Algumas coisas sobre James Dean

por max 29. junho 2011 05:37



Seu nome era James Byron. As coisas não estavam indo mal para ele. Dean era intenso e foi lançado nas trevas, como o mesmo poeta Byron. Vamos dizer que Dean, como Lord Byron, era um romântico, não no sentido do amor, mas com respeito ao romantismo literário. O movimento que se levantou contra as leis da razão, e emitiu a busca de outros mundos na escuridão da alma do homem, no exótico, na natureza unida à alma do poeta. James Dean, como o poeta, era o que eles chamam de hipersensível, amava a beleza, era um galã (no estilo duro) e tinha certo gosto pela licenciosidade. Depois dizem que os nomes não fazem a pessoa. É claro, James Dean não era manco.

 

Diz-se que o amor de sua vida foi a atriz Pier Angeli. Ela e James se conheceram durante as filmagens de East of Eden. Era um romance impossível, e ela acabou se casando com o cantor Vic Damone. Dizem que ao ouvir a notícia, Dean bateu na garota. O dia do casamento, Dean parou sua moto em frente à porta da igreja, e acelerou e acelerou o motor, fazendo um barulho infernal.

Devido ao seu conflito com a atriz, Dean não compareceu à estréia de East of Eden.

Elizabeth Taylor e James Dean eram grandes amigos. A noite antes de sua morte, Dean deixou seu gato com a atriz para cuidar dele. Dean, segundo o que Taylor disse, temia que algo iria acontecer com ele, com Dean. Isso lhe disse o ator naquela noite.


Taylor declarou numa entrevista com o jornalista Kevin Sessums altamente respeitado, que o Rev. JamesDeWeerd, quem teve um papel muito importante na formação do ator -seus gostos pela velocidade e pelo drama, por exemplo, tinha abusado sexualmente dele várias vezes. Taylor disse que durante as filmagens de Gigante, ela e James Dean falaram sobre isso noites inteiras, e que o ator ficou atormentado por causa desses abusos. Tais confissões foram feitas pela Taylor em 1997 para a revista
POZ, mas pediu a Sessums não revelar nada sobre isso até a sua morte. Em 23 de março de 2011, o dia da morte da atriz, Sessums publicou as declarações no site da Newsweek, The Daily Beast.

 

Dizem que James Dean estava apaixonado por Marlon Brando, seu herói, a quem Dean seguiu seus passos no teatro e na vida.


James Dean odiava tomar banho e não gostava de trocar de cuecas.


James Dean apagava os cigarros no peito.


Eu ouvi recentemente um programa de rádio, onde comentavam que sir Alec Guinness, vendo o novo carro de James Dean (aquele infame Porsche 550 Spyder), começou a dizer nervoso, do lado de fora do restaurante onde tinham se conhecido há pouco tempo, para parar de andar naquele veículo imediatamente, que não o dirigise mais, que naquele carro teria um grave acidente. Dean pensou que era uma piada inglesa daquele homem que acabava de conhecer, e não levou aquilo a sério. Logo depois, o jovem ator de 24 anos, morreu quando bateu de frente com um Ford Custom Tudor. Aqui está uma foto do Ford, e aqui está uma foto do Porsche. Podem ver quem leva as de perder. Ah, e uma de como ficou o carro de Dean. Guinness, nunca mais teve visões assim.


Em julho, Max traz um especial de James Dean. Rebel Without a Cause (quarta-feira 20), East of Eden (quinta-feira 21) e Gigante (sexta-feira 22). 

Em julho, com James Dean descubra Max.

Um Certo Olhar. Três retratos da realidade dos jovens no Brasil

por max 20. junho 2011 01:29

 

