futuristas.

Julie, também é chamada de Julie no filme Heavy Metal 2000. O personagem principal, um personagem animado, é idêntico à Julie Strain, e como eu disse, seu nome é Julie. O assunto do povo da Heavy Metal com esta diva da ficção científica,é sério.

Curta Julie Strain (seu personagem animado, é claro) no Heavy Metal 2000, sexta-feira 08 de julho.

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A beleza e a rebeldia de James Dean

por max 8. julho 2011 06:20



Vai parecer um pouco estranho tudo o que eu vou dizer. Mas vou falar: dizem que James Dean era um rebelde hipersensível, e que sua rebelião foi por causa dessa sensibilidade. Porque foi, como alguns disseram, um adolescente eterno. Aqui está o que o sociólogo Edgar Morin disse de Dean:


"James Dean é um modelo, mas o modelo em si é a expressão típica (ao mesmo tempo média e pura) da adolescência em geral, dos adolescentes americanos em particular. É compreensível que este rosto tenha se tornado um rosto-bandeira ou imitado, especialmente naquilo que tem mais para imitar: O cabelo, o olhar "

 

E também:


"James Dean também estabeleceu o que poderia ser chamado de panóplia da adolescência, a uniformidade da roupa, em que expressa a sua atitude na sociedade: o jeans azul, o suéter agasalhado, a jaqueta, a recusa de usar uma gravata, o desleixado voluntário, são alguns sinais com valor de crachás políticos de resistência, frente às convenções sociais no mundo dos adultos, da procura de sinais de virilidade e fantasia artística. "


Eu não sou ninguém para negar Morin, Deus não permita tal pretensões esnobes. Mas devo dizer que vejo alguma coisa mais além. Dean não era o que era apenas para ficar na adolescência eternamente, Dean era o que era porque era um homem bonito. Sim, eu disse meu comentário soaria estranho. Mas vamos continuar: James Dean era uma expressão de beleza, um belo rapaz como o mundo entende a beleza, essa que vem desde os gregos, ou a partir do Renascimento. É esse tipo de beleza da que a sociedade se apropria. Beleza objeto para ser enquadrada dentro das leis sociais. Beleza para ser admirada, para ser colocada em uma vitrine, e a partir dali ser apresentada como verdade e como moral. É isso mesmo, a Beleza vista como pureza. A Beleza quando está na vitrine, não tem alma, é para ser admirada, ou vamos dizer, que pressupõe uma alma. A beleza que é capturada pela sociedade deve ser como indica esta sociedade: uma ficção. A ficção de que deve ser exibida na tela, do outro lado. A beleza é uma ficção porque é uma caixa vazia que a sociedade enche. Nós não queremos saber o que ela realmente é, porque saber o que é seria realmente terrível. Nós não queremos saber que talvez não seja igual à verdade e moralidade, queremos inventar o que é, e que seja confortável estar dentro dessa ficção. James Dean, inteligente stage hand e comerciante de sua própria beleza, brincou de não ser bonito, buscando ser bonito de outra forma. Dean, como Elizabeth Taylor, sua grande amiga, se aproveitaram da própria beleza, mas ao mesmo tempo, lutavam contra ela (ele gostava e não gostava da vitrine). Sua rebelião, real e ficcional, ao mesmo tempo, era contra a sua beleza. Dean se rebelava contra essa beleza social que assumia a verdade e a moralidade generalizada, e pretendia a sua verdade, sua própria moralidade, sua própria inteligência. Ele se recusou a estar na vitrine, fabricou a sua própria vitrine, o seu gosto, que compartilhou com a sociedade, mas de longe, como um gato de rua que aceita a comida, mas que não dá permissão para ser tocado. Um gato lindo que diz: eu não sou vazio, eu sou único, original, eu quero ser feio, o feio que vocês dizem (o que vai contra as convenções), porque esse feio para mim, é lindo. Mas a sociedade é um monstro de mil cabeças, e diz: que bonito o nosso bonitão que brinca de não ser bonito. Assim, Dean era o bonitão que queria mostrar a sua inteligência sensível, a sensibilidade inteligente, e o mundo o deixava porque ele estava na vitrine.  Até permitia que ele fosse o bonitão que arriscava a deformação física na velocidade dos seus carros de corrida. O acidente com vida e deformação era o seu risco, não a morte. Em última instância, o plano não foi bem elaborado, não ficou deformado, morreu. James Dean, dentro da vitrine, como um tolo, aquilo com o que tanto lutava (na aparência). Por quê? Porque com sua morte permaneceu a beleza eterna. A sociedade, ou poderíamos dizer, os feios foram os vencedores. Dean é eternamente jovem e eternamente belo. Sua rebelião é bonita, como os outros querem que seja bonita a seu modo.

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