Cada país gera suas próprias clichês, as projeções simplificadas de suas realidades e seus modos de ser. Eu também acho que o truísmo dessa cultura é diretamente proporcional à complexidade do fenômeno. Ou seja, um lugar comum é mais forte quanto mais complexa é a coisa a que se refere. Pense nos charros mexicanos. Eles são uma simplificação completa de todo um universo que se move por trás da imagem que se origina desde os tempos coloniais, passando pela cavalaria, o desejo de ascensão social, a figura do chinaco, os filmes, a música popular, o léxico mexicano, "a china poblana", o sindicalismo, o sexismo e até Emiliano Zapata. Um charro é mais que uma charro. Sua figura é um legisign, como diria o semiólogo Peirce, um signo cheio de significado universal, mas também complexos, argumentais. Assim, o clichê é apenas a ponta do iceberg da realidade. México, é claro, é um clichê em si mesmo, que inclui o charro, o asteca, tequila e praias. Falando do Brasil, nós sentimos o mesmo. Dizemos que pensar em Brasil é samba, alegria, garotas e carnaval. Também poderíamos pensar em favelas, mas em qualquer caso, também a favela é uma simplificação da ecologia complexa que suporta a palavra.

A arte tem entre suas funções, de fato, elevar-se acima do clichê e tentar representar a complexidade de um aspecto da realidade. O filme, quando é levado a sério tem a intenção de fazer arte e propõe ainda a partir da imagem o entretenimento. Este mês, Max traz uma pequena série de três filmes que quebram os clichês do Brasil contemporâneo, mas especialmente aqueles que lidam com a juventude brasileira dos dois pólos fundamentais: a pobreza e a burguesia. O pobre da favela, é sempre um garoto violento, assassino, magrelo, burro ou sem aspirações. O burguês, talvez um garoto feliz, sexualmente livre, festeiro, sem grandes preocupações. Mas, novamente, a arte, buscando sempre superar clichês, tem outros lados, outras complexidades. E assim que temos para este ciclo de três retratos contemporâneos de jovens no Brasil, os seguintes filmes:


 

5 X Favela, Agora por nós mesmos (2010): Este filme é composto de cinco histórias diferentes, mas unidas pelo tema da vida na favela, surge a partir da reunião de mais de 80 jovens das favelas do Rio de Janeiro, que foram selecionados após uns workshops de cinema, com professores da categoria de cineastas como Fernando Meirelles, Walter Salles, Nelson Pereira dos Santos e Ruy Guerra. O projeto teve como objetivo dar aos jovens a chance de contar suas vidas diárias através dos seus olhos, da sua realidade, isto foi finalmente possível e terminou se concretando em material de 16mm. Há cinco histórias que nos contam a ua sobrevivência. De como mais do que viver, se sobrevive nas favelas, nesse mundo duro de coragem, medo, corrupção e morte. Esse mundo onde você não pode distinguir claramente entre o bem e o mal, cuja linha divisória é turva. Este é um filme honesto com um ar de ingenuidade da inexperiência que paradoxalmente, dá um ar de vanguarda. Um filme muito social, mas ao mesmo tempo, muito humano, muito real.

5 X Favela, assista na terça, 21 de junho.

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Os Famosos e os Duendes da Morte (2009): Primeiro filme do diretor Esmir Filhos (premiado com os curtas Saliva e Something Like That) que apresenta um jovem blogger do interior do Brasil (de Teutonia, área de origens germânicos) cujo apelido fala muito sobre ele. "Mr. Tambourine Man" é um adolescente particular que sonha mundos que estão além de sua realidade, onde Bob Dylan se destaca como ícone máximo da arte, da rebelião, e libertação. Na verdade, a música de Dylan é a guia essencial para esta história atravessada por uma misteriosa presença do sexo feminino, bem como as preocupações, medos, esperanças e desespero deste garoto anônimo (e com pseudônimo). Este é um filme sem uma narrativa específica, às vezes escuro e à beira do horror, mas também com elementos dos contos de fadas de Tim Burton com um monte de imagens místicas. Aqui deve-se lembrar de Cioran em Esse Maldito Eu : "Tendo passado a juventude numa temperatura demiúrgica." Muito disto tem este filme, muito de jovem que começa a se descobrir e criar suas idéias do mundo dentro dessa temperatura mística e esotérica que procura afundar na escuridão para trazer respostas do ser que começa a estabelecer o seu lugar na existência. 

Os Famosos e os Duendes da Morte, na terça-feira 22 de junho. 

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Only When I Dance (2009): Este é um documentário dirigido pela cineasta brasileira radicada em Londres, Beadie Finzi, que mostra a luta de orgulho e paixão de dois jovens das favelas do Rio de Janeiro cujo maior sonho é ser bailarinos. Eles são Isabella e Irlan, e vamos vê-los lutando contra os prejuízos e arbitrariedades que podem enfrentar dois jovens tentando ter sucesso em um campo profissional incomum entre as pessoas de baixa renda. Neste caso, é claro, a dança. Aqui as declarações dadas pela diretora do filme ao site Women and Hollywood: "Há muita emoção neste filme. Mas os temas mais poderosos tem a ver com a família, o que está relacionado com o apoio da família, e o que eles vão fazer para dar aos seus filhos uma mudança para melhor. Foi verdadeiramente inspirador conhecer as famílias da Irlan e da Isabella. A sua confiança e bom humor, apesar das dificuldades. Passamos um ano muito especial filmando com eles e devo dizer que eu realmente sinto falta deles. " 

Only When I Dance quinta-feira, 23 de junho. 

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Persécution ou o vórtice de sentimentos

por max 9. junho 2011 10:56


Os sentimentos não têm limites, correm livres. Os sentimentos são egoístas. Digamos que, de alguma forma, os sentimentos não têm sentimentos, não sentem compaixão pelos outros. Precisam ser satisfeitos, e só se importam com isso. Esses sentimentos, projetados sobre uma pessoa, podem levar à violência, ao assédio. As impossibilidades aumentam essas manias. Quando o sentimento não é correspondido pela outra pessoa, o sentimento torna-se mais teimoso, até mesmo perigoso. Os sentimentos são algo para tomar cuidado. Portanto, a sociedade precisa controlá-los. A sociedade nos diz o que é o amor, e dentro desses padrões deve evoluir com cautela, sem escutar à voz dos sentimentos. Algumas pessoas brincam de amar ao próximo, que supostamente é a melhor maneira de viver dentro dos sentimentos mais valiosos. No entanto, às vezes, isso tampouco satisfaz, e faz com que os homens vivam em um vácuo, do outro lado do muro, separados de si mesmos, porque separados de si mesmos estão separados dos seus sentimentos. Algumas pessoas estão tão ocupadas com as coisas do mundo, que não olham para dentro. E há aqueles que ignoram todas as leis, e fugem com os seus sentimentos. Eles são levados por isso, pelo arrebatamento do amor, eles se tornam perigosos para a sociedade, para os outros e para si mesmos.

No âmbito do típico triângulo amoroso, tão amado pelos cineastas franceses (embora com uma variante homossexual), o famoso diretor Patrice Chéreau mergulha no complicado mundo dos sentimentos do egoísmo e da raiva, da obsessão e do assédio no filme Persécution (2009). Chéraeu, premiado em Berlim pelos filmes His Brother (2003) e Intimacy (2001) e em Cannes por Queen Margot (1994), também é um diretor de teatro, de ópera e um dos mais respeitados da França. Sua experiência com personagens, sentimentos e atores é mais que suficiente, e ele aproveitou para fazer filmes (já são quinze), onde o drama dos personagens é fundamental para a trama. Nesse sentido, podemos dizer, que Chéreau é muito francês, faz parte de uma longa tradição de diretores de excelência que também trabalham com atores de primeira linha. Desta vez, Romain Duris, Charlotte Gainsbourg (incrível em Antichrist de Lars von Trier) e Jean-Hugues Anglade. Persécution, um drama às vezes desapaixonadao, frio e estranho, é tanto uma obra que explora o mais complexo dos sentimentos, da sua explosão e sua inibição, e mostra como ambos os lados podem acabar matando a alma das pessoas.

Persécution de Patrice Chéreau, na segunda-feira 13 de Junho. Descubra Max.

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Love Comes Lately ou a atraente solidão de um escritor idoso

por max 4. junho 2011 01:58

 

Solidão e escritor são sinônimos. O escritor é um solitário que não ama muito o mundo. Seu tempo passa em outros mundos, não pertence a lugar nenhum em particular. Eu estou aqui de passagem, diz Jorge Drexler em uma canção. A solidão do escritor é procurada, desejada, natural. O escritor sabe viver sozinho, ou isso pensamos, ou nisso confiamos. A maioria das pessoas não. As pessoas não podem suportar a solidão. Claro, há exemplos de casos. Existem mulheres que atingem a maturidade sozinhas, por causa do divórcio ou porque nunca encontraram um parceiro ideal. Nelas existe um limbo, uma existência fantasmagórica que faz com que elas se questonem as suas vidas. De repente, elas sentem necessidade de se libertar, sentem que devem trazer algo de novo em suas vidas. Seu corpo e espírito sente a necessidade de explodir, de buscar a luz. A poesia, a literatura, a música. Escritores, aqueles especialistas em solidão, tornam-se heróis. Em geral, as pessoas acreditam que a vida de um escritor é diferente. Alguns até têm uma reputação, e tornam-se fascinantes para as pessoas. Viajam, vivem uma vida nômade para dar palestras e promover seus livros. E eles são "sensíveis". Algumas mulheres pensam que são "diferentes" de todos os homens, pensam que são melhores homens porque eles têm uma maior sensibilidade, ou algo assim. Então acontece a abordagem, tentam penetrar nesse mundo que é um mistério. Querem entrar e descobrir, encontrar refúgio ali. Há uma necessidade de proteção e também de proteger. Para unir solidões. Encontram proteção no mestre da solidão, mas também visam protegê-lo dessa mesma solidão. A atração, naturalmente, implica um elemento erótico muito forte, que termina na cama ou não.

A velhice, também é sinônimo de solidão. A velhice é que separa os homens da sociedade, do resto do povo. Sua constituição física o impede. A mental também. Mas assim esteja bem mentalmente, com todos os seus sentidos trabalhando, o físico afeta. Mas a velhice tem um certo apelo entre as pessoas, há algo no homem velho que impõe respeito. O velho é sábio, e a sabedoria pode espalhar paz, tranqüilidade.

Agora, se combinarmos a solidão da velhice com a solidão do escritor, quanto mais a fantasia de seus mundos, mas a atratividade que inspira o escritor em mulheres, temos uma história ou três histórias que podem se tornar uma grande história, depois, um filme. O Prêmio Nobel Isaac Bashevis Singer escreveu três histórias que tocam o assunto, três histórias magistrais. Anos mais tarde, o diretor alemão Jan Schütte (Drachenfutter, Supertex, Fette Welt) uniu estas três histórias e fez o filme Love Comes Lately (2007). A história de um escritor que aos oitenta anos ainda continua viajando pelos circuitos de leitura, com a mente desperta e tendo plenamente em conta a sua idade e seu corpo. Max Kohn (Otto Tausig) experiência neste filme uma viagem entre o seu mundo interior, cheio de histórias imaginárias, e a realidade, vaga, enevoada, onde as mulheres se tornaram uma parte fundamental da trama. Encontros corporais, amorosos, encontros da alma e no filme todo, escuridão sobre essa mistura de imaginação e realidade da que estamos falando. Love Comes Lately é um drama com delicados toques de comédia com um caráter muito particular, que nos fala, como já se vê, de solidão, de velhice, de escrever, de sexo e amor. Uma história que acontece com calma, mas com uma delicadeza que lembra que entre a vida e a imaginação há uma separação muito pequena, e que a juventude está na mente, não no corpo.

Love Comes Lately, segunda-feira 06 de junho. Descubra Max.

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Um Dia de Cão ou o professor que ensinando aprende dos seus alunos

por max 1. junho 2011 11:16

 

Quando Tubarão foi lançado em 1975, Steven Spielberg tinha 29 anos. Começava, corria, crescia o novo cinema americano. Spielberg tinha brilhado, aquele ano, tinha dado um grande pulo. Ele era dono da bilheteria, Tubarão foi um grande fenômeno. Diz Peter Biskind no livro Como a geração Sexo-Drogas-e-Rock 'n' roll salvou Hollywood, que alguns de seus amigos zombavam de seu sucesso, que diziam que era apenas sorte, que o filme foi indicado ao Oscar só pela bilheteria. Biskind diz: «Spielberg estava tão confiante de que ele seria indicado para um Oscar como diretor, que convidou uma equipe de televisão ao seu escritório para filmar sua reação quando recebesse a boa notícia. Mas não houve nenhuma. Tubarão, porém, foi indicado como melhor filme, o diretor se sentiu ofendido. Em lugar disso, a Academia escolheu Robert Altman por Nashville, Milos Forman por One Flew Over a Cuckoo's Nest, Stanley Kubrick por Barry Lyndon, Sidney Lumet por Dog Day Afternoon (Um Dia de Cão) e Federico Fellini por Amarcord, uma lista esplêndida de diretores e filmes para o ano de viragem. Quando a câmera começou a gravar, com o rosto enterrado nas mãos, Spielberg se queixou: "Eu não posso acreditar. Escolheram Fellini antes de mim!" Que o seu filme fosse indicado e ele não, foi uma verdadeira bofetada.» Bem, Spielberg, era um garoto arrogante, que queria conquistar o mundo, ansioso por subir rapidamente. O fato de que não pudesse acreditar que indicassem Fellini e não ele, é um fato significativo. Essa lista, tal como Biskind diz era brilhante, todos eles tinham bem merecido prestígio. O vencedor foi, de fato, Milos Forman. Mas hoje quero falar sobre Lumet.

Sidney Lumet tinha nem mais, nem menos que 22 anos de diferença com Spielberg. Lumet não era exatamente um daqueles novos diretores que surgiram com Spielberg, aqueles que foram treinados em escolas de cinema, chamados de movie brats ou pirralhos do cinema, entre os quais estavam Martin Scorsese, Brian De Palma e George Lucas. Lumet estava a meio caminho entre a Hollywood de outros anos e essa que estava começando a emergir, selvagem, criativa, inquieta, cheia de luz. Este novo cinema que Andrew Sarris, do Village Voice, defendia como cinema de autor sob a premissa não totalmente verdadeira, não inteiramente falsa, de que o diretor do filme é o único autor de sua obra. Essas idéias, é claro, foram fortemente influenciados pelos franceses. Assim, Lumet não estava totalmente dentro da nova camada, mas era um dos diretores ativos do momento. Tinha sido destaque em 1957 pelo muito teatral filme 12 Homens e Uma Sentença; brilhava depois de uma série de filmes mais ou menos afortunados, com Longa Jornada Noite Adentro, de 1962, e em 1973 começou a adotar novas idéias do cinema que começaram a surgir com o drama policial Serpico. Assim, para 1975, a indicação de Lumet foi mais do que justificada, não só pela sua carreira, mas também porque Um Dia de Cão foi um filme refrescante, duro, afiado, inteligente e muito bem interpretado. O cineasta combina magistralmente o drama e crítica dos meios de comunicação, ao apresentar estes dois homens desesperados que se tornam assaltantes de bancos. Um, carismático e rebelde (Al Pacino), o outro instável e muito perigoso (o inesquecível John Cazale). Ambos acabam com reféns, rodeados pela força da lei e o poder dos meios de comunicação. Quem é mais perigoso? É onde trabalha Lumet e onde a sua experiência vem à tona. A hipocrisia, o interesse comercial, as classificações são armas mais perigosas que uma espingarda de polícia, parece dizer o diretor. A Hidra da mídia primeiro mostra um rosto amigo, aliado, exerce a defesa criminal, um homem desesperado (Al Pacino), uma metáfora para a situação social e económica. Mas como ele sobe, como é exaltado, a Hidra logo se volta contra ele e mostra um rosto escuro, cheio de preconceitos e Sonny, personagem do Al Pacino, não é um herói, porém um homossexual perverso cujo amante é também seu cúmplice.

Lumet trabalhou uma direção muito urbana, muito realista, longe do tom e do olhar da lente teatral e, sem dúvida estava inspirado pelas novas tendências do momento, mais próximo da crueza, do documentário, a representação da realidade como um lugar para falar sobre o homem moderno e seus conflitos sociais e humanos. Um Dia de Cão é um trabalho que, dentro do cinema americano, é fundamental. Existe como uma das maiores representações do novo filme que floresceu nos anos setenta. Paradoxalmente, o seu diretor, não era um daqueles pequenos gênios ranzinza que queriam tudo para eles. No entanto, Lumet deve muito a aquele tempo, e a dinâmica daqueles jovens, e com um filme como Um Dia de Cão paga suas dívidas e os seus tributos. Um professor sabe dar aulas e aceitar que os alunos também podem ensinar.

Um Dia de Cão, domingo 05 de junho. Descubra Max.

